MP do Rio de Janeiro vê indícios de lavagem de dinheiro em imóveis do senador Flávio Bolsonaro

MP do Rio de Janeiro amplia investigação da família do presidente Jair Bolsonaro. Transações imobiliárias suspeitas e altamente lucrativas do então deputado fluminense envolvem 19 imóveis e podem ter servido para mascarar desvio de dinheiro público, afirmam promotores.

O Ministério Público (MP) do Rio de Janeiro apontou “sérios indícios de lavagem de dinheiro” em transações imobiliárias para embasar seu pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal do senador Flávio Bolsonaro e de mais 94 pessoas ou empresas ligadas a ele, informaram nesta quarta-feira (15/05/2019) os sites da Veja e da Folha de S. Paulo.

Segundo a Veja, com base no documento do MP que embasa o pedido de quebra de sigilo, entre 2010 e 2017, o então deputado estadual lucrou R$ 3,089 milhões em transações imobiliárias nas quais há “suspeitas de subfaturamento nas compras e superfaturamento nas vendas”. O valor supera os seus vencimentos como deputado.

As transações suspeitas envolvem 19 imóveis, entre salas e apartamentos, nos quais Flávio Bolsonaro investiu R$ 9,425 milhões. O MP afirmou que as transações podem simular ganhos fictícios para encobrir enriquecimento ilícito decorrente de desvios de recursos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Os promotores relacionam casos em que o filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro lucrou com a valorização excessiva de imóveis adquiridos por ele a preços abaixo de mercado.

Segundo a Folha, que teve acesso ao mesmo documento, Flávio Bolsonaro comprou dois imóveis em Copacabana por R$ 310 mil em novembro de 2012 e os revendeu, 15 meses depois, por mais do que o triplo desse valor.

Os donos anteriores dos imóveis os haviam adquirido em 2011 por R$ 440 mil e os revenderam por menos do que isso ao senador eleito em pleno boom imobiliário da cidade.

Alguns negócios suspeitos envolvem uma empresa com sede no Panamá, um conhecido paraíso fiscal, afirma o documento do MP.

A quebra dos sigilos faz parte das investigações que começaram depois de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), em desdobramento da Operação Lava Jato, ter indicado movimentações de dinheiro atípicas numa conta bancária de Fabrício Queiroz, um ex-assessor de Flávio Bolsonaro.

Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, segundo o Coaf. Ele também teve o sigilo bancário e fiscal levantado. Para o MP, há indícios de uma organização criminosa dedicada ao crime de peculato (desvio de dinheiro público) no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio.

Via Twitter, Flávio Bolsonaro disse que o sigilo bancário de suas contas já havia sido levantado “ilegalmente, sem autorização judicial”, e que informações detalhadas de suas contas bancárias haviam sido divulgadas. “Agora tentam uma manobra para esquentar informações ilícitas, que já possuem há vários meses.”

Ele afirmou que as informações sobre o seu patrimônio não são verdadeiras. “A verdade prevalecerá, pois nada fiz de errado e não conseguirão me usar para atingir o governo de Jair Bolsonaro”, escreveu no início desta semana.

*Com informações do Deutsche Welle.

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