Brasil, uma nação em busca de um governante: Deputado Rodrigo Maia diz que Governo Bolsonaro é vazio e que falta projeto de país

Rodrigo Maia: até agora ninguém propôs nada diferente do que o PT construiu nos últimos 13 anos.

Deputado Rodrigo Maia diz que presidente Jair Bolsonaro precisa se convencer da reforma da Previdência e liderar articulação.

O presidente Jair Bolsonaro precisa se convencer da importância da reforma da Previdência para o país e assumir a liderança na articulação do processo para aprovação da emenda constitucional no Congresso Nacional, disse o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), neste sábado (23/03/2019).

O político ainda afirmou, durante entrevista no congresso do PPS, que considera “página virada” os atritos com pessoas ligadas ao Poder Executivo, incluindo um dos filhos de Bolsonaro, Carlos. Mas Maia destacou que o governo precisa “sair de conflitos nas rede sociais” e focar no “mundo real”.

Maia disse que na próxima semana vai “voltar a trabalhar pela aprovação da reforma da Previdência” dentro da Câmara, mas ele destacou que o presidente da República precisa assumir de “forma definitiva” o seu papel de articulação para aprovação do texto no Congresso.

Questionado se terá encontro com Bolsonaro para tratar da reforma, Maia disse que não haverá qualquer reunião e que o presidente não entrou em contato com ele recentemente.

“Não terá encontro, eu não preciso de encontro, ele não precisa me convencer a ser a favor da Previdência, o Paulo Guedes (ministro da Economia) é que precisa continuar convencendo ele a ser a favor da Previdência, eu estou onde sempre estive, defendo as mesmas ideias há muitos anos”, disse Maia a jornalistas, em referência ao passado do presidente, quando ele mostrou-se contra a reforma.

Segundo o presidente da Câmara, Bolsonaro “vem em um processo de transição” e “não é fácil mudar de posição”, mas “tem mudado e tem sido importante para o Brasil”.

Sobre declarações de que a reforma sofreria pressão da chamada velha política, Maia retrucou que “quer participar desse novo momento da política brasileira”.

“E o presidente eleito é o que tem mais legitimidade para liderar esse processo, ele não pode delegar esse processo para ninguém, espero que a partir de amanhã (domingo), com ele no Brasil, que ele chame deputados e explique o que ele quer, o que ele defende, além da Previdência, quais são os projetos para o Brasil”, afirmou Maia.

O presidente está no Chile para uma visita oficial, além de ter se encontrado na véspera com presidentes de outros países para discutir temas como a crise na Venezuela.

Maia disse também que Bolsonaro precisa mostrar como “vai enfrentar a pobreza com algum projeto diferente do PT”.

“Porque até agora ninguém propôs nada diferente do que o PT construiu nos últimos 13 anos, um governo de direita não pode ser igual a um governo de esquerda, é isso que esperamos que ele (Bolsonaro) faça… assuma as rédeas e comande a nova política, porque hoje infelizmente o Brasil é um deserto de ideias.”

Maia, contudo, disse acreditar que Bolsonaro vai explicar para os parlamentares os motivos da importância da reforma da Previdência para o país “e vai assumir a grande liderança”.

Falta de projeto

“O governo é um deserto de ideias”, declarou Maia. “Se tem propostas, eu não as conheço. Qual é o projeto do governo Bolsonaro fora a Previdência? Não se sabe”. Na avaliação do presidente da Câmara, o ministro da Economia, Paulo Guedes, é “uma ilha” dentro do Executivo.

“Apenas entendo que o governo eleito não pode terceirizar sua responsabilidade. O presidente precisa assumir a liderança, ser mais proativo. O discurso dele é: sou contra a reforma, mas fui obrigado a mandá-la ou o Brasil quebra. Ele dá sinalização de insegurança ao Parlamento. Ele tem que assumir o discurso que faz o ministro Paulo Guedes. Hoje, o governo não tem base. Não sou eu que vou organizar a base. O presidente da Câmara sozinho, em uma matéria como a reforma da Previdência, não tem capacidade de conseguir 308 votos”, disse Rodrigo Maia em entrevista ao Jornal Estadão.

“O Brasil precisa sair do Twitter e ir para a vida real. Ninguém consegue emprego, vaga na escola, creche, hospital por causa do Twitter. Precisamos que o País volte a ter projeto. Qual é o projeto do governo Bolsonaro, fora a Previdência? Fora o projeto do ministro (Sérgio) Moro? Não se sabe. Qual é o projeto de um partido de direita para acabar com a extrema pobreza? Criticaram tanto o Bolsa Família e não propuseram nada até agora no lugar. Criticaram tanto a evasão escolar de jovens e agora a gente não sabe o que o governo pensa para os jovens e para as crianças de zero a três anos. O governo é um deserto de ideias”, afirmou Rodrigo Maia.

O que se observa, no contesto da crise político é que o país segue sem direção. Literalmente, o país se tornou uma nação sem governante e que o mandatário passa longo tempo em solenidade e pouco se dedicando a apresentar propostas para o desenvolvimento do país.

*Com informações de Roberto Samora e Ricardo Brito, da Agência Reuters.

Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados.

Rodrigo Maia: até agora ninguém propôs nada diferente do que o PT construiu nos últimos 13 anos.

O governador do Estado de São Paulo, João Doria, Rodrigo Maia e o vice-governador Rodrigo Garcia durante encontro em São Paulo, em 23 de março de 2019.

O governador do Estado de São Paulo, João Doria, Rodrigo Maia e o vice-governador Rodrigo Garcia durante encontro em São Paulo, em 23 de março de 2019.

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Perfil do Autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).