Vítimas de homicídio em Suzano são sepultadas sob aplausos e chuva; Governador de São Paulo diz que indenizações podem chegar a R$ 100 mil por família

Funeral das vítimas da Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, São Paulo, em 14 de março de 2019.

Funeral das vítimas da Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, São Paulo.

Um a um, sob aplausos, os caixões com os corpos das vítimas do ataque à Escola Estadual Raul Brasil deixaram, na tarde desta quinta-feira (14/03/2019), a Arena Suzano, no Parque Municipal Max Feffer, e chegaram ao Cemitério São Sebastião, em Suzano, região metropolitana de São Paulo. Além de parentes e amigos, a população de Suzano compareceu em peso para prestar as últimas homenagens às vítimas da tragédia.

Ontem (13) de manhã dois atiradores invadiram a escola e atacaram alunos e professores a tiros e golpes de machadinha. Oito pessoas morreram, incluindo o tio de um dos atiradores, atingido antes do ataque à escola, e 11 ficaram feridas. Os dois atiradores também morreram.

A capela ficou pequena para a multidão que acompanhou os cortejos – Daniel Mello/Agência Brasil
No cemitério, a capela ficou pequena para a multidão que acompanhou cada um dos cinco sepultamentos realizados ao logo da tarde, sob chuva fina. Nos corredores entre os túmulos, foram espalhadas as coroas de flores que enfeitaram o velório, enviadas por empresas, sindicatos, parentes e amigos. Uma demonstração de que o crime atingiu a cidade como um todo.

Na hora de descer os caixões, mais aplausos. O grande número de jovens e adolescentes que acompanharam os enterros denunciava a pouca idade dos estudantes mortos. Quatro deles tinham entre 15 e 17 anos – os estudantes Caio Oliveira (15), Claiton Antonio Ribeiro (17), Kaio Lucas Costa Limeira (15) e Samuel Melquiades (16). A mais velha era a professora Eliana Regina de Oliveira Xavier, de 38 anos.

Apesar de ter sido velado junto com os demais, o corpo da coordenadora pedagógica Marilena Ferreira Umezo, de 59 anos, será enterrada somente amanhã (14), porque a família aguarda a chegada de um filho que está no exterior.

Por motivos religiosos, o velório do estudante Douglas Murilo Celestino, foi velado em uma igreja da Assembleia de Deus frequentada pela família.

Jorge Antonio de Moraes, de 51 anos, dono de uma locadora de carros e tio de um dos atiradores, também teve velório e sepultamento em cerimônia separada.

Mais segurança

De manhã, ao receber o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, e o secretário estadual da Educação, Rossieli Soares, o prefeito de Suzano, Rodrigo Ashiuchi, propôs medidas de segurança, como a atuação de policiais militares da reserva nos setores administrativo das escolas estaduais.

Por volta das 11h, foi celebrada missa e, às 14h, houve ato ecumênico em memória da coordenadora Marilena Ferreira Vieiras Umezo, da professora Eliane Regina Oliveira Xavier e dos estudantes Kaio Lucas da Costa Limeira, Claiton Antonio Ribeiro, Samuel Melquiades Silva de Oliveira e Caio Oliveira.

Cerca de 50 profissionais da rede municipal de saúde prestaram atendimento no local do velório, entre médicos psiquiatras e clínicos gerais, psicólogos, terapeutas ocupacionais, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e assistentes sociais.

A prefeitura informou que, no fim da tarde de hoje, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, em conjunto com o Conselho Tutelar, acompanhou e realizou atendimento técnico aos alunos menores de idade, que prestaram os primeiros depoimentos na Delegacia de Polícia Central de Suzano para o inquérito policial que investiga o caso.

Videoconferência

Para esta sexta-feira (15), está prevista a realização, pela Secretaria Municipal de Educação, de uma videoconferência com toda a equipe escolar para definir as ações que serão tomadas com os 26 mil alunos das escolas públicas municipais, a partir da próxima segunda-feira (18), com objetivo de conscientizar e combater a violência e o assédio moral, além de estabelecer uma cultura de paz.

Governador de São Paulo quer acelerar pagamentos aos parentes das vítimas

O governo paulista criou um comitê executivo para viabilizar o pagamento de indenização aos familiares das vítimas do atentado ocorrido na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo. O governador do estado, João Doria, disse que o valor da indenização será definido pela Procuradoria-Geral de São Paulo e deve ser de aproximadamente R$ 100 mil para cada familia.

Segundo Doria, a indenização deve ser paga em até 30 dias. “Até 15 de abril o pagamento será feito às famílias dos cinco jovens e das duas auxiliares de ensino da Escola Raul Brasil, em Suzano.”

O governador de São Paulo, João Doria, durante entrevista coletiva – Valter Campanato/Agência Brasil
O comitê executivo será formado por integrantes da Procuradoria-Geral do Estado, as secretarias da Educação, Segurança Pública e Assistência Social, além de membros da Defensoria Pública.

Explicações

O governador João Doria disse, por meio de nota, que a medida não tem como propósito “compensar as vidas perdidas”, mas para que as famílias não enfrentem “burocracia e processos lentos para terem acesso aos recursos”.

O comitê será oficializado por um decreto, a ser publicado amanhã (15), no Diário Oficial. O texto prevê que o grupo determine, no prazo máximo de 30 dias, os valores que serão pagos pelo governo estadual aos familiares das vítimas.

Serão indenizadas as famílias dos cinco alunos e duas funcionárias mortos dentro da escola, por ser um ambiente público, de responsabilidade da Secretaria de Educação.

O governador ressaltou que essa indenização não será condicionada, ou seja, a família vai recebê-la sem precisar assinar um documento abrindo mão de abrir processo contra o estado mais tarde.

Família, amigos e estudantes participam do funeral coletivo das vítimas mortas em um tiroteio na Escola Raul Brasil em Suzano (SP) – Reuters/Ueslei Marcelino/Direitos reservados

“O governador São Paulo tomou a decisão independentemente de qualquer recurso judicial, de qualquer nível de pressão. É uma decisão que tomamos. Amanhã (15) ela será publicada no Diário Oficial”, disse o governador, acrescentando que “cada família poderá tomar sua decisão. Se ele preferir demandar judicialmente o estado, ele está dentro dos seus direitos”.

*Com informações da Agência Brasil.

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