O fim de uma ilusão | Por Luiz Holanda

Ex-presidente Lula presta depoimento à juíza Gabriela Hardt , em 14 de novembro de 2018, sobre o sítio de Atibaia.

Ex-presidente Lula presta depoimento à juíza Gabriela Hardt , em 14 de novembro de 2018, sobre o sítio de Atibaia.

Poderia ter terminado o governo como um estadista se tivesse o hábito e a autoridade do comando. Em vez disso, terminou preso, acusado de corrupção e de outros crimes, completamente desmoralizado perante seus seguidores e a nação. Conseguiu destruir a esperança criada com a sua eleição. Pregava a ética no trato da coisa pública e a justiça social como meta prioritária do seu governo. Em vez disso, generalizou a corrupção e a institucionalizou como um dos princípios fundamentais de nossa administração pública.

Agora, a roubalheira é oficial e garantida pela impunidade. A maioria dos corruptos ou está solta ou cumprindo pena em casa, junto à família e com todos os bens que conseguiu surrupiar do patrimônio público. Lula jogou no lixo sua história de vida, de um retirante nordestino que conseguiu ser presidente do país mais poderoso do continente sul-americano.

Em seu depoimento perante a juíza federal Gabriela Hardt, em vez de se defender com a dignidade que se exige de um ex-presidente da República, sugeriu no depoimento que o ex-juiz Sérgio Moro e o doleiro Alberto Youssef, delator nas Operações Lava Jato e Banestado, eram amigos. Foi severamente repreendido pela magistrada.

Outro erro foi dizer que não sabia o motivo pelo qual estava sendo acusado. O promotor público, aproveitando a deixa, desmoralizou o advogado Cristiano Zanin, o “arrumadinho”, por não ter dito ao seu cliente o motivo pelo qual estava sendo acusado. O promotor sugeriu, então, que o petista consultasse o ministério público para saber o real motivo pelo qual estava respondendo a um processo criminal.

Lula, logo após a sua prisão, vem se revelando o que sempre foi: um pelego sindicalista que conseguiu ser presidente da República prometendo ao povo um paraíso que jamais existiu. Depois de ter destruído a esperança de milhões de brasileiros e de ter insuflado na alma do povo uma imensa fé na liberdade e na igualdade de oportunidades, não só jogou fora tudo o que prometeu como demonstrou uma ambição desmedida pelo conforto e pelas regalias que o poder proporciona.

Com certeza terminará seus dias abatido e humilhado pelas acusações de corrupção e outras bandalheiras. Sem força física e moral para resistir, vai tentando enganar a nação com a retórica populista que ainda lhe resta, escancarada num cinismo que chega às raias da insensatez.

Nenhum líder neste país chegou a ter a popularidade de Lula antes desses escândalos. Jogou na lama sua própria biografia, marcada por uma desmedida ambição pelo poder. De tão frágeis, suas explicações perderam toda credibilidade, assim como o seu comportamento o fez perder a compostura que se exige de um ex-presidente da República.

Ao dizer que “Se me condenaram, me deem pelo menos o apartamento”, Lula desmoronou. Demonstrou que já não tem mais nada a perder. Achando-se acima do bem e do mal quando estava na presidência, cercou-se do que de pior tinha a nação . Achava que poderia tudo, e que o Estado lhe pertencia, assim como aos seus comparsas. Precisavam tirar um atraso de vinte anos fora do poder. E tudo indica que tiraram.

Todo mundo sabe que de um rio que produz esgoto é impossível tirar um copo de água pura. Diversos líderes petistas estão presos por corrupção, lavagem de dinheiro e outras fraudes, inclusive o ex-ministro Antônio Palocci – que afirmou ser Lula o chefão da quadrilha. Em seu depoimento, provou que Lula jamais poderá justificar a dinheirama arrecadada.

Em vez de ser reconhecido como aquele que deu esperança não somente ao Brasil mas a toda a América Latina, -ou como a torre destinada a desafiar todos os reveses e aflições-, vai ser lembrado como um pelego demagogo e analfabeto, que só chegou à presidência da República por ter nascido e vivido num país chamado Brasil.

Antes era o “cara” de Barack Obama ou “O filho do Brasil”. Agora é um farrapo que inspira compaixão. Poder-se-ia dizer que sua pessoa era a lembrança de um presente que jamais seria passado, cuja voz bradava contra as injustiças fazendo ecoar os sinos da liberdade. Parecia ser um condutor de massas, empolgando multidões quando falava. Infelizmente, o tempo revelou que tanto ele como suas pregações eram apenas falácias, vondas de um mito que governou o Brasil através da idolatria provocada em favor de sua própria pessoa, enganando o povo ao apertar o botão que desencadeou os mecanismos do inconsciente popular.

Isolado em sua ilha de desculpas e arranjos retóricos, Lula continua achando que esse mesmo povo que ele conseguiu enganar lutará por sua liberdade, esquecendo sua límpida participação no maior esquema de corrupção que já existiu na história do nosso país.

As recentes delações de Marcelo Odebrecht e Léo Pinheiro acabaram por desvendar fatos que até então eram apenas especulações. Hoje se tem respostas sobre todas as acusações que pesam contra a sua pessoa, bastando apenas que as peças que faltavam para encaixá-las nesse jogo de Lego fossem encontradas.

O Ministério Público Federal mostrou por onde passava o vértice da roubalheira, inclusive o modo de operar da trama criminosa. Foi justamente isso que Marcelo Odebrecht fez ao demonstrar para os brasileiros como as propinas eram entregues ao pessoal do governo através do “italiano”, Antonio Palocci, antigo amigo e ex-ministro da Fazenda do governo petista.

Infelizmente, Lula chegou ao fim de sua carreira extremamente desgastado e sem conseguir provar sua inocência. Em vez disso, insiste em pedir à justiça que diga se o apartamento é dele ou não, ou se podem dar-lhe a propriedade do imóvel já que o condenaram por isso. Diante dessa triste situação, chega-se, melancolicamente, ao fim de uma vida que jamais foi algo mais do que uma sempre ilusão.

*Luiz Holanda, advogado e professor universitário.

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Sobre o autor

Luiz Holanda
Luiz Holanda é advogado e professor universitário, possui especialização em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (SP); Comércio Exterior pela Faculdades Metropolitanas Unidas de São Paulo; Direito Comercial pela Universidade Católica de São Paulo; Comunicações Verbais pelo Instituto Melantonio de São Paulo; é professor de Direito Constitucional, Ciências Políticas, Direitos Humanos e Ética na Faculdade de Direito da UCSAL na Bahia; e é Conselheiro do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/BA. Atuou como advogado dos Banco Safra E Econômico, presidiu a Transur, foi diretor comercial da Limpurb, superintendente da LBA na Bahia, superintendente parlamentar da Assembleia Legislativa da Bahia, e diretor administrativo da Sudic Bahia. E-mail para contato: [email protected]