Homenagem ao Mestre Conselheiro Luiz Mendes do Nascimento (04/01/1940 – 29/06/2019) | Por Florestan Neto

Luiz Mendes do Nascimento

Luiz Mendes do Nascimento (04.01.1940 – 29.06.2019)

Homenagem ao Mestre Conselheiro Luiz Mendes do Nascimento (04.01.1940 – 29.06.2019) / Por Florestan Neto

Texto de Florestan Neto

Revisado e atualizado por Juarez Duarte Bomfim

Luiz Mendes do Nascimento (04.01.1940 – 29.06.2019) nasceu no dia 4 de janeiro de 1940 na colocação “Pedro Preto”, no seringal Empresa, não muito distante da Cidade de Rio Branco – Acre. Os pais de Luiz chamavam-se José Mendes do Nascimento e Francisca Mendes do Nascimento. Seu pai veio do Ceará para “cortar seringa” durante o Segundo Ciclo da Borracha.

Luiz Mendes e Rizelda Brito, sua esposa

Luiz Mendes e Rizelda Brito, sua esposa

Luiz Mendes e Rizelda Brito

Luiz casou-se com Rizelda Brito do Nascimento no ano de 1962, com quem teve 8 filhos (Saturnino, Solange, Solon, Solismar (falecido), Elias, Rosalange, Luiz e Holderness). O ano de seu casamento também marcou sua entrada na Doutrina de Mestre Irineu; aliás, “seu Luiz” conheceu o Santo Daime através de sua esposa, que já tomava a Santa Bebida desde 1956, ano em que seus pais (Elias Brito e Ana Souza) conheceram a misteriosa Doutrina da Floresta.

Luiz Mendes e Mestre Irineu Serra

Após apresentar-se a Mestre Irineu, o jovem Luiz, de 22 anos de idade, iniciou seu caminho espiritual no veio doutrinário do Santo Daime. Segundo palavras do próprio Luiz Mendes, no início de sua jornada, como é comum a muitos iniciantes, passou por medos e dúvidas sobre a verdade que lhe era mostrada nos trabalhos; entretanto, seguindo a sua destinação, foi construindo a sua firmeza através da dedicação a este trabalho e a uma amizade íntima com o irmão maior Raimundo Irineu Serra, a ponto de  tê-lo como padrinho de batismo de seu filho mais velho, Saturnino. “Padrinho Irineu” também era o “compadre Irineu”!

Morando perto do Mestre Irineu, e lutando com muita dificuldade pelo sustento material, o jovem Luiz, segundo suas palavras, “agarrou-se com unhas e dentes a este trabalho”, donde recebia não só o conforto espiritual, como também material. Por diversas vezes, recebeu ajuda material por serviços prestados ao próprio Mestre; como por exemplo, a retirada de “peças de madeira” para obras na propriedade de seu ilustre compadre.

Homem honesto e dedicado, logo ganhou a confiança de Mestre Irineu dentro e fora dos serviços espirituais. Dentro, passou a bailar na primeira fila, praticamente em frente a cadeira do Mestre, e, fora, juntamente ao saudoso “Chico Granjeiro”, foi indiscutivelmente, um dos irmãos que mais “intimidade social” teve junto ao “Padrinho Irineu”. Esta “intimidade” rendeu-lhe inúmeras “conversas” com o Mestre, que se manifestaram na prática, através da enorme quantidade de “causos do Mestre” que ficaram registradas em sua memória, e que foram tão precisamente verbalizados em suas famosas preleções.

A afinidade com o compadre e mestre Irineu Serra foi crescendo a um ponto tal, que oficialmente recebeu a missão de ser seu porta-voz, ou como reza o Estatuto deixado pelo Mestre para o seu Centro Livre: “orador oficial do CICLU” — Centro de Iluminação Cristã Luz Universal.

Luiz Mendes era um bom soldado, um bom compadre, e ainda tinha manifesto, o chamado dom da palavra. Também recebeu das mãos do Mestre, a zeladoria do hinário “Vós Sois baliza”, após o falecimento de Germano Guilherme; em 1964.

Luiz Mendes do Nascimento

Luiz Mendes do Nascimento (04.01.1940 – 29.06.2019)

Hinários de Luiz Mendes

Sua trajetória dentro da Doutrina pode ser mais bem compreendida, através de seus 2 hinários, denominados: “Centenário” e “Novo Horizonte”. Este último um “Hinário aberto”, que foi fechado agora, com o passamento de Luiz Mendes para a vida espiritual.

Em relação ao “Centenário”, podemos imediatamente nos lembrar de dois hinos que nos remetem ao início da jornada do jovem Luiz; hinos que foram “passados a limpo” com o próprio Mestre Irineu encarnado. São eles, os “hits”: “Ó Lindo Daime” (hino 6), recebido durante um trabalho na casa do próprio Mestre e “Convite” (hino 18), recebido após um outro trabalho, quando já em casa, uma voz assoprou-lhe no ouvido:

— Luiz, Toma mais um Daime!.

No amanhecer do dia, mirando, ouviu os primeiros versos do hino que então recebeu: “O meu Mestre convidou-me e eu obedeci…”

Quando do falecimento do Mestre Raimundo Irineu Serra (15.12.1892 – 06.07.1971), o Hinário “Centenário” já contava com aproximadamente 30 hinos. O presidente do CICLU, o senhor Leôncio Gomes da Silva (11.02.1918 – 17.03.1980) assume a direção dos trabalhos.

Luiz Mendes e Padrinho Sebastião

No ano de 1974, Luiz Mendes acompanha o amigo Sebastião Mota de Melo,    (Padrinho Sebastião, 07.10.1920 – 20.01.1990) quando o mesmo retira-se oficialmente do CICLU para dar continuidade a seus trabalhos na Colônia 5 Mil. Esta experiência ao lado do Padrinho Sebastião durou aproximadamente 3 anos, e nos é revelada por exemplo no hino 35, “Pedi Licença a Meu Mestre”, quando canta: “Cheguei, cheguei, cheguei / Dentro de um salão / No domínio do Império / Do meu Senhor São João”.

Luiz Mendes retorna ao CICLU

Depois desta experiência no “domínio de São João”, Luiz Mendes recebe a instrução para voltar ao CICLU, declarada no hino 44, “Aqui te Quero”, que reza: “Aqui te quero onde eu te deixei…”.

Já no hino seguinte, “Nós Devemos Respeitar” (hino 45), estando novamente filiado ao CICLU, Luiz Mendes afirma na primeira estrofe: “Nós devemos respeitar / O nosso presidente / Nós não merecemos nada / Sem que ele vá na frente…” Era um endosso a legitimidade do comando de Leôncio Gomes da Silva. No hino “Vamos ter Obediência” (hino 51), Luiz Mendes novamente reafirma o comando do amigo Leôncio, quando diz: “Vamos ter obediência / Ao nosso presidente / Porque ele é responsável / Por toda esta gente…”

Os hinos 69 (“Eu vi O Triunfo”) e 71 (“Eu Ia Por Um Caminho”), referem-se ao passamento de Leôncio Gomes da Silva ocorrida em 17.03.1980.

Luiz Mendes e Tetéu

A partir daí, Luiz Mendes do Nascimento continua seu trabalho ao lado de Francisco Fernando Filho (Tetéu), afirmando a legitimidade de seu comando, declarada em hinos como, por exemplo: “A Meu Pai Eu Me Entreguei” (hino 75): “Eu confio no meu Pai / Confio no meu presidente / encostado ao assessor / pisaremos no batente”; no hino 79: “Eu te entrego e eu recebo / É com amor / Você assessore com cuidado / Meu assessor…”; “Meus irmão eu Vou Contar” (hino 80); “Dentro do Meu pensamento” (hino 93): “Dentro do meu pensamento / Eu vi quando baixou / A saúde completa / Do nosso assessor…”; “Chegou Uma Força” (hino 117): “Estou aqui / Meu Rei Imperador / Eu peço a vós saúde /Para o assessor…” e finalmente o hino que descreve a passagem de Tetéu: “Às 8 Horas da Noite” (hino 122).

Com relação a passagem de Tetéu (13.12.1917 – 21.06.1985), temos um acontecimento determinante no seguimento da Missão de Luiz Mendes: Tetéu, em seu leito de morte, passa o comando de seu trabalho (recebido de Leôncio Gomes) as mãos do seu grande amigo Luiz. Em verdade, este comando já havia sido vislumbrado por Luiz Mendes no hino 120, “Me Submeti a Um Grande Teste” quando ouve do Mestre: “Nunca irás cair / Que eu não vou deixar / As minhas ovelhas / Tu vais rebanhar…” No hino 123, “A Minha Bandeira é Branca”, Luiz Mendes declara a essência de seu comando, cantando: “A minha bandeira é branca / É a bandeira da paz / A discórdia não prospera / Com concórdia me satisfaz…”

Luiz Mendes fecha o Hinário “Centenário” após o recebimento do hino 132, “Meu Pai estou esperando”.

Luiz Mendes do Nascimento

Luiz Mendes do Nascimento (04.01.1940 – 29.06.2019)

Centenário do Mestre Irineu, 1992

Logo após o grande encontro comemorativo, denominado “Centenário do Mestre” (dezembro de 1992), e que teve Luiz Mendes como seu principal idealizador; no ano de 1993, Padrinho Luiz recebe o primeiro hino de seu novo Hinário: “Novo Horizonte”.

A temática deste seu novo hinário, é dominada pela natureza, pelas manifestações femininas de Deus; é uma celebração devocional a natureza, revelada explicitamente em vários hinos, como por exemplo, “O Meu Pai Eu avistei” (hino 4): “O meu Pai eu avistei / Bem pousado onde Ele está / Na floresta e nas montanhas / E na profundeza do mar…; “Na harmonia da Floresta” (hino 18); “No Crepúsculo do Entardecer” (hino 19); “Eu Sai trabalhando” (hino 22), em que canta: “É o Daime, é o Daime / Toda natureza em si…”; “Ouvi o Som das Águas” (hino 23); “Passeando entre as Flores” (hino 26); “Lua Nova” (hino 27); “Casmerim” (hino 30) e “Sereia” (hino 34).

Acompanhando “o resgate do feminino” feito por Mestre Irineu e que é revelado no Hinário “Cruzeiro”, Padrinho Luiz Mendes exalta a participação das mulheres dentro da Doutrina do Santo Daime, concedendo a elas de forma inovadora, uma participação exclusiva no canto de três estrofes no hino “Coral” (33). No hino 36, “Santa Cura” ele reafirma esta filosofia, cantando: “Lá vem a santa cura / Estou vendo como é / É uma maravilha / O magnetismo da mulher…”

Luiz Mendes e Saturnino Brito, seu filho

Luiz Mendes do Nascimento é carinhosamente chamado de Mestre Conselheiro, posição que ocupa no CEFLI (Centro Eclético Flor do Lótus Iluminado), que tem na figura de Saturnino Brito do Nascimento seu presidente.

Nos seus últimos anos de vida em matéria, Luiz Mendes e sua companheira Rizelda residiram no Seringal Fortaleza, Município de Capixaba, distante cerca de 130 Km de Rio Branco – Acre, e foram os principais anfitriões da grande festa daimista intitulada “Encontro Para o Novo Horizonte”, realizado anualmente.

Salve o Mestre Imperador!

Salve o Mestre Conselheiro!

(Texto elaborado por Florestan Neto sob a orientação de Saturnino Brito do Nascimento; revisado e atualizado por Juarez Duarte Bomfim)

Vídeo da Homenagem de Juarez Duarte Bomfim ao Mestre Conselheiro Luiz Mendes do Nascimento, no Seringal Fortaleza (Capixaba – Acre), em 04.01.2018:

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Perfil do Autor

Juarez Duarte Bomfim
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. E-mail para contato: [email protected]