Se não der certo, os generais voltarão | Por Luiz Holanda

Posse de Jair Bolsonaro como presidente da República, realizada em 1º de janeiro de 2019.

Posse de Jair Bolsonaro como presidente da República, realizada em 1º de janeiro de 2019.

Segundo Nelson Rodrigues, “há um momento, na vida dos povos, em que o país tem de ser anunciado, promovido e profetizado”. Ao escrever esta frase, o genial escritor não imaginava como seria anunciar, promover e profetizar o Brasil depois de quinze anos de governo petista.

Para um partido que pregava o socialismo como um sistema de organização de sociedade que substituiria o capitalismo e controlaria a produção e a distribuição dos bens de forma igualitária e cooperativa, fica difícil entender a radical mudança para um sistema cuja ideologia foi a corrupção como meio de financiar seu projeto de poder.

E o pior é que a blindagem dos envolvidos não foi apenas para os seus filiados e dirigentes, mas sim para todos os políticos, pois, só assim, poder-se-ia evitar oposição. A CPI da Petrobrás demonstrou isso.

Depois de longos debates previamente ensaiados e dirigidos para a plateia, a conclusão dessa comissão sobre o propinoduto que sangrou a estatal foi no sentido de poupar todos os políticos e parlamentares envolvidos. A única CPI que pelo menos deu em algo foi a dos Fundos de Pensão. Nesta conseguiu-se provar a participação de João Vaccari Neto e do ex-chefe da Casa Civil de Lula, José Dirceu (ambos condenados na Operação Lava Jato), no esquema.

De acordo com o deputado Efraim Filho (DEM-PB), o modus operandi usado nos escândalos do mensalão e do petróleo foi repetido nos recursos destinados a aposentados e pensionistas, de maneira que “o que a gente identifica é que há uma máquina de corrupção do PT para financiar um projeto de poder”.

Ao pipocar os escândalos, o ex-presidente Lula, em vez de condenar os métodos de atuação dos companheiros e de alguns dos membros de sua própria família no processo de enriquecimento ilícito, partiu para o ataque, acusando a oposição de golpe, principalmente quando percebeu que não havia outro caminho diante de tantas evidências e provas incontestáveis. O resultado foi a sua prisão e a sua total desmoralização perante a história.

Diante dessa calamidade, não havia outra saída senão derrotar o governo através de eleições, pois, do contrário, os militares poderiam atender ao apelo popular e tomar o poder pela força. E o autor da proeza foi justamente um deputado federal e capitão reformado do exército, que, captando os anseios populares por mais segurança, menos pobreza, contra a impunidade e a corrupção, montou uma plataforma política prometendo acabar com tudo isso e anunciando, promovendo e profetizando um novo Brasil.   Com essas promessas, terminou sendo eleito com mais de 57 milhões à frente do seu adversário.

Para completar, sua vitória representou o triunfo de uma série de candidatos que, nas eleições estaduais, procuraram ligar seus nomes ao seu. Isso significa que o novo presidente está amparado não só por maciço respaldo popular, mas também pelo confortável suporte de uma quantidade apreciável de deputados, senadores e governadores.

O recado dado pela maioria dos eleitores foi claro e objetivo: o Brasil que saiu das urnas é outro; é um país sedento por autoridade, conservador, defensor da família e anticorrupção. Mesmo assim, o candidato vitorioso sabe que uma grande parte dos que votaram nele o fizeram para não ter o PT no governo, o que significa que seu capital político não está vinculado necessariamente ao seu nome, mas sim ao antipetismo.

Realmente, a herança maldita deixada pelo PT não podia ser pior. A pobreza aumentou três vezes durante seu governo, enquanto a extrema pobreza aumentou 13 vezes, sendo que, na base da distribuição, esse aumento chegou a 33% por cento nos últimos três anos. Em números de pobres, o aumento foi de mais 6,3 milhões.

Diante dessa calamidade, fica difícil prever qual será o nosso futuro. A posse do novo presidente renovou as esperanças perdidas. Temos tudo para manter nossa democracia. Vamos torcer para que o novo governo dê certo, pois, do contrário, os generais –mesmo não querendo-, poderão atender ao apelo popular.

*Luiz Holanda é advogado e professor universitário.

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Perfil do Autor

Luiz Holanda
Luiz Holanda é advogado e professor universitário, possui especialização em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (SP); Comércio Exterior pela Faculdades Metropolitanas Unidas de São Paulo; Direito Comercial pela Universidade Católica de São Paulo; Comunicações Verbais pelo Instituto Melantonio de São Paulo; é professor de Direito Constitucional, Ciências Políticas, Direitos Humanos e Ética na Faculdade de Direito da UCSAL na Bahia; e é Conselheiro do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/BA. Atuou como advogado dos Banco Safra E Econômico, presidiu a Transur, foi diretor comercial da Limpurb, superintendente da LBA na Bahia, superintendente parlamentar da Assembleia Legislativa da Bahia, e diretor administrativo da Sudic Bahia. E-mail para contato: [email protected]