Em Davos, presidente Jair Bolsonaro promete abrir economia do Brasil e realizar reforma da Previdência

Presidente Jair Bolsonaro discursa durante edição 2019 do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça.

Presidente Jair Bolsonaro discursa durante edição 2019 do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça.

“Estou emocionado, honrado, de me dirigir a esta audiência de prestígio”, disse Jair Bolsonaro na abertura de seu breve pronunciamento no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, nesta terça-feira (22/01/2019). “Esta é a minha primeira viagem internacional, prova da importância que atribuo às pautas de Davos”, afirmou o presidente brasileiro, em seu breve discurso de abertura, que durou 6 minutos.

“É preciso mostrar para o mundo o momento único que vivemos em nosso país”, disse Jair Bolsonaro, que retomou em Davos os pontos principais da retórica que defendeu durante toda a campanha presidencial de 2018, no Brasil.

Sem medir elogios à sua equipe, o presidente apresentou os ministros que o acompanhavam em Davos. “Assumi o Brasil numa profunda crise ética, moral e econômica. [..] Meu ministro Sérgio Moro é o homem certo para garantir o sucesso do combate à corrupção”, sublinhou, citando também os ministros da Economia, Paulo Guedes, e das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

“Não queremos uma América bolivariana”, disse, em relação à política regional no continente, quando perguntado por Klaus Schwab, fundador e presidente do Fórum de Davos, sobre medidas de integração econômica. “A esquerda não prevalecerá nesta região”, reforçou Bolsonaro, “o que acho muito importante para a região e para o mundo”, completou o presidente brasileiro.

“Somos um dos 40 destinos turísticos mais visitados do mundo. O Brasil é um paraíso, mas pouco conhecido”, enfatizou. Interessado em demonstrar o cuidado do Brasil com o meio ambiente, o que garante o escoamento de produtos para a Europa, Bolsonaro insistiu: “O Brasil é o país que mais preserva o meio ambiente do mundo. Nenhum outro país do mundo tem as florestas que temos”.

Ele afirmou ainda que o país dedica 9% de seu território à agricultura, que cresce graças “à tecnologia e à rentabilidade dos produtores brasileiros”. “Trabalharemos para a compatibilização da proteção do meio ambiente e as práticas agrícolas”, disse. “Os que criticam têm muito que aprender conosco”, concluiu.

Confiança e abertura econômica

Questionado sobre como operar as mudanças necessárias, Bolsonaro não soube dar muitos detalhes, mas insistiu na confiança que possui em sua equipe. “É preciso que o mundo restabeleça a confiança que sempre teve em nós”, afirmou.

Ele afirmou que “o Brasil possui uma economia relativamente fechada ao comércio internacional”, mas que “isso vai mudar”. “Até o final do meu mandato, seremos um dos 50 melhores países para se fazer negócio”, disse o presidente brasileiro, que aposta nas reformas da Previdência e fiscal para “garantir a estabilidade”.

OCDE e OMC

“O viés ideológico deixará de existir, para integrar o Brasil ao mundo”, disse Bolsonaro. “Buscaremos integrar o Brasil […] às melhores práticas internacionais, como aquelas que são adotadas e promovidas pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), declarou, acenando para a organização que reúne 36 países. Na sequência, acrescentou que o Brasil defenderá de maneira ativa a reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC) para, segundo ele, eliminar práticas desleais de comércio.

Ele ainda defendeu “a família, a propriedade privada, a vida” e os “verdadeiros direitos humanos”. Com o lema “Deus acima de tudo”, ele disse que tem “certeza de que conseguiremos fazer as reformas necessárias para tirar o peso do Estado sobre quem produz e empreende”.

Bolsonaro afirmou ainda que, durante as eleições brasileiras, sua campanha gastou “menos de US$ 1 milhão”, teve apenas oito segundos de tempo de propaganda gratuita na televisão e foi “injustamente atacado a todo tempo”, mas, mesmo assim, conseguiu a vitória.

Jair Bolsonaro é o quinto presidente do Brasil a participar do evento na Suíça. Já participaram de Davos os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (1998), Luiz Inácio Lula da Silva (2003, 2005 e 2007), Dilma Rousseff (2014) e Michel Temer (2018).

*Com informações da RFI.

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Perfil do Autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).