Brasil vive momento ruim na economia por “falha de diagnóstico”, afirma especialista

Política econômica do Desgoverno Bolsonaro apresenta dados negativos. Dados divulgados na segunda-feira (20/05/2019) pelo Banco Central revelam que economistas do mercado financeiro elevaram a previsão de inflação para este ano, de 4,04% para 4,07%. Ao mesmo tempo, a estimativa de expansão da economia em 2019 foi reduzida. O recuou foi de 1,45% para 1,24%, o que levou o indicador à 12ª queda seguida.

Política econômica do Desgoverno Bolsonaro apresenta dados negativos. Dados divulgados na segunda-feira (20/05/2019) pelo Banco Central revelam que economistas do mercado financeiro elevaram a previsão de inflação para este ano, de 4,04% para 4,07%. Ao mesmo tempo, a estimativa de expansão da economia em 2019 foi reduzida. O recuou foi de 1,45% para 1,24%, o que levou o indicador à 12ª queda seguida.

O cenário econômico do Brasil dá sinais de enfraquecimento e essa situação tem ligação direta com o momento político enfrentado pelo País. A avaliação é do vice-presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Antônio Corrêa de Lacerda. De acordo com ele, o bate cabeça entre membros do governo – que acontece dentro e fora do Congresso Nacional – agrava as incertezas sobre o crescimento da economia nacional, o que tende a “afastar os investimentos e a chamada confiança”.

Lacerda, no entanto, alerta para outros possíveis motivos que impedem o avanço do País no setor econômico, como por exemplo, o que ele chama de “falha de diagnóstico”. “Na verdade, esse é um governo que assumiu com uma postura ultraliberal, que acreditou muito que as forças do mercado, por si só, pudessem elevar o crescimento da economia. Mas isso não ocorre em nenhum país do mundo, nem na nossa experiência própria”, explica.

A crítica do economista é, principalmente, sobre a falta de planos e medidas concretas para fomentar o crescimento do Brasil. “Que medidas são essas? Medidas de política industrial, medidas ligadas ao crédito e financiamento. Por exemplo: nessa área de crédito e financiamento, o Brasil está com seu menor nível de taxa básica de juros, que é a Selic. Mas o juro ao tomador final é muito mais elevado”, afirma.

Lacerda também lembra que a crise econômica afeta todas as classes sociais, inclusive as pessoas que possuem um melhor poder aquisitivo. “Além disso, o nível de desemprego muito elevado, a renda das famílias atrofiadas pelo aumento de custo de vida, não apenas a inflação básica, mas o plano de saúde, mensalidade escolar, taxa de condomínio, tudo isso que pega mais da classe média para cima, que tem aquele maior poder de compra”.

Números do Brasil

Dados divulgados na última segunda-feira pelo Banco Central revelam que economistas do mercado financeiro elevaram a previsão de inflação para este ano de 4,04% para 4,07%. Ao mesmo tempo, a estimativa de expansão da economia em 2019 foi reduzida. O recuou foi de 1,45% para 1,24%, o que levou o indicador à 12ª queda consecutiva.

No final de março, o cenário projetado era melhor: o Banco Central havia estimado um crescimento de 2% para a economia brasileira em 2019, enquanto e o Ministério da Economia projetou uma expansão de 2,2%. Já para o ano que vem, a expectativa era que o crescimento da economia permanecesse em 2,50%.

Setor da Indústria

O momento de incertezas econômicas no Brasil se refletiu não apenas na vida do cidadão comum, como também no setor da industrial do Brasil. Essa insegurança foi percebida com a divulgação do Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), que teve um recuo de 1,9 ponto em maio e atingiu 56,5 pontos. Essa é a quarta queda consecutiva registrada do índice.

O economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Marcelo Azevedo, afirma que “apesar das quedas recentes, a confiança continua elevada, acima dos 50 pontos, inclusive acima da média histórica do índice”. Mesmo assim, Azevedo lembra que os empresários estão percebendo mais dificuldades neste início de ano, do que acreditavam que perceberiam no final do ano passado.

Esse quadro poderia ser revertido, segundo o economista, caso projetos importantes em tramitação no Congresso Nacional fossem aprovados. “O andamento da reforma da Previdência certamente seria muito importante para uma recuperação da confiança”, afirma.

“Isso poderia sinalizar o andamento de outras reformas ainda mais importantes, que teriam um efeito até mais imediato na atividade econômica, em especial na atividade industrial, como a reforma Tributária, por exemplo”, conclui o economista.

Cenário internacional

Entender o panorama econômico brasileiro não se limita às fronteiras do Brasil. A guerra comercial entre Estados Unidos e China, por exemplo, tem rendido novos capítulos e se agravado ainda mais. Enquanto o presidente americano, Donald Trump, elevou as tarifas sobre US$ 200 bilhões em importações chinesas de 10% para 25%, Pequim respondeu que reagiria elevando as taxas sobre US$ 60 bilhões em produtos norte-americanos.

Para o vice-presidente do Conselho Federal de Economia (Confecon), Antônio Corrêa de Lacerda, esse impasse entre as duas nações pode afetar os planos brasileiros de expandir a economia. O que, inicialmente, parece bom para o Brasil, pode ser revertido em dificuldades de transações no mercado internacional posteriormente.

“No curto prazo, o Brasil tem sido beneficiado com essa disputa, porque isso tem aberto espaço para vendas dos produtores brasileiros para outros mercados em função do litígio entre as duas potências. No médio e longo prazo, no entanto, o acirramento dos conflitos tende a diminuir o volume do comércio global em atividade, o que prejudica a todos os países, inclusive o Brasil”, explica o economista.

A turbulência econômica na Argentina é outro ponto que atinge o desempenho do Brasil, na visão de Lacerda. Sem alcançar sucesso nos planos, o país governado por Mauricio Macri tem se enrolado, cada vez mais, em uma grave crise político-financeira, que tem como consequência a desvalorização da moeda local.

“A crise argentina significa uma menor capacidade de nossas exportações. Então, isso também dificulta a nossa atividade. Mas é bom sempre lembrar que 90% do nosso crescimento vêm do mercado doméstico. É por isso que deveriam ser intensificadas as ações para reduzir o desemprego e garantir a renda, para favorecer a produção, os investimentos produtivos”, finaliza.

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