Demência atinge novo patamar na presidência da República com autorização de Jair Bolsonaro para celebrar Golpe Civil-Militar de 1964

Presidente Jair Bolsonaro autoriza celebração do 31 de março de 1964. Data está vinculada aos eventos que culminaram com Golpe Civil-Militar de 1964 de 1º de abril.

Presidente Jair Bolsonaro autoriza celebração do 31 de março de 1964. Data está vinculada aos eventos que culminaram com Golpe Civil-Militar de 1964 de 1º de abril.

O presidente Jair Bolsonaro aprovou a mensagem que será lida em quarteis e guarnições militares no próximo dia 31 de março, em alusão à mesma data no ano 1964, dia da tomada de poder pelos militares, com a derrubada do então presidente João Goulart e a instalação de um regime controlado pelas Forças Armadas, que perdurou por 21 anos (1964-1985) no país. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (25/03/2019) pelo porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros. Rêgo Barros disse que o presidente da República refuta o termo “golpe” para classificar a mudança de regime em 1964.

“O presidente não considera o 31 de março de 1964 [como] golpe militar. Ele considera que a sociedade reunida, e percebendo o perigo que o país estava vivenciando naquele momento, juntou-se, civis e militares. Nós conseguimos recuperar e recolocar o nosso país num rumo que, salvo melhor juízo, se isso não tivesse ocorrido, hoje nós estaríamos tendo algum tipo de governo aqui que não seria bom para ninguém”, afirmou.

O porta-voz informou que Bolsonaro já havia determinado ao Ministério da Defesa que fizesse as “comemorações devidas com relação ao 31 de março de 1964”. Rêgo Barros disse que uma ordem do dia (mensagem oficial) já foi preparada e recebeu o aval do presidente, mas não deu detalhes sobre o conteúdo, que deve ressaltar o protagonismo das Forças Armadas nesse momento histórico do país.

Caberá aos comandantes das guarnições a definição do formato dessa celebração nas unidades militares. Não há previsão de nenhuma celebração específica no Palácio do Planalto, mas a data deverá ser observada nas unidades militares do Distrito Federal, afirmou o porta-voz. Na mesma data,  Bolsonaro estará fora do país, em viagem oficial a Israel. Ele embarca no dia 30 de março e retorna ao país no dia 2 de abril.

A celebração da instituição do regime militar instalado em 1964, classificada pelos militares como “Revolução de 1964”, não chega a ser uma novidade nos quarteis. A prática, no entanto, chegou a ser formalmente vetada pela então presidente Dilma Rousseff, em 2012, mas continuou a ocorrer, ainda que informalmente.

Debilidade sem limites

O Golpe de Estado no Brasil em 1964 (Golpe Civil-Militar de 1964) designa o conjunto de eventos ocorridos em 31 de março de 1964 no Brasil, que culminaram, no dia 1.º de abril de 1964, com um golpe militar que encerrou o governo do presidente democraticamente eleito João Goulart, também conhecido como Jango.

Ao determinar a comemoração de eventos vinculados ao Golpe de 1964, o presidente Jair Bolsonaro nega a democracia como valor absoluto da sociedade e eleva a demência do governo ao novo patamar. Observa-se, por fim, que os apoiadores da direita e extrema-direita não poderiam ter escolhido melhor representante para encarnar a inapetência intelectual que subjaz nestas categorias de atores e apoiadores políticos.

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