Mulheres negras são mais afetadas pela falta de saneamento básico no Brasil

Christiana Conceção, Angélica Ferreira e Delza de Paula fazem parte do Centro Educacional de Apoio Profissional para a Igualdade de Gênero e Racial, em Salvador.

Christiana Conceção, Angélica Ferreira e Delza de Paula fazem parte do Centro Educacional de Apoio Profissional para a Igualdade de Gênero e Racial, em Salvador.

Os déficits mais elevados de acesso a esgoto no Brasil estão entre as mulheres autodeclaradas pardas, indígenas e pretas, conforme metodologia utilizada pelo IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas.

A conclusão é de um novo estudo realizado pela empresa brasileira de saneamento básico BRK Ambiental, realizado com apoio da Rede Brasil do Pacto Global das Nações Unidas e parceria do Instituto Trata Brasil.

Cuidados

Segundo a ONU Brasil, junto com o estudo foi lançada a plataforma digital “Mulheres e Saneamento”. A plataforma mostra essa realidade brasileira de uma forma mais visual e acessível para o grande público, por meio do recurso digital.

Segundo a pesquisa, também são as mulheres autodeclaradas negras, pardas e pretas, que têm mais dificuldade de acesso à água.

Devido ao papel desempenhado pela mulher nas atividades domésticas e nos cuidados com pessoas, a falta de água afeta de maneira mais intensa a vida das mulheres do que a dos homens.

Um relatório das Nações Unidas de 2016 destacou o fato de as mulheres desempenharem trabalhos não remunerados, seja doméstico ou de cuidados, três vezes mais do que os homens.

Como cuidadoras, as mulheres são mais afetadas quando membros da família adoecem como resultado da inadequação do acesso à água, ao esgotamento sanitário e à higiene. Também estão em maior contato físico com a água contaminada e com dejetos humanos quando a infraestrutura de saneamento é inadequada.

ODSs

O estudo afirma que atingir o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5, relacionado à igualdade de gênero, está intrinsecamente ligado ao nível de universalização do saneamento básico.

Se essa meta for cumprida no Brasil, 635 mil mulheres sairão da linha da pobreza. Desse total, três em cada seriam negras. Cerca de 15,2 milhões de mulheres no Brasil declaram não receber água tratada em suas casas e 27 milhões não tem acesso adequado à infraestrutura sanitária.

Isso reduz consideravelmente a capacidade de produção no mercado de trabalho, além de tornar as mulheres mais suscetíveis a doenças infecciosas como cólera, hepatite e febre tifoide.

Uma resolução da Assembleia Geral da ONU, de dezembro de 2016, destacou a situação das mais de 2,5 bilhões de pessoas que vivem sem acesso a banheiros e sistemas de esgoto adequados no mundo todo.

*Com informações da ONU News.

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