Vereador critica cooperativas de Feira de Santana

Roberto Tourinho: os cooperados hoje são um número maior que os efetivos do Município.

Roberto Tourinho: os cooperados hoje são um número maior que os efetivos do Município.

No uso da tribuna, na sessão ordinária desta terça-feira (06/11/2018), na Câmara Municipal de Feira de Santana, o vereador Roberto Tourinho (PV) convidou os colegas a visitarem as obras de drenagem realizadas na Avenida Tomé de Souza e Anel de Contorno e criticou as cooperativas que atuam em Feira de Santana.

“Gostaria de consultar a Comissão de Obras desta Casa para que possamos visitar as obras feitas entre a Tomé de Souza e Anel de Contorno. Convido também os colegas vereadores para irem conosco após o termino da sessão. Precisamos informar aos munícipes sobre a drenagem linear que está sendo feita no local”, convidou. Após o convite, prontamente os membros da referida Comissão, Gilmar Amorim (PSDC) e Alberto Nery (PT), se colocaram à disposição para visitarem as obras.

Ainda no uso da tribuna, o vereador Roberto Tourinho disse ter ouvido atentamente o discurso do colega Ewerton Carneiro (Tom, PATRIOTA) que cobrou das cooperativas o pagamento de 13º salário e férias aos cooperados.

“Vou trazer uma informação à Casa: a implantação de cooperativas é coisa de 20 anos no Brasil e em Feira tem sido de discorrido de forma acelerada. Está sendo usada como moeda de troca e poucos têm a coragem de falar o que estou falando. Os cooperados hoje são um número maior que os efetivos do Município. Há um efetivo ganhando um salário mínimo e ao lado um cooperado, apadrinhando de político, que não realiza o trabalho e fica apenas pedindo apoio ao padrinho, ganhando mais”, disse Tourinho.

E continuou. “ Vereadores que têm 300 indicados no Governo, contratados através de cooperativas, usa como moeda de troca, barganha. É assim que muitos se mantem no poder. Pegam uma UPA, posto de saúde, unidade de saúde, Reda, e fazem de conta que são seus. Essas cooperativas, esses contratos, são nefastos, fazem mal ao Governo. Os que ali estão é para arranjar votos para seus indicados, não estão preocupados com o Município”, pontuou.

Segundo o edil, nesses últimos anos, em Feira de Santana, houve responsáveis para que os cooperados se mantenham no poder. “E agora estão fazendo discurso de que os cooperados estão recebendo pouco, sendo que muitas vezes recebem mais que os efetivos. Muitas vezes, os cooperados ganham duas ou três vezes mais que os efetivos que vão se aposentar com um salário mínimo, trabalhando 40 horas por dia”, disse.

Para finalizar, Tourinho disse que de 2001 em diante, Feira entrou em uma escala de até 400 cargos por vereador. “Os cooperados, realizando a mesma função, tem salários distintos, dependendo da cooperativa que são contratados. Já ouvi muita gente pedir para trocar de cooperativa para ganhar melhor”, findou.

Marcos Lima defende atuação de cooperativas no município

Em pronunciamento, na sessão ordinária desta terça-feira (06), na Câmara Municipal, o edil Marcos Lima (PRP) rebateu o pronunciamento do colega Roberto Tourinho (PV), que criticou a atuação das cooperativas em Feira de Santana.

“Nunca tratei de cooperativas, pois entendo que cabe ao Executivo realizar a melhor forma de administrar, mas cabe ao vereador, como fiscalizador, avaliar como a administração está sendo feita. Observamos que muitos órgãos estão com número reduzido de funcionário e sabemos também que a Prefeitura tem um limite de contratação, para que não fira a Lei de Responsabilidade Fiscal”, pontuou Marcos.

E continuou. “A contratação de cooperados é mais barata, mas não concordo quando dizem que o cooperado ganha mais que o efetivo. Entendo que o contrato com a cooperativa ajuda muitos pais de família que não têm como fazer concurso ou melhorar a condição de trabalho. Entendo que as cooperativas devam melhorar os salários, pagar 13º salário e férias, mas discordo de que seja o câncer da administração pública, como citado aqui por Roberto Tourinho”, disse.

Em aparte, o líder do Governo na Casa, vereador Luiz Augusto de Jesus (Lulinha, DEM), afirmou que existe um processo licitatório para a contratação de cooperativas. “ É uma oportunidade de contratar pessoas que não têm estudo, ou condição de ter uma vida mais confortável. Lembrando que as cooperativas não pagam menos que um salário mínimo. A Prefeitura faz tudo dentro das leis”, defendeu.

Também em aparte, o edil Cadmiel Pereira (PSC) lembrou que há legislação que reza sobre os contratos e sobre os critérios estabelecidos para a contratação de empresas e cooperativas. “Isso acontece em todo o território nacional e não só em Feira de Santana. Feira de Santana não fere a legislação”, observou.

Também participando do debate, o vereador José Menezes Santa Rosa (Zé File, PROS) disse não ser contra as cooperativas e sim contra a forma como os cooperados são tratados. “Devem pagar 13º salário, férias, como recebem todos os trabalhadores”, avaliou.

De volta com a palavra, Marcos Lima afirmou que não se pode colocar as cooperativas como algo ruim que acontece apenas em Feira de Santana. “Não serei demagogo em dizer que indicações acontecem apenas no Executivo feirense, isso acontece no Senado, na Câmara dos Deputados e mais. Esse é um modelo político que existe em nosso país. As licitações realizadas em Feira de Santana estão dentro das leis”, garantiu.

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