Salvador: Pedra de Xangô será palco de encontro histórico; Comunidades se unem para reverenciar o orixá e chamar atenção para a importância do monumento sagrado

Comunidades de Candomblé e de Umbanda irão prestar juntas homenagens ao monumento sagrado.

Comunidades de Candomblé e de Umbanda irão prestar juntas homenagens ao monumento sagrado.

Neste sábado (04/04/2019) a Pedra de Xangô será palco de um encontro único: comunidades de Candomblé e de Umbanda irão prestar juntas homenagens ao monumento sagrado. Não é comum que duas religiões de matrizes africanas distintas se encontrem para fazer reverências a um mesmo orixá. A programação começa às 13 horas, com a limpeza da Pedra, ritual de rotina mensal dos centros de candomblé do Bairro de Cajazeiras, onde está localizada a Pedra. Eles vão fazer Ossé – cerimônia em que se limpa o Otá (pedra) – e depois a alimentação do Axé, que é a oferenda ao orixá.

Cumprida esta etapa, os anfitriões vão aguardar a chegada dos visitantes, prevista para às 15h, para a apresentação da Pedra de Xangô e sua importância enquanto patrimônio cultural, área de remanescente de quilombo, antiga residência dos índios tupinambás, além de toda a história que envolve o lugar, como morada dos inquices, dos voduns, dos orixás.  Com isso, os integrantes dos centros de Umbanda ficarão à vontade para fazer seus rituais a Xangô, também cultuado por esta religião.

A visita está na agenda de eventos previstos pelo projeto “Parque em Rede e APA Municipal: o parque que queremos”, apoiado pelo Ministério Público do Estado da Bahia, por meio da Promotoria de Habitação e Urbanismo. O autor é a Casa dos Olhos do Tempo que fala da Nação Angolão Paquetan Malembá, mais conhecida como Terreiro Mutalombo Yê Kaiongo. Para o seu representante, Tata Mutá Imê, essa é uma oportunidade única de integração, de respeito mútuo entre duas religiões de matrizes africanas.

“A aproximação do povo da Umbanda com a Pedra de Xangô fortalece o olhar para este símbolo e para a necessidade de preservação deste lugar. Que as autoridades tenham, junto com o povo de Ngunzu Axé, a mesma compreensão e entendimento da importância deste patrimônio. E que outros povos de religiões diferentes venham a ter o mesmo respeito e atenção. Não há religião superior à verdade. Nascemos, crescemos, desenvolvemos e voltamos para a terra em forma de água. ”

A advogada, doutoranda e mestra em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU-UFBA) Maria Alice Pereira da Silva, autora da pesquisa de mestrado intitulada “Pedra de Xangô: um lugar sagrado afro-brasileiro na cidade de Salvador”, também irá acompanhar o encontro. Ela faz parte da equipe técnica do projeto.

A pesquisadora explica que as comunidades de terreiro lutam há anos pela valorização da área da Pedra de Xangô, o que resultou na criação do Parque em Rede Pedra de Xangô, da APA Municipal Vale do Assis Valente no Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano do Município de Salvador (PDDU) e seu tombamento como patrimônio cultural. Também foi possível o desenvolvimento dos estudos para o reconhecimento do monumento rochoso como geossítio de importância cultural e relevância nacional pela CPRM – Serviço Geológico do Brasil.

“A Pedra de Xangô além de ser um patrimônio sagrado, está dentro de uma APA, que diz respeito a assuntos como meio ambiente, flora, fauna, educação ambiental, então, na hora em que todos se envolvem, as pessoas preservam, cuidam, acolhem, não depredam, têm pertencimento. Por isso é tão importante um encontro como esse: é a comunidade atuando como protagonista”, analisa ela.

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