Reparação por danos históricos causados pelos Europeus aos países latino-americanos | Por Clóvis Roberto Zimmermann

Andrés Manuel López Obrador (AMLO), presidente do México.

Andrés Manuel López Obrador (AMLO), presidente do México.

O presidente do México Andres Manuel López Obrador enviou recentemente uma carta ao rei Felipe VI da Espanha solicitando que peça desculpas pelos abusos que teriam sido cometidos durante a conquista espanhola. México não solicitou nenhuma reparação econômica, mas apenas um pedido de desculpas formal. Penso que mais do que solicitar desculpas, os países da América Latina deveriam em bloco solicitar reparação econômica em virtude dos danos sofridos com o processo de colonização de países europeus.

Anibal Quijano, sociólogo peruano, falecido no ano passado, tem feito uma série de análises sobre a exploração da América Latina pelos invasores europeus. Interessante em sua tese é de que a Europa somente teve a possibilidade se desenvolver em virtude do controle colonial da América Latina, especialmente do trabalho gratuito de “negros” e de “índios”, produzindo minerais e vegetais preciosos. Isso tudo permitiu aos colonizadores não só começar a ter uma posição importante no mercado mundial, mas sobretudo a concentração de benefícios comerciais, e junto com eles também concentrar em seus próprios países o assalariamento ou mercantilização da força de trabalho local.

Além de todo trabalho gratuito de “negros” e de “índios”, produzindo minerais e vegetais preciosos, estima Anibal Quijano de que o extermínio físico, em pouco mais de três décadas, de mais da metade da população dessas sociedades, cujo total imediatamente antes de sua destruição é estimado em mais de 100 milhões de pessoas. Também teria ocorrido a eliminação deliberada de muitos dos mais importantes líderes daquelas experiências, seus dirigentes, seus intelectuais, seus engenheiros, seus cientistas, seus artistas. Ademais, ocorreu a continuada repressão material e subjetiva dos sobreviventes, durante os séculos seguintes, até submetê-los à condição de camponeses iletrados, explorados e culturalmente colonizados e dependentes.

Em virtude disso e de outras atrocidades cometidas pelos conquistadores europeus, penso que a América Latina deveria se unir para solicitar muito mais do que desculpas, mas deveriam em bloco solicitar reparação econômica em virtude dos danos sofridos com o processo de colonização de países europeus.

*Clóvis Roberto Zimmermann, Doutor em Sociologia pela Universidade de Heidelberg, Alemanha e Professor Adjunto de Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). E-mail: [email protected]

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Perfil do Autor

Clóvis Roberto Zimmermann
O pesquisador Clóvis Roberto Zimmermann é doutor em Sociologia pela Universidade Heidelberg (Ruprecht-Karls) (2004), possui graduação em Teologia pela Universidade de Heidelberg (Ruprecht-Karls) (1996); é professor adjunto do curso de Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), coordenador da pós-graduação em Ciências Sociais da UFBA e é professor do programa de doutorado em Sociologia da UFBA; tem experiência na área de Sociologia, com ênfase em Políticas Sociais, atuando, principalmente, nos seguintes temas: teoria das políticas sociais, participação popular e direitos humanos. *E-mail: [email protected]