Presidente eleito Jair Bolsonaro reconhece que protagonismo do juiz Sérgio Moro favoreceu vitória na eleição de 2018; Elite plutocrática e autocrática não contém desfaçatez

Reinaldo Azevedo critica Sérgio Moro e diz que age em função de objetivos políticos.

Reinaldo Azevedo critica Sérgio Moro e diz que age em função de objetivos políticos.

O presidente eleito Jair Bolsonaro reconheceu que o trabalho do juiz federal Sérgio Moro, anunciado nesta quinta-feira (01/11/2018) como futuro ministro da Justiça, na operação Lava Jato o ajudou a crescer politicamente.

“Você tem que reconhecer o trabalho dele, muito bem feito. Inclusive em função do combate à corrupção, da operação Lava Jato, as questões do mensalão, entre outros, me ajudou a crescer, politicamente falando”, disse Bolsonaro em sua primeira coletiva a jornalistas como presidente eleito.

Bolsonaro afirmou desconhecer que tenha havido contato de sua equipe com Moro ainda na campanha eleitoral.

“Foi o Paulo Guedes que conversou com ele”, disse, mencionado o futuro comandante do superministério da Economia. “Não, não foi durante a campanha não, pelo que eu sei, foi depois.”.

Moro irá comandar um Ministério da Justiça ampliado, agora voltando a cuidar da área de segurança pública e ainda outros órgãos de controle interno do governo. O juiz, responsável pela operação Lava Jato em primeira instância em Curitiba, disse que decidiu aceitar o convite para poder implementar uma agenda anticorrupção no país. [nL2N1XC1EY]

Congresso Nacional

Bolsonaro afirmou que não trabalhará para fazer os presidentes de Câmara dos Deputados e do Senado mas afirmou que vai apoiar candidatos que tenham o compromisso de ajudar na aprovação de pautas e projetos do governo.

Bolsonaro disse que o governo eleito precisa ter humildade e apoiar nomes de outras legendas, for a do seu partido, o PSL, que elegeu a segunda maior bancada na Câmara, mas tem a perspectiva de se tornar a primeira com transferência de deputados de siglas que não cumpriram a chamada cláusula de barreira.

“Tem que apoiar alguém de outro partido logicamente com o compromisso de liberar a pauta para questões nossas”, disse Bolsonaro. “A gente poderia angariar mais simpatia de parlamentares e para o nosso projeto.”

Bolsonaro insistiu que o compromisso que o futuro presidente da Câmara precisa ter é “não segurar a nossa pauta”.

Na coletiva, o presidente eleito garantiu que se alguém de seu governo for denunciado por irregularidade, vai responder por isso, e que não vai interferir em qualquer investigação durante seu mandato.

Gilmar Mendes e Sérgio Moro

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, em sessão plenária, acusou o então juiz Sérgio Moro de violar a Constituição Federal e a lei ordinária com a finalidade de atingir questionáveis objetivos e meios de poder.

Observa-se que, ao integrar o Governo Bolsonaro, Sérgio Moro apenas materializa parte dos objetivos pessoais de poder e dos vínculos ideológicos que mantém. Observa-se, também, que o ex-juiz federal vai estar ao lado das melhores companhia, a exemplo de Magno Malta, Alexandre Frota e do próprio Jair Bolsonaro.

Eleição de Bolsonaro e a atuação do juiz Sérgio Moro

Eleito presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL/RJ) é um político de extrema-direita identificado por setores da mídia com as ideias do totalitarismo, nazismo, fascismo, antissemitismo, misoginia, segregacionismo contra negros e grupos minoritários, que professa discurso do ódio, vinculado a prática da violência física como forma de obter a redução do conflito social, e que usa a religião e o nome de Deus para obter consentimento eleitoral.

Sobre o processo eleitoral 2018, os ataques ao Partido dos Trabalhadores (PT) e a prisão do líder trabalhista Luiz Inácio Lula da Silva, observa-se que o juiz federal Sérgio Moro atuou com “primor” para eleger o antípoda da democracia e será premiado com a indicação ao cargo de Ministro da Justiça e promessa de indicação ao cargo de ministro do STF.

Observa-se que o poder e o dinheiro estão entre os elementos que corrompe os seres humanos no contexto das relações políticas e das ações que engendram. Observa-se, também, que as ações prenunciam as intencionalidades e revelam os objetivos e que, no devido tempo, suposições se tornam realidade e os pseudos moralistas e éticos são expostos aos reais interesses aos quais serve e as ideologias com as quais se identificam.

*Com informações de Rodrigo Viga Gaier, da Agência Reuters.

Compartilhe e Comente

Redes sociais do JGB

Faça uma doação ao JGB

Publicidade

Publicidade

+ Publicações >>>>>>>>>

Manchete

Colunistas e Artigos

Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia).