Reino Unido tem 14 milhões de pessoas vivendo na pobreza

Vista aérea de Londres, capital da Inglaterra. Prosperidade economia deixa a margem 14 milhões de habitantes do Reino Unido.

Vista aérea de Londres, capital da Inglaterra. Prosperidade economia deixa a margem 14 milhões de habitantes do Reino Unido.

As políticas do governo britânico levaram ao empobrecimento sistemático de milhões de pessoas na Grã-Bretanha. A informação consta no relatório do especialista da ONU em pobreza e direitos humanos, Philip Alston, divulgado seis meses após realizar uma visita oficial ao Reino Unido.

O especialista fez um apelo por uma nova visão que inclua compaixão para acabar com as dificuldades que são desnecessárias. Segundo ele, “os resultados da experiência de austeridade são cristalinos”.

Pobreza

Alston disse que “há 14 milhões de pessoas vivendo na pobreza, níveis recordes de fome e falta de moradia, queda na expectativa de vida alguns grupos, cada vez menos serviços comunitários, e grande redução de policiamento.”

Ao mesmo tempo, o especialista aponta que “o acesso aos tribunais para grupos de baixa renda foi drasticamente reduzido pelos cortes à assistência legal.”

Para Alston,” a imposição da austeridade foi um projeto ideológico destinado a reformular radicalmente a relação entre o governo e os cidadãos.”  O especialista observou que “os padrões de bem-estar do Reino Unido desceram precipitadamente em um período de tempo extremamente curto, como resultado de escolhas políticas deliberadas feitas quando muitas outras opções estavam disponíveis”.

Assistência Social

A frase do governo ‘trabalho, não assistência social’, segundo o relator, transmite “uma mensagem de que indivíduos e famílias podem buscar caridade, mas que o Estado não mais fornecerá a rede básica de segurança social que todos os partidos políticos haviam se comprometido desde 1945″.

O especialista destaca que “é difícil imaginar uma receita melhor planejada para exacerbar a desigualdade e a pobreza e minar as perspectivas de vida de muitos milhões”. Para ele, em resposta “a essa calamidade social, o governo reforçou suas políticas.”

Alston acredita que “a resposta repetida infinitamente de que há mais pessoas empregadas do que nunca ignora fatos inconvenientes”.  Entre estes, o de que isso ocorre “em grande parte como resultado do corte nos gastos do governo em serviços, da previsão de que cerca de 40% das crianças estarão vivendo na pobreza daqui a dois anos, de que 16% das pessoas com mais de 65 anos vivem em pobreza relativa e de que milhões daqueles que estão no trabalho dependem de várias formas de caridade para sobreviver”.

Medidas

O relator reconheceu que o governo tomou medidas em várias das questões levantadas em seu relatório preliminar e elogiou “a adoção de uma medida uniforme de pobreza, para pesquisar sistematicamente a insegurança alimentar e para atrasar ainda mais a implementação do Crédito Universal.”

Segundo Alston, “esse programa será melhorado com planos de proporcionar mais tempo para pagar adiantamentos, reduzir os limites de pagamento da dívida e reduzir as penas extremas.”

Mas, o especialista acrescentou que “apesar de toda a conversa de que a austeridade acabou, o desinvestimento maciço na rede de segurança social continua inabalável”. Para Alston, “é difícil ver as mudanças recentes como mais do que uma fachada para minimizar as consequências políticas”.

Políticas

Ele disse que o Brexit é claramente uma questão de extrema preocupação para todos os lados, mas também se tornou uma distração trágica das políticas sociais e econômicas que formam uma Grã-Bretanha que seja difícil acreditar que qualquer partido político realmente queira.

Alston destacou que está “certamente não será a comunidade britânica mais orgulhosa, mais forte e autoconfiante que emerge a menos que seja dada atenção à crise da miséria e à insegurança crônica dos assalariados de baixa renda”.  O especialista acrescentou que “devido aos recursos significativos disponíveis no país, os cortes contínuos e generalizados no apoio social, que causaram tanta dor e miséria, equivalem a medidas retrógradas em clara violação das obrigações de direitos humanos do Reino Unido.”.

Vista da Rua da Piccadilly Circus, em Londres, capital da Inglaterra.

Vista da Rua da Piccadilly Circus, em Londres, capital da Inglaterra. Opulência da economia inglesa contrasta com os 14 milhões de pobres.

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