A voz das ruas | Por Luiz Holanda

Ato na Avenida Paulista em apoio ao Governo Bolsonaro, ocorrido neste domingo (26/05/2019).

Ato na Avenida Paulista em apoio ao Governo Bolsonaro.

Depois de décadas de silencio diante da criminalidade como um modo de ser de nossa a administração pública, o povo começa a esboçar uma reação contra esse estado de coisa, principalmente contra a impunidade existente em todos os órgãos e poderes da nação. A tática é o cerceamento da liberdade de manifestação e de expressão, além de impedir a imprensa de uma atuação livre e independente.

Surpreendidas pela espontaneidade do movimento popular de apoio às reformas, a chamada esquerda decadente e os petistas que gravitam em torno do projeto “Lula Livre”, sequer tiveram a ousadia de enfrentar o povo durante as manifestações do último domingo, pois nenhum político oportunista ousou assumir essa tarefa. E o pior é que a reação popular inaugurada no domingo começa a dar sinais que pode continuar.

As vaias recebidas pelo deputado Rodrigo Maia e pelo pessoal do Centrão demonstraram que eles não enganam mais ninguém. O significado dessas manifestações, mutatis mutantis, é a mesma que se verifica na interpretação do quadro do norueguês Edvard Munch, em “O Grito”-, ou seja, a angústia e a dor da população diante de tanta corrupção, impunidade, nepotismo, autoritarismo, fome e miséria. O grito das ruas nada mais foi ou será senão a ressurreição da cidadania perdida durante anos de silêncio.

Carregadas de simbolismo e apoiada por grupos e movimentos sociais comprometidos com a causa dos excluídos, essas manifestações começam a dar sinais de que o povo não aceita mais, pacificamente, esse modelo econômico que causa o desemprego, fome, miséria e a falta de esperança de milhões de brasileiros. E os poucos que tentaram tumultuar as manifestações representam a esquerda sem emprego, desocupada, corrupta, exploradora e anarquista, sempre disposta a transformar uma manifestação pacífica em violenta. A marca registrada dessas manifestações de domingo passado sua realização pacífica e as frases constantes dos cartazes atacando os políticos de todos os partidos e o próprio Judiciário (leia-se o Supremo Tribunal Federal).

Aliás, a velha política imagina que, apesar das manifestações, nada vai acontecer. Pode até ser que, realmente, nada aconteça, mas, pelo andar da procissão, tudo pode acontecer. Os militares estão apenas observando a reação do povo para uma tomada de posição. Nossa Constituição não diz que para haver uma intervenção militar no país o povo precisa ir às ruas pedi-la. Se os militares resolverem tomar o poder, não haverá ninguém capaz de impedir que isso aconteça.

Se um golpe ocorrer, podem ter certeza que nem Deus o deterá. Do mesmo modo, se qualquer magistrado se insurgir, o poder da força será total e dominante.

É bem provável que uma intervenção não tenha ainda ocorrido por estratégia política dos próprios militares. Além disso, eles, hoje, são outros. Cursaram universidades de alto nível, estudando armas, táticas e conflitos no tempo e no espaço que os anteriores jamais o fizeram. Estamos interligados eletronicamente por toda parte e a criptografia atingiu níveis absurdos. O sistema de informação de hoje favorece os militares.

É bem possível que se nada for feito e o judiciário não fizer o seu trabalho de forma a impedir a impunidade que crassa no país, pode haver uma intervenção militar com apoio do povo e da própria Constituição. Se quiserem evitar isso, basta apenas ouvir a voz que vem das ruas. Ela está simplesmente dizendo o que a nação está sentindo. Quem viver, verá.

*Luiz Holanda é advogado e professor universitário.

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Perfil do Autor

Luiz Holanda
Luiz Holanda é advogado e professor universitário, possui especialização em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (SP); Comércio Exterior pela Faculdades Metropolitanas Unidas de São Paulo; Direito Comercial pela Universidade Católica de São Paulo; Comunicações Verbais pelo Instituto Melantonio de São Paulo; é professor de Direito Constitucional, Ciências Políticas, Direitos Humanos e Ética na Faculdade de Direito da UCSAL na Bahia; e é Conselheiro do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/BA. Atuou como advogado dos Banco Safra E Econômico, presidiu a Transur, foi diretor comercial da Limpurb, superintendente da LBA na Bahia, superintendente parlamentar da Assembleia Legislativa da Bahia, e diretor administrativo da Sudic Bahia. E-mail para contato: [email protected]