A linguagem dos generais | Por Luiz Holanda

Presidente eleito Jair Bolsonaro ao lado dos militares escolhidos para chefiar as Forças Armadas.

Jair Bolsonaro ao lado dos militares escolhidos para chefiar as Forças Armadas

Para se fazer uma análise isenta e equilibrada do que vem por aí faz-se necessário entender a linguagem dos generais que integram o grupo de confiança do presidente eleito, Jair Bolsonaro. A princípio, não teremos um governo militar: tudo vai depender da classe politica, cujos líderes -pelo menos os mais importantes-, ou estão presos ou respondem a processos por corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Se a classe política (leia-se o Congresso), tentar inviabilizar o novo governo, ninguém poderá garantir o que virá. Daí não ser sem razão a aproximação do presidente eleito com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o único que pode garantir ou contestar qualquer medida extraordinária capaz de alterar o processo democrático brasileiro até agora existente.

A coordenação dos trabalhos do novo governo está a cargo do general Augusto Heleno, primeiro comandante da Força de Paz no Haiti. Ex-professor do presidente eleito na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), a relação entre os dois, segundo um general da ativa, “é de pai para filho”. Comedido e estudioso, Heleno sempre defendeu o movimento militar de 1964. Questionado sobre o que tinha a dizer sobre direitos humanos, respondeu que “direitos humanos é para humanos direitos”.

Outro que não fica atrás é o general Mourão, eleito vice-presidente. Durante a campanha, sem medo de parecer politicamente incorreto, afirmou que o Brasil “herdou a cultura de privilégios dos ibéricos, a indolência dos indígenas e a malandragem dos africanos”. Não contente, avisou: “Não serei um vice-presidente figurativo”.

O grupo é integrado por outros generais, como Oswaldo Ferreira, Aléssio Ribeiro Souto e Carlos Alberto Santos Cruz, que comandou a Força de Paz no Haiti e no Congo. Este último será o futuro chefe da Secretaria de Governo, um dos dois cargos mais importantes na estrutura da Presidência da República. Caberá a ele gerenciar os ministérios e fazer a interlocução do futuro governo com os grupos da sociedade civil.

A Marinha também estará presente com o seu atual diretor-geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico, almirante Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Junior, que vai para a pasta de Minas e Energia. Todos estão imbuídos do propósito de erradicar de vez a herança maldita deixada pelo PT, notadamente quanto ao viés ideológico que sustenta as ditaduras de Cuba e Venezuela.

O que talvez seja necessário esclarecer,até para acabar com a imagem de que militar no governo é sinônimo de ditadura, é que a maioria deles defende a democracia, mas não aceita, em hipótese nenhuma, a anarquia nem a corrupção como um dos princípios fundamentais da nossa administração pública.

Os militares brasileiros estudam, têm escolas próprias e aprendem a planejar suas ações visando a defesa de nossa soberania. Além disso, desenvolvem projetos sociais para o atendimento de nossa população carente e prestam relevantes serviços aos índios e às populações ribeirinhas, nos mais longínquos rincões do país. Isso significa que dos quartéis não saem apenas fuzis ou canhões; saem também idéias, que, no dizer de Leonardo Trevisan, têm inegável importância na vida dos brasileiros.

Nosso povo não deve se preocupar com a presença dos militares no governo. Quem deve se preocupar é a classe política, principalmente os que têm como único propósito o enriquecimento pessoal às custas da nação. Essa gente precisa compreender a linguagem dos generais, pois eles sempre costumam avisar com antecedência o que pode acontecer quando alguém não consegue entender a mensagem.

*Luiz Holanda é advogado e professor universitário.

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Sobre o autor

Luiz Holanda
Luiz Holanda é advogado e professor universitário, possui especialização em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (SP); Comércio Exterior pela Faculdades Metropolitanas Unidas de São Paulo; Direito Comercial pela Universidade Católica de São Paulo; Comunicações Verbais pelo Instituto Melantonio de São Paulo; é professor de Direito Constitucional, Ciências Políticas, Direitos Humanos e Ética na Faculdade de Direito da UCSAL na Bahia; e é Conselheiro do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/BA. Atuou como advogado dos Banco Safra E Econômico, presidiu a Transur, foi diretor comercial da Limpurb, superintendente da LBA na Bahia, superintendente parlamentar da Assembleia Legislativa da Bahia, e diretor administrativo da Sudic Bahia. E-mail para contato: [email protected]