Meta de reduzir efeitos de produtos químicos não será alcançada, diz ONU

Poluição afeta qualidade de vida na cidades chinesas.

Poluição afeta qualidade de vida na cidades chinesas.

Os países não conseguirão alcançar o objetivo de reduzir, até 2020, os impactos adversos que o uso de produtos químicos causam ao meio ambiente. O alerta foi feito durante a 4ª Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEA), evento que começou segunda-feira (11/03/2019), em Nairóbi, no Quênia.

Segundo o estudo Perspectivas dos Produtos Químicos a Nível Mundial, preparado pela ONU Meio Ambiente ao longo dos últimos três anos, por meio de um processo que envolveu mais de 400 cientistas e especialistas de todo o mundo, “é urgente a adoção de medidas contra a poluição química”. Sobretudo diante da expectativa de que a produção mundial destas substâncias continue aumentando.

“O objetivo global de minimizar os efeitos adversos e os resíduos de produtos químicos não será alcançado em 2020”, sustenta o estudo, sugerindo que há alternativas para minimizar os prejuízos ao meio ambiente e à saúde humana, mas que é necessário adotar “medidas mais ambiciosas, em todo o mundo, com urgência”.

A meta de reduzir “ao mínimo” os efeitos adversos dos produtos químicos a nível global foi acordada em 2002, durante a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+10, que aconteceu em Johannesburgo, África do Sul. Quatro anos depois, com a definição, por diversos países, do Enfoque Estratégico para a Gestão de Produtos Químicos a Nível Internacional (do inglês, Saicm), definiu-se uma estratégia da ação global para tentar reduzir o impacto da produção e do consumo de substâncias químicas poluentes.

Prioridades
Os especialistas alertam que produtos químicos perigosos e contaminantes seguem sendo liberados em grande quantidades, acumulando-se e ameaçando às integridade das pessoas e da natureza. E apontam que o crescimento de setores industriais que empregam grandes volumes de produtos químicos (como a construção civil, a agricultura e o eletrônico) potencializa os riscos, mas também oferecem “novas oportunidades de promoção ao consumo, à produção e à inovação sustentáveis”.

“Segue sendo prioritário abordar as deficiências em termos de legislação e da capacidade dos países em desenvolvimento e emergentes, para os quais os recursos [disponíveis] não se equiparam às necessidades”, sugere o estudo, no qual os especialistas destacam que este fato representa um obstáculo, mas também “oportunidades de financiamento novo e inovador”.

“Pode-se economizar uma quantidade significativa de recursos com a troca de conhecimentos sobre as ferramentas de gestão de produtos químicos e aceitando a mútua ajuda em questões como a avaliação de riscos químicos e proposição de alternativas”. Também consta da nota técnica a sugestão de que as comunidade internacional procure harmonizar os protocolos de investigação e se compartilhe as informações oficiais sobre os efeitos dos produtos para a saúde humana e o meio ambiente, buscando estimular a colaboração entre cientistas e os responsáveis por tomar decisões.

Assembleia

A expectativa da Organização das Nações Unidas é reunir, na Unea, mais de 4.700 participantes de todo o mundo. São esperados chefes de Estado, com o presidente da França, Emmanuel Macron; ministros de Estado, empresários e representantes da sociedade civil organizada. Comandada pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, a delegação brasileira oficial que participará da assembleia deve chegar a Nairóbi nesta terça-feira (12/03/2019). Salles discursa na quarta-feira (13), durante a abertura do plenário do segmento de alto nível da assembleia.

Com o lema “Pense no planeta, Viva simples”, a assembleia servirá de palco para a discussão de novas políticas públicas, tecnologias e soluções inovadoras capazes de proporcionar uma produção e um consumo mais sustentável. O objetivo é que os participantes assumam compromissos globais de proteção ambiental para os próximos anos, com metas mensuráveis.

*Com informações da Agência Brasil.

Poluição afeta qualidade de vida na cidades chinesas.

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