Instituições públicas de ensino superior da Bahia se unem pela melhoria da educação básica

Secretário estadual da Educação Jerônimo Rodrigues em reunião com os Reitores na UFBA.

Secretário estadual da Educação Jerônimo Rodrigues em reunião com os Reitores na UFBA.

A formação de uma rede de cooperação entre as instituições públicas de ensino superior baianas, com o objetivo de apoiar e fortalecer o projeto político-pedagógico para a educação básica no estado, foi um “grande passo para delinear medidas e ações que elevarão a Bahia ao protagonismo que ela merece no cenário nacional”. A afirmação é do reitor da UFBA, João Carlos Salles, que nesta semana recebeu, na Reitoria, a visita do secretário estadual de educação, Jerônimo Rodrigues, e de reitores e representantes das seis universidades federais, quatro universidades estaduais e 12 institutos federais tecnológicos baianos.

Diante dos últimos dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), referentes ao fluxo escolar e às médias de desempenho nas avaliações dos estudantes, que revelaram que a ocupa a Bahia a última posição entre os estados brasileiros, o secretário Jerônimo Rodrigues manifestou sua preocupação e solicitou a parceria das várias instituições presentes no encontro, que aconteceu na terça-feira, 09 de abril de 2019. Rodrigues afirmou que “é preciso construir um projeto político pedagógico, a partir das experiências educacionais acumuladas em cada uma das instituições reunidas e que contemple aspectos específicos do desenvolvimento no estado, não se limitando apenas a um projeto de governo”.

De acordo com o secretário de educação, “será necessário abrir o diálogo para interlocutores de vários segmentos, a fim de erigir os pilares que nortearão a educação básica na Bahia, cujo sistema, atualmente, conta com cerca de 1,2 mil escolas mais 700 anexos”. A parceria com as universidades será fundamental para elaborar procedimentos de avaliação da educação básica, disse ele, enfatizando aspectos como a análise e o diagnóstico, principalmente, de como estão os estudantes. “E isso, possibilitará uma antecipação para a Prova Brasil, que será aplicada no mês de outubro”, completou.

Apesar de haver muitos desafios pedagógicos, o assessor especial da Secretaria de Educação, Marcius Gomes, ressaltou a importância da elaboração de propostas para vencer os obstáculos do ensino-aprendizagem, como, por exemplo, a realização de Olimpíadas (de matemática, física, biologia e etc) e Prêmios (Paulo Freire e Anísio Teixeira). Gomes ressaltou que, junto com os incentivos, também será preciso que o projeto de ensino esteja afinado com a dinâmica do sistema educacional do estado, respeitando suas especificidades regionais e aspectos para além da educação como ciência e tecnologia, desenvolvimento e agricultura familiar.

A formação de professores a partir de um outro paradigma de educação, voltada para a rede pública, foi enfatizada pela superintende de políticas básicas da Secretaria de Educação (SEC), Manuelita Brito. Nesse aspecto, “a contribuição das universidades será muito importante, pois é de lá que saem os profissionais licenciados”. O atual assessor da SEC e ex-reitor da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), Paulo Gabriel Nacif, chamou atenção para o desafio de “manter uma educação pública de qualidade em todo o território baiano e colocá-la em outro patamar”, e seu chamado foi consenso entre os demais reitores e seus representantes.

Manifestações de apoio

O diretor da Faculdade de Educação da UFBA (Faced), Cleverson Suzart, salientou o compromisso da unidade da UFBA nessa rede de colaboração. Ele ressaltou a perspectiva de uma educação emancipatória e uma nova arquitetura escolar. Do ponto de vista da carreira dos docentes, Suzart colocou a educação continuada como prioridade, além de planos de carreiras estabelecidos pela rede educacional. Para Suzart, também é preciso que os projetos “aproximem a universidade das escolas e comunidades locais”.

A inserção nos respectivos contextos sociais e geográficos, foi defendida pela reitora da Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufob), Iracema Veloso.  De acordo com ela, a universidade do Oeste recebe 77,5% de estudantes das escolas públicas e tem um alto nível de reprovação em disciplinas de cálculos e língua portuguesa, então a instituição passou a manter um núcleo comum para trabalhar oficinas de redação, pois “como universidade pública não é possível se eximir de tal responsabilidade”, admitiu Veloso.  E o reitor da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), Luiz Otávio de Magalhães, acrescentou que “não temos o direito de virar as costas para regiões nas quais estamos inseridos”.

E quando não for possível atender às adjacências, os reitores lembraram das potencialidades proporcionadas pela educação a distância e que devem ser exploradas pelas universidades, em meio à grande extensão territorial do Estado da Bahia. Nesse sentido, o reitor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), Evandro do Nascimento Silva, lembrou da efetivação de políticas públicas para a educação básica que “fomentem a capilaridade no território baiano a fim de também, mover atores não-acadêmicos, ligados à educação”.

A reitora da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Adélia Pinheiro, que será a nova secretária estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), colocou que “é preciso entender que educação de qualidade se inicia no berço e é construída durante toda a vida com atenção especial para a educação básica”.  Dessa importância, surge “a forte relação com a formação universitária, pensando um currículo com identidade com a escola e atenção diferenciada para a inclusão e acesso”, defendida pela diretora do Campus Malês da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), Míriam Reis.

*Com informações da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

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