Um ano sem Marielle: mataram uma voz, levantaram milhares | Por Fabíola Mansur

Marielle Francisco da Silva (Marielle Franco) era vereadora do Município do Rio de Janeiro pelo PSOL e presidente da Comissão da Mulher da Câmara Municipal. No dia 14 março de 2018, ela foi assassinada em um atentado ao carro onde estava, 13 tiros atingiram o veículo, matando, também, o motorista Anderson Pedro Gomes.

Marielle Francisco da Silva (Marielle Franco) era vereadora do Município do Rio de Janeiro pelo PSOL e presidente da Comissão da Mulher da Câmara Municipal. No dia 14 março de 2018, ela foi assassinada em um atentado ao carro onde estava, 13 tiros atingiram o veículo, matando, também, o motorista Anderson Pedro Gomes.

Hoje, 14 de março de 2019, é uma data que infelizmente ficará eternizada. Quinta-feira (14) faz exatamente um ano do assassinato de Marielle Franco, executada covardemente com 13 tiros no Rio de Janeiro, juntamente com seu motorista Anderson Pedro Gomes. Uma execução evidentemente premeditada com o objetivo de calar uma poderosa voz, a voz de uma mulher. Uma mulher feminista, negra, lésbica, política, humana, tudo o que o universo machista tenta destruir. Quiseram silenciar essa voz, mas o efeito foi contrário, pois fizeram surgir milhares Marielles que transformaram o luto em luta, dando seguimento a suas bandeiras, as quais nós mulheres da Assembleia Legislativa da Bahia também defendemos e levamos adiante.

Dois ex-militares foram presos acusados de executarem a morte de Marielle e Anderson, mas até o ato de apertar o gatilho ainda tem muita coisa pelo meio. Essas prisões são importantes, mas ainda estamos há um ano sem as principais respostas.

Quem mandou matar Marielle e por quê? Essa não é uma pergunta simples de se responder, mas uma coisa podemos afirmar: tenho plena convicção que o fato de Marielle ser uma mulher moradora de favela, lésbica e negra contribuiu para que ela fosse considerada pelos assassinos como um alvo com menos custos, que seria mais uma para as estatísticas. Também acredito que muitos homens políticos que hoje circulam no alto poder brasileiro deveriam ter muita raiva daquela mulher que peitava a todos que desrespeitavam os nossos direitos humanos. Para muitos poderosos, era muita audácia para uma lésbica favelada.

Também não aceitamos argumentos de crime de ódio. Essa foi uma morte política. Os detalhes técnicos apontam se tratar de profissionais de morte, ligados a um escritório do crime. Estamos nos deparando com um emaranhado de ligações entre policiais, milícia e políticos.

Embora preparados, os autores do crime certamente não calcularam o tamanho da repercussão. Não calcularam inclusive que o sepultamento do corpo de Marielle seria o nascimento de uma onda que mostrou para o mundo o tamanho da força que nós mulheres feministas possuímos quando nos manifestamos e defendemos nossos direitos.

Marielle se dedicou muito por uma luta que estamos travando hoje aqui na Bahia, que é a ampliação dos espaço de poder para as mulheres. E neste momento em que estamos reivindicando a extinção de um projeto que tenta acabar com o percentual feminino na política, certamente Marielle travaria conosco essa luta também. Travaria também a luta contra todo o retrocesso vindo do Planalto com tantos Flávios, Carlos, Eduardos, Queirozes, Bebiannos, Vélezes e Damares.

Marielle não está em carne, mas está em forma de luta, nos plenários legislativos, nas ruas, na imprensa, nas canções, nos novos institutos que nascem com seu nome, no samba- enredo que consagrou campeão o movimento pela democracia e pelos direitos das mulheres, gays, negros, candomblecistas, moradoras da periferia. Força e coragem a todas mulheres que são condenados simplesmente por lutarem pelo que acreditam nesse país desigual, autoritário, machista e intolerante.

Venceremos e queremos resposta. Marielle vive. Anderson vive.

*Fabíola Mansur, médica, feminista, defensora dos direitos humanos e está deputada estadual.

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