Presidente Díaz-Canel defende trabalho de médicos cubanos no Brasil; Governo Bolsonaro implanta pauta regressiva e saída de médicos cubanos é o prenúncio da tragédia da gestão vulgar de mentecaptos

Miguel Díaz-Canel Bermúdez é o 1º presidente após 60 anos de governo dos irmãos Castro.

Miguel Díaz-Canel Bermúdez é o 1º presidente após 60 anos de governo dos irmãos Castro.

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, classificou de digno, profissional e altruísta o trabalho desenvolvido por profissionais cubanos no Programa Mais Médicos, no Brasil. As autoridades cubanas anunciaram hoje (14/11/2018) a saída de seus profissionais do programa.

Em mensagem publicada em sua conta no Twitter (@DiazCanelB), o presidente cubano pediu respeito e defendeu os serviços de seus especialistas no Brasil, após questionamento do presidente eleito Jair Bolsonaro, que, segundo ele, fez referências diretas, depreciativas e ameaçadoras sobre a presença dos médicos cubanos.

‘#Mais Médicos Com dignidade, profunda sensibilidade, profissionalismo, entrega e altruísmo, os colaboradores cubanos prestaram um valioso serviço ao povo do #Brasil. Atitudes com tal dimensão humana devem ser respeitadas e defendidas. #SomosCuba’, tuitou Díaz-Canel.

O Ministério de Saúde Pública de Cuba anunciou, nesta quarta-feira (14/11/2018), que não continuará no Programa Más Médicos, ante os condicionamentos expostos pelo presidente eleito Jair Bolsonaro para os profissionais cubanos.

Em nota, o ministério explicou que a saída do programa já foi comunicada à diretoria da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e aos líderes políticos brasileiros que idealizaram o Mais Médicos, que proporcionava serviços de saúde à população pobre do Brasil.

De acordo com o texto diz que Bolsonaro, com referências diretas, depreciativas e ameaçadoras sobre a presença dos profissionais cubanos no Brasoç, declarou e reiterou que modificará termos e condições do Mais Médicos em desrespeito à Organização Pan-Americana da Saúde e ao que foi conveniado pela Opas com Cuba.

No comunicado, o ministério lembra que Bolsonaro questionou também a preparação dos profissionais cubanos e condicionou sua permanência no programa à revalidação do diploma e apenas por meio de contratação individual.

“As modificações anunciadas impõem condições inaceitáveis e descumprem as garantias acordadas desde o início do programa, que foram ratificadas em 2016 com a renegociação do Termo de Cooperação entre a Organização Pan-Americana da Saúde e o Ministério da Saúde do Brasil e o convênio de cooperação entre a Organização Pan-Americana da Saúde e o Ministério de Saúde Pública de Cuba’, diz ainda o comunicado.

Para o ministério, as condições expostas pelo presidente eleito do Brasil impossibilitam a presença de profissionais cubanos no Programa Mais Médicos.

O Ministério de Saúde Pública reiterou o compromisso de Cuba com os princípios solidários e humanistas que, durante 55 anos, nortearam a cooperação médica cubana.

De acordo com a pasta, a iniciativa da então presidenta Dilma Rousseff, da qual Cuba participa desde 2013, tinha o propósito de assegurar atendimento médico ao maior número possível de brasileiros em conformidade com o princípio de cobertura sanitária universal defendido pela Organização Mundial da Saúde.

Bolsonaro diz que programa Mais Médicos não será suspenso; Cubanos poderão ser substituídos por brasileiros e estrangeiros

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, disse hoje (14) que manterá o programa Mais Médicos e vai substituir os cerca de 8.500 profissionais cubanos por brasileiros ou estrangeiros. Ele afirmou que os cubanos que quiserem atuar no país devem revalidar os diplomas. A afirmação ocorre no momento em que Cuba informou que vai se desligar do programa por não aceitar as exigências feitas pelo novo governo.

Bolsonaro conversou com a imprensa na tarde de hoje (14), no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede do governo de transição, pouco antes dele deixar a capital federal para retornar ao Rio de Janeiro.

“Estamos formando, tenho certeza, em torno de 20 mil médicos por ano, e a tendência é aumentar esse número. Nós podemos suprir esse problema com esses médicos. O programa não está suspenso, [médicos] de outros países podem vir para cá. A partir de janeiro, pretendemos, logicamente, dar uma satisfação a essas populações que serão desassistidas.”

Críticas

O presidente eleito acrescentou que sempre foi contra o programa por discordar do modelo de contratação dos profissionais cubanos. Segundo ele, há um tratamento “desumano” por parte das autoridades em relação aos médicos. Como exemplo, Bolsonaro citou o fato de alguns profissionais virem para o Brasil, mas deixando as famílias em Cuba.

“Não é novidade para nenhum de vocês, quando chegou a medida provisória na Câmara, há cerca de quatro anos, eu fui contra o Mais Médicos por alguns motivos que agora tornam-se mais claros. Primeiro, pela questão humanitária. É desumano você deixar esses profissionais aqui afastados de seus familiares. Tem muita senhora aqui que está desempenhando essa função de médico e seus filhos menores estão em Cuba.”

O presidente eleito acusou o governo cubano de explorar os profissionais e ainda pôs em dúvida a capacidade profissional dos médicos oriundos da ilha. “Em torno de 70% do salário desses médicos é confiscado para a ditadura cubana. E outra coisa, que é um desrespeito com quem recebe o tratamento por parte desses cubanos, não temos qualquer comprovação que eles sejam realmente médicos e estejam aptos a desempenhar sua função”.

Exigências

Bolsonaro reafirmou a exigência que seu governo fará para manter os médicos cubanos no programa. “Se fizerem o Revalida, salário integral e puderem trazer a família, eu topo continuar o programa.”

Mais cedo, o governo de Cuba informou que deixará de fazer parte do programa Mais Médicos. Na justificativa do Ministério da Saúde cubano, as exigências feitas pelo governo eleito são “inaceitáveis” e “violam” acordos anteriores.

O contingente de médicos cubanos representa quase metade dos profissionais que atuam no programa, cerca de 18 mil, segundo o governo brasileiro.

A falta de cobertura desses médicos pode deixar mais de 20 milhões de pessoas, principalmente das regiões mais isoladas e nas periferias de grandes cidades, sem atendimento básico de saúde.

Asilo político

Bolsonaro prometeu asilo político aos médicos cubanos que desejarem permanecer no Brasil. “Temos que dar asilo para as pessoas que queiram, não podemos continuar ameaçando [de expulsão do país] como foi no passado. (…) Se eu for presidente, cubano que pedir asilo aqui vai ter.”

A legislação prevê o asilo político como forma de proteger qualquer cidadão estrangeiro que se encontre perseguido em seu território por delitos políticos, convicções religiosas ou situações raciais.

Governo de Dementados

É sintomático que o pensamento vulgar, a falta de um projeto de país, revelem a forma na qual se constituiu o Governo Bolsonaro, ou seja, é uma espécie de Governo de Mentecaptos Dementados que conduz o país para o abismo do neoliberalismo, através da política da ‘Ponte Para o Retrocesso’ iniciada no ‘Governo da Usurpação Democrática de Michel Temer(MDB).

Sobre o Brasil do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), o médico Roberto Miguel Rey Júnior (Dr. Rey) lembrou que a massa de ignotos “escolhe modelos pornôs, palhaços e funkeiros para representá-los “.

*Com informações da Agência Brasil.

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia).