Artista baiano faz sucesso com exposição em São Paulo

NeoPanóptico traz uma nuvem suspensa de olhos, alguns deles contando com câmeras de vídeo, que captam imagens dos visitantes e as projetam em outra sala.

NeoPanóptico traz uma nuvem suspensa de olhos, alguns deles contando com câmeras de vídeo, que captam imagens dos visitantes e as projetam em outra sala.

Vinícius S.A. segue com seu ‘NeoPanóptico’ em São Paulo. A exposição é uma das mais visitadas na CAIXA Cultural. Nela, o artista revisita a questão da invasão a que somos submetidos diariamente através das inúmeras câmeras presentes em locais públicos e privados. A proposta de arrancar o público de sua passividade letárgica – ao desconstruir um simples caleidoscópio, por exemplo – imprime um ritmo diferente à exposição, pois o público vai descobrindo as várias camadas aos poucos e por vezes retorna para analisar as obras sob esse novo olhar. A exposição poderá ser visitada pelo público até o dia 16 de dezembro (de terça-feira a domingo), na CAIXA Cultural São Paulo, com entrada franca.

Formada por quatro núcleos, NeoPanóptico traz a obra “O Grande Irmão”, uma nuvem suspensa de olhos, alguns deles contando com câmeras de vídeo, que captam imagens dos visitantes e as projetam em outra sala. O observador também terá sua imagem capturada por um grande caleidoscópio e poderá observar o cotidiano do ateliê do artista, que utilizará uma câmera acoplada ao seu corpo e outra fixada no espaço de trabalho durante o período da exposição.

O conceito do Pan-óptico, criado pelo filósofo Jeremy Bentham em 1785, parte de um edifício penitenciário em planta circular onde, de uma torre central, é possível ver todos os detentos. A ideia embrionária do “olho que tudo vê”, tão presente na vida do homem pós-moderno, surge da necessidade de manter a sociedade obediente, assegurando a ordem instituída. Segundo o curador Roaleno Costa, “NeoPanóptico coloca o fruidor diante de questões contemporâneas que apontam para a nova ordem em que os corpos assumem vigilância não somente sobre o outro, mas fundamentalmente sobre e contra si mesmos. Os olhos estão em todos os lugares. Estão nas mãos. Fazem parte do caleidoscópio multiplicador de personas, simulacro das várias vidas que se encerram em uma só. A matéria atravessando a história que se confunde entre real e irreal. O imaginário controlado e previsível. Irrealidades contemporâneas. ”

Vinícius S.A. vai ainda mais fundo ao falar sobre a exposição: ”A questão da vigília é o ponto central da exposição, mas não unicamente essa vigília empregada através das câmeras. São muitas as possibilidades de vigília que já ultrapassaram a ideia do olhar, do voyeurismo, etc. A sociedade em que vivemos agora emprega a vigília dos trajetos, áudios, vídeos e, sobretudo, dos dados individuais de cada um, que compõem o chamado Big Data e são utilizados e comercializados para nos direcionar conteúdos e até para possíveis interferências em eleições de grandes países, como acompanhamos recentemente nos EUA e Brasil. Há teóricos que já afirmam que tais dados são uma ameaça às democracias no mundo”.

A instalação é revelada através do imperativo que se materializa na imersão e do jogo dialético que se conjuga entre real e virtual, trânsito e permanência, espaço e tempo. É assim, portanto, uma experiência estética problematizante na qual o sujeito encontra-se na contraversão do convencional em que as câmeras ocultas se ressignificam como olhos expostos e invasivos, que sincronicamente aproximam e repelem o sujeito.

O projeto do Atelier Vinícius S.A. tem curadoria de Roaleno Costa, gestão executiva da Simples Produções Artísticas, sob supervisão de Milena Raynal, e conta com patrocínio da CAIXA.

O artista

Vinícius Silva de Almeida, nascido em 1983, vive e trabalha em Salvador. Graduado em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, considera-se um artista inquieto. Seu interesse pelas ciências exatas o fez desenvolver uma linguagem própria, que alia o pensamento científico e práticas manuais e de baixa tecnologia a proposições de poéticas visuais poderosas, que, além de estabelecer diálogos com o espectador, traduz a memória e as experiências do artista, fazendo de seu processo uma constante investigação de possibilidades estéticas e conceituais do cotidiano.

A exposição “Lágrimas de São Pedro”, sucesso de público e crítica, itinerou por diversas cidades brasileiras, assim como Frankfurt, na Alemanha, e Las Vegas, nos Estados Unidos. Outras obras do artista também já foram premiadas em renomados Salões e Bienais, a exemplo do “Objeto Óptico #02”, que recebeu o prêmio de residência artística internacional no 15º Salão da Bahia, a instalação “Sorria, você está sendo filmado! ”, premiada no Salão Regional de Artes Visuais da Bahia, e “O Pulso da Bienal”, importante obra do artista que recebeu menção especial na VIII Bienal do Recôncavo. Participou de duas residências artísticas na Holanda e Alemanha.

Vinícius S.A., que é artista representado pela Paulo Darzé Galeria de Arte, também integrou diversas importantes publicações, como os livros “Escultura contemporânea no Brasil”, de Marcelo Campos, ” 50 anos de arte na Bahia” e “Água, reflexos na arte da Bahia”, de Matilde Mattos, e “30 contemporâneos Brasileiros”, de Enock Sacramento.  Integrou diversas mostras coletivas, com destaque para as exposições “Ready Made in Brasil”, sob curadoria de Daniel Rangel, e “Pertencentes”, no Museu de Arte Moderna da Bahia.

Agenda

O que: Exposição Neopanóptico, de Vinícius S.A.

Abertura: 6 de outubro, às 11 horas

Onde: CAIXA Cultural São Paulo

Endereço: Praça da Sé, 111 – Centro, São Paulo

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