Denúncia de suposta parcialidade do então juiz Ségio Moro na prisão do ex-presidente Lula é destaque na imprensa internacional

Sérgio Moro, ministro da Justiça e Segurança Pública do Governo Bolsonaro.

Sérgio Moro, ministro da Justiça e Segurança Pública do Governo Bolsonaro, Os jornais cogitam a hipótese de um complô entre o ministro e membros da força-tarefa do Caso Lava Jato, com a finalidade de impedir o retorno de Lula e do PT ao poder.

A denúncia feita pelo site The Intercept de que procuradores brasileiros agiram deliberadamente e, em alguns momentos, coordenados com o então juiz federal e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, para prejudicar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não é capa apenas dos jornais brasileiros. O assunto ganhou destaque em vários veículos da imprensa internacional dessa segunda-feira (10/06/2019).

Baseado em mensagens hackeadas, o portal afirma que os principais responsáveis pela Operação Lava Jato atuaram por motivação política em diversas ocasiões. “Apesar de afirmarem ser apolíticos e motivados apenas pela luta contra a corrupção, os procuradores da Lava Jato fizeram um complô para impedir o retorno de Lula e do PT ao poder”, relata o jornal francês Le Figaro, reproduzindo trechos de informações publicadas pelo Intercept.

“Algumas mensagens também revelam que os procuradores tinham sérias dúvidas sobre a existência de provas suficientes da culpa de Lula”, continuam o vespertino francês Le Monde e o diário Libération, lembrando que o caso resultou na prisão do ex-presidente. “Mas se essas mensagens forem verdadeiras, elas derrotam a suposta imparcialidade necessária do juiz Moro”, sentencia Le Figaro.

O canal árabe Al Jazeera relata que os principais promotores brasileiros “teriam conspirado para condenar Lula”. Enquanto o jornal espanhol La Vanguardia fala claramente de uma “conspiração para impedir a volta do PT ao poder”. O diário afirma que a troca de mensagens “deixa poucas dúvidas de que a operação judicial liderada por Moro tinha objetivos políticos”.

A versão francesa do jornal 20 Minutes também aborda o assunto, trazendo uma primeira reação do atual ministro da Justiça. Segundo o tabloide, Moro “desmente qualquer irregularidade em seu comportamento na investigação que possibilitou a prisão de centenas de políticos em cinco anos”. O norte-americano The New York Times também traz uma reação do ministro, que chama as gravações de “invasão criminosa”.

O The Intercept anunciou que estas revelações são “o primeiro resultado de uma grande investigação em andamento” sobre as provas da operação Lava Jato e sobre os atos de Moro quando era juiz federal e sobre o procurador Deltan Dallagnol. O portal tem entre seus fundadores o jornalista Glenn Greenwald, que em 2013 revelou os vazamentos obtidos pelo analista Edward Snowden sobre os programas de vigilância maciça implementados pelos serviços secretos americanos da NSA.

*Com informações da RFI.

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