Jornalista Domingos Meirelles apresenta manifesto defendendo reeleição à presidência da ABI Nacional

Domingos Meirelles, jornalista, presidente da ABI Nacional.

Jornalista Domingos Meirelles, presidente da ABI Nacional, apresenta carta aos associados em que revela síntese da atuação profissional, conquistas na direção da entidade e projetos para o futuro.

O jornalista Domingos Meirelles emitiu carta aos membros da Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional) em que apresenta síntese da trajetória profissional iniciada em 1967, situação fiscal e econômica ao assumir direção da entidade em 2014, conquistas obtidas no período e justificativa para dar continuidade ao projeto de modernização da instituição através da eleição que ocorre nesta sexta-feira (26/04/2019).

Confira ‘Carta aos associados’

Prezados amigos,

Escrevo esta carta não como presidente da ABI, candidato à reeleição nas eleições que se avizinham, mas como um profissional veterano que conhece de perto os problemas que abastardaram o nosso ofício. Há 52 anos presto serviços voluntários à entidade. Hoje, estou presidente, mas ao longo da minha carreira exerci um longo trabalho de doação à ABI, em diferentes áreas de comando da instituição.

Entrei na Casa do Jornalista pela primeira vez em 1967. Era ainda um noviço, com dois anos de profissão, trabalhava como repórter da velha Última Hora do Rio de Janeiro. Ao me aproximar da secretaria para preencher a ficha de filiação, fiquei extasiado diante do comportamento dos colegas mais experientes que povoavam o sétimo andar. Estavam todos discutindo política. Apesar de defenderem posições ideológicas opostas, conversavam civilizadamente, como velhos companheiros de redação. Jamais esquecí aquela harmoniosa lição de convivência. Tomei aquele episódio como referência pelo resto da vida, nunca mais me afastei da ABI. Naquele episódio, estavam os fundamentos da trajetória que até hoje preservo e me norteia como velho repórter.

As eleições na Associação Brasileira de Imprensa sempre foram muito afogueadas, grupos antagônicos se batiam para provar que tinham sempre algo a mais a oferecer à ABI – mais trabalho, mais talento, mais prestígio, mais amor pela Casa do Jornalista. As disputas eram acaloradas, mas a régua, o esquadro e compasso da ética estabeleciam os limites do comportamento daqueles que disputavam o comando da ABI. Brigava-se para conduzir a patamares cada vez mais elevados os postulados de seu principal idealizador, Gustavo de Lacerda. Apesar do talhe intelectual de militante anarquista confesso, ele dizia no começo do século XX que a ABI deveria ser um campo neutro que abrigasse todas as correntes de pensamento dos trabalhadores da imprensa.

Não podemos ignorar a grandeza desse ensinamento de um dos fundadores da entidade. A ABI é acima de tudo uma Casa de acolhimento, talvez um dos principais motivos que inspiraram a sua criação em 1908. Tenho sido uma testemunha privilegiada da perda de expressão política e social dos jornalistas, nos últimos 50 anos. Acompanho de perto o processo de amesquinhamento que a profissão sofreu com o advento das novas tecnologias digitais.

A ABI está em contato com a Associação dos Jornalistas da China para tentar firmar um acordo que possibilite requalificar os profissionais expelidos do mercado de trabalho diante das mudanças ocorridas no universo da comunicação. As inovações tecnológicas produziram impactos irreversíveis entre nós, além de criarem uma multidão silenciosa de jornalistas que aumenta a cada dia, e vai aos poucos tomando-se cada vez mais invisível e esquecida.

A proletarização da nossa categoria profissional é uma tragédia que não pode ser tratada com deboche, ou piadinhas de mau gosto, como faz a chapa ABI: Luta pela Democracia. Acusar a instituição de assistencialismo e clientelismo por distribuir cestas básicas a jornalistas que estão no limiar da miséria é, ao mesmo tempo, uma demonstração de insensibilidade e falta de solidariedade humana. Não se pode também fazer chacota com a distribuição de Cestas de Natal, que promovemos em nome da LBV, aos associados mais carentes. Se os nossos oponentes desfrutam de mesas fartas, nesta época do ano, devem saber que esta não é a realidade da maioria da categoria, principalmente dos associados mais antigos, que sobrevivem com uma aposentadoria infamante. O linguajar chulo, o escárnio e a ironia realçam o quanto nossos detratores estão distantes das dificuldades que flagelam boa parte do corpo social da ABI e a própria sociedade brasileira.

Denigrem um trabalho que jamais se dispuseram a realizar, mesmo estando investidos de mandato na Casa, a exemplo daquele que lidera a chapa, inspirador das chacotas em relação a questões que deveriam ser tratadas com respeito. Não é por acaso que ele desconhece os graves problemas que devastam nosso corpo social. Isso é apenas o resultado da sua rala taxa de doação, em relação à rotina diária da instituição, porque sempre foi um eterno ausente.

Criticar de forma deselegante a ABI por ter firmado uma parceria com uma cooperativa de crédito para obtenção de serviços bancários para os associados, a taxas abaixo do mercado, revela também o quanto estão desconectados do mundo real. Não há como mensurar tamanha demonstração de frieza e insensatez diante do outro. São os mesmos que sempre se manifestam contrários à ampliação de iniciativas na área de assistência social. São contra a expansão dos convênios com laboratórios e clínicas especializadas por entenderem que “a ABI não é o SUS”, o que realça ainda mais seu desconhecimento sobre a situação dramática em que vive o nosso quadro social.

Mudam as tecnologias, mas o caráter do profissional de imprensa não deveria sofrer os insultos do tempo, nem se deixar conduzir pelos ventos do oportunismo e da vaidade pessoal. Essas pessoas que em palanque lançam impropérios contra a ABI deveriam apresentar seus currículos profissionais, e mostrar a folha de serviços prestados à Casa do Jornalista.

Os eleitores da ABI deveriam exigir que os candidatos exibissem a lista de suas realizações – esta é a melhor forma de saber quem fez o quê. Assim, se poderia saber previamente o que cada poderá (ou não) ser capaz de realizar. Não precisamos nem ir tão longe: o mau jornalismo já deveria ser ponto imediato de exclusão. Ao se referirem “ao gravíssimo problema da dívida de R$ 12 milhões enfrentado pela ABI, há mais de 10 anos”, atribuem essa responsabilidade ao presidente da instituição. De duas, uma: são jornalistas mal informados, o que é gravíssimo, ou estão agindo de má-fé, o que é inaceitável neste ofício que tem entre seus mandamentos o sagrado compromisso com a verdade.

Omitem propositalmente os fatos – o titular da chapa de oposição, ABI: Luta pela Democracia, como vice-presidente da entidade, sabe exatamente o que aconteceu. Essa dívida foi criada pela perda do título de entidade pública em 2002. Ao longo dos últimos 17 anos, gestão após gestão, tentou-se inutilmente reverter este quadro. O prédio da ABI estava ameaçado de ir a leilão! Queiram ou não, gostem ou não, mas quem conseguiu reverter essa grave situação foi aquele a quem lançam agora ofensas e infâmias. Como se fosse possível apequenar minhas inúmeras intervenções na instituição, ao longo de 52 anos. Querem tomar de assalto o comando da Casa e impor suas idéias de forma hegemônica em uma entidade que sempre acolheu generosamente todas as correntes de pensamento.

Entre as muitas missões, como presidente da entidade, a de maior relevância foi cumprida, o resgate da filantropia e a extinção da dívida milionária com o Imposto de Renda, além de isentar a instituição de tributos futuros. Nossos próximos compromissos com o corpo social mais carente é contribuir para que envelheçam com dignidade e deixem de ser reféns da miséria. Desenvolvemos um amplo programa destinado à qualificação dos jovens associados a fim de que enfrentem o desafio dos novos tempos da profissão.

A ABI não pode ser transformada em partido político, como ambicionam nossos detratores. Ela é uma instituição centenária, a mais longeva guardiã dos direitos do homem, sempre empenhada na defesa das liberdades e da democracia. Nossos compromissos com o jornalismo e a sociedade brasileira transcendem os limites de qualquer agremiação de cunho ideológico.

A ABI não pode ser submetida a grupos, facções ou tendências que se formam e se dissolvem ao sabor dos interesses de ocasião. A ABI pertence ao País e às gerações de profissionais que foram responsáveis pela construção e consolidação da sua imagem, ao longo dos seus 111 anos de existência. A Casa do Jornalista não pode ser colocada à serviço de uma legião de devotos enevoados pelas paixões do momento. A instituição, o seu passado e a sua história, não podem ser capturados e submetidos a uma só orientação política, como se fosse propriedade de um único dono. A ABI é uma entidade plural, acolhedora, que sempre abrigou generosamente jornalistas das mais variadas correntes de pensamento, sem exigir atestado de ideologia.

A ABI é maior que a soma de todos nós.

Cordialmente,

Domingos Meirelles, presidente da ABI

Rio de Janeiro, 16 de abril de 2019.

Componentes da Chapa 1 ‘ABI Para Todos’

A Chapa 1,  ‘ABI Para Todos’, que concorre nessa sexta-feira à eleição, tem a seguinte composição:

Diretoria Executiva

Domingos Meirelles (Presidente), Nacif Elias (Vice-presidente), Ana Maria Costabile (Diretoria Financeira), Orli Rodrigues (Diretoria de Assistência Social), Eraldo Leite (Diretoria de Jornalismo), Felipe Pena (Diretoria Cultural) e Lindolfo Machado (Diretoria Administrativa).

Conselho Consultivo 

Flávio Tavares, Fernando Foch, Cícero Sandroni, Mauro Ivan Pereira de Mello, Aziz Ahmed, Clóvis Rossi e Claudia Santiago;

Conselho Fiscal

Paulo Roberto Gravina, Amicucci Galo, Mauricio Max, João Bosco Serra e Gurgel, Itamar Guerreiro, Rafael Ventura e Albino Castro.

Efetivos do Conselho Deliberativo

Raul Silvestri, Elio Maccaferri, Luís Carlos Azêdo, Fábio Costa Pinto, Múcio Aguiar, Jesus Antunes, Paulo Cesar Pereira, Ronaldo David Aguinaga, Silvestre Gorgulho, Joseti Marques, Cláudio José Correia Alves, Luiz Carlos Taveira, Eugenio Ferraz, Sergio Redó e Jorge Saldanha;

Suplentes do Conselho Deliberativo

Severino Ramos Pereira da Silva, Paulo Cesar da Mota Jordão, Allan de Abreu, Claudio da Silva Nogueira, Carlos Augusto Oliveira da Silva, Jorge Oliveira da Silva, José Antonio Borges, Paulo Roberto Passos Amancio, Marta Rocha do Nascimento, André Luis Soares Cruz, Ilmar Franco da Silva,Edson Vinhas da Silva, Reinaldo Cunha e Fernando Elias Freitas.

Publicidade

Compartilhe e Comente

Redes sociais do JGB

Publicidade

Faça uma doação ao JGB

Perfil do Autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).