Jair Bolsonaro, o fascismo brasileiro e o culto a personalidade | Por Carlos Augusto

Presidente eleito Jair Messias Bolsonaro e jogadores do Palmeiras. Culto ao personalismo do poder é um dos elementos estruturais de regimes totalitários, a exemplo do fascismo e nazismo.

Presidente eleito Jair Messias Bolsonaro e jogadores do Palmeiras. Culto ao personalismo do poder é um dos elementos estruturais de regimes totalitários, a exemplo do fascismo e nazismo.

Está se construindo no Brasil um regime político fascista. Se enganam aqueles que tolamente, ou de boa fé, consideram que vivemos uma situação de normalidade democrática.

Não. Não vivemos. Numa eleição claramente manipulada e com a oposição sob severa coação, elegeu-se um candidato fascista, Jair Bolsonaro, apoiado pelas elites econômicas e pela linha dura militar – os “gorilas” ressurgidos pós-Ditadura Militar (1964 – 1985).

Os regimes fascistas são regimes de privação de liberdades e de direitos sociais. Para se legitimarem por um breve tempo, pois as aventuras fascistas duram pouco – ah… mais quanta infelicidade trazem a nação – um dos aspectos do regime fascista é de conquistar o apoio do idiotizado compatriota através do culto à personalidade do mandatário.

No caso do fascismo brasileiro de 2018, o culto à personalidade do líder fascista Jair Bolsonaro começou a se erigir ainda em plena campanha eleitoral. Com seu discurso de ódio e pregação racista, misógina, homofóbica e “anticomunista”, atraiu o apoio de indivíduos e grupos que viviam nas sombras e subterrâneos da sociedade – os neonazistas e nazifascistas.

Abriram-se as portas dos infernos e destamparam-se os esgotos da imundície moral e esses indivíduos e grupos vieram à tona. Pasmem: a extrema-direita francesa chegou até a reclamar do abuso racista das declarações de Bolsonaro; a Ku Klux Klan, organização racista americana, especializada em perseguir e matar afrodescendentes, se declarou plenamente identificada com os ideais de Bolsonaro.

O que até então não era dito passou a ser falado abertamente: os neonazista passaram a afirmar, em longas argumentações, que me causavam repugnação ao ler, que Bolsonaro representava o novo e era necessário a destruição para surgir este “novo”. O ovo da serpente sendo gerado: destruir… exterminar… a mesma retórica da época da ascensão de Hitler na Alemanha.

Na campanha eleitoral, a violência verbal e o ódio eram a tônica nas manifestações de rua bolsonaristas, quando homens brancos faziam coro com um trio elétrico no mais alto volume de som, vociferando contra os pretensos inimigos que deveriam ser exterminados. Me chocou assistir alguns segundos de um vídeo de uma manifestação dessas, em Recife – Pernambuco.

O ápice da violência verbal de campanha ocorreu na Avenida Paulista dos patos manifantoches, no domingo anterior a eleição. Era uma linda e ensolarada manhã de domingo, convidativa a meditação e a paz. Porém, do jardim de sua casa, o odiento candidato Bolsonaro grava um vídeo que é reproduzido no telão da avenida da FIESP e ameaça os opositores com a prisão ou deportação do país.

Assustado com a barbarie, o ministro aposentado do STF, Joaquim Barbosa, declarou, após todo esse horror:

– Pela primeira vez em 32 anos de exercício do direito de voto, um candidato me inspira medo.

A mim também, Excelência… Bolsonaro me inspira muito medo, Excelência.

Logo após o resultado eleitoral, para agradar ao recém-eleito mandatário da nação, a emissora de televisão de propriedade de SS faz ressurgir um ameaçador lema da Ditadura Militar que expulsava gente indefesa do país, após o cárcere e a tortura: “Brasil ame-o ou deixe-o” – de triste memória.

Culto à personalidade

Ainda durante a campanha eleitoral, as religiões evangélicas começaram a construir uma maligna mística de que Bolsonaro era o “escolhido por deus” em nome de Jesus… e os pastores bradavam, inquirindo o gado humano: amém?

Em milhares de igrejas evangélicas pelo território nacional, a torpeza, a vileza e a mentira se tornaram temas dos sermões, berrados dos púlpitos. Uma das principais torpezas era o protesto dos pastores contra o “kit gay do comunista Haddad”.

Contra esse crime eleitoral a “justissa” nada fez. Porém, a Justiça eleitoral orquestrou a invasão de 17 universidades e proibiu a projeção do filme “A Onda” em uma delas. Um filme alemão sobre a ascensão do neonazismo na atualidade.

Com participação ativa das religiões, o fascismo brasileiro constrói o “culto à personalidade” do líder máximo, como nos regimes totalitários do Século XX – o culto a Hitler, Mussolini, Stálin , Mao …

Assistimos a isso quando da visita de Bolsonaro a emissora católica de televisão Canção Nova, e as declarações nazifascistas de um “novo tempo” para o Brasil, veiculadas exaustivamente por aquela emissora.

Mistificar o novo mandatário deixou de ser exclusividade dos evangélicos. Os católicos tentam superá-los.

Isso não é novo. O sanguinário e impiedoso Ditador Franco da Espanha, se autointitulava “generalíssimo pelas graças de deus” – com apoio do Clero espanhol.

Entre os religiosos espíritas a mística maligna de “culto à personalidade” também se dissemina. Líderes espíritas chegaram a divulgar uma suposta profecia de Chico Xavier – coitado do Chico – de que um “anjo desceria do céu, montado num cavalo branco, e com sua espada flamejante redimiria o Brasil”…

Bem, já que estamos tratando de questões de ordem religiosa, recordemos que Lúcifer caiu do céu e veio infelicitar a Terra…

O culto à personalidade no futebol

O totalitarismo fascista açambarca todas esferas da vida social. Inclusive o esporte. Relembrem as Olimpíadas na Alemanha nazista em 1936, onde Hitler buscava afirmar a superioridade da raça ariana.

No desgraçado Brasil que caminha inconsciente para o fascismo, o futebol foi usado no domingo passado (2.12.2018) para propaganda e criação da mística maligna do líder fascista. Bolsonaro foi o personagem principal da festa do título do Palmeiras Paulista, em pleno estádio, no oportunismo lambe-botas dos dirigentes do infeliz clube alviverde e em detrimento dos bravos atletas.

Há resistência? Sim, brasileiros dignos e democratas resistem enquanto podem. Enquanto há tempo. Pois a partir de janeiro de 2019 paira uma forte ameaça de proibição e perseguição a qualquer manifestação de oposição, através da judicialização e criminalização de protestos.

Desta maneira, o nobre gesto do craque do ano na luta pela democracia – o jogador palmeirense William Bigode – de ignorar e desprezar o ameaçador e odiento Bolsonaro, durante a cerimônia de entrega de medalhas aos jogadores campeões, entrará para a história como um símbolo de resistência ao autoritarismo no Brasil, no ano da desgraça de 2018.

*Carlos Augusto, cientista social e jornalista.

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia).