O difícil soerguimento do PT | Por Luiz Holanda

Presença do ex-juiz federal Sérgio Fernando Moro no Governo Bolsonaro é prenuncio de tempos difíceis para o PT.

Presença do ex-juiz federal Sérgio Fernando Moro no Governo Bolsonaro é prenuncio de tempos difíceis para o PT.

Os segredos que cercavam o esquema de corrupção montado durante os dois governos do PT, foram desvendados pelo ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, em seu depoimento perante o juiz Sérgio Moro, após acordo de colaboração premiada. Por maioria de votos, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região-TRF-4, reduziu a pena que lhe foi imposta para 9 anos e 10 dias, que agora será cumprida em regime semiaberto, em prisão domiciliar e monitoramento eletrônico.

A condenação anterior era de 12 anos e 2 meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Palocci já cumpriu quase três anos da pena na prisão da Polícia Federal, em Curitiba. Agora cumprirá o restante da pena em casa, podendo sair para trabalhar durante o dia.

O esquema desvendado por Palocci mostrou a negociação do governo petista com a Odebrecht, beneficiada em contratos celebrados com a Petrobrás. O “italiano” que recebia as propinas pagas pela empreiteira era ele, que aparece numa planilha de pagamentos da empresa em mãos da Polícia Federal.

O montante da roubalheira chega a R$ 128 milhões. Desse dinheiro, o equivalente a US$ 10 milhões foram repassados para os marqueteiros João Santana e Mônica Moura, em troca dos serviços prestados durante a campanha eleitoral do PT.

Palocci confessou que administrava o caixa 2 que a Odebrecht colocou à disposição do partido, e denunciou Lula e Dilma como os chefes da quadrilha. Segundo seu depoimento, parte das propinas eram desviadas para os gastos pessoais do seu ex-chefe, inclusive para a compra do imóvel onde hoje funciona o Instituto Lula, por sinal, não efetivada.

Palocci ainda citou o ex-presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, como tendo recebido uma ordem do ex-presidente para construir 40 sondas de exploração de Petróleo para arrecadar dinheiro para a campanha da Dilma, que terminou sendo impichada por irregularidades em seu governo

A colaboração de Palocci foi completa. Além dos depoimentos, entregou à Policia Federal dois rastreadores que estavam instalados em veículos de uso pessoal comprovando, através de registros, os percursos por ele utilizados nas dependências do governo e nos escritórios das empresas.

Além disso, entregou quatro HDs de computadores da Consultoria Projeto onde estavam registrados vários contratos e agendas, usadas para repasses de propinas de grandes empresários ao PT.

Antes mesmo de fechar o acordo de delação premiada, Palocci discorreu para a PF o que chamou de “pacto de sangue” entre Lula e a Odebrecht, dando a entender que a empresa financiava a compra de imóveis para o ex-presidente e bancava algumas de suas despesas pessoais. Sobre essa afirmação, Lula disse que Palocci inventou esse “pacto de sangue” para obter a sua liberdade, pois quem fez esse pacto foi ele, com os delatores.

Lula tentou posar de inocente sem, contudo, conseguir, O esquema de corrupção estava montado muito antes de o PT chegar ao poder, e isso é um fato incontestável. Assim que assumiu o governo, logo no primeiro mandato, Lula liberou os sindicatos de prestar contas do dinheiro recebido. Isso foi festivamente celebrado como “Whisky 12 anos”, além do apoio inconteste dessas entidades ao governo.

Por aí se vê que o final do governo petista não poderia ser outro. Alguns filiados sentiram-se no dever de deixar o partido, não sem antes publicarem o motivo da saída. Ninguém acreditava na existência de um esquema de corrupção que desse tanto prejuízo à nação.

Alguns membros históricos do partido tentaram refundá-lo. Promoveram, inclusive, um congresso nesse sentido. Outros disseram que o PT sofreu uma série de transformações que o descaracterizaram como partido político, pois, se por um lado tornou-se um partido eleitoralmente forte, por outro se transformou numa agremiação altamente corrupta.

Seja como for, vai ser muito difícil soerguer o partido como querem alguns dos seus fundadores, seja pelo fato de a agremiação ter apenas um único e solitário líder (já velho e preso), seja porque, infelizmente, se tornou uma máquina eleitoral que, segundo um dos seus respeitados membros, passou a consumir muito dinheiro, e que, somente “agora descobrimos que esse dinheiro, muito provavelmente, veio de fontes suspeitas”.

*Luiz Holanda é advogado e professor universitário.

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Sobre o autor

Luiz Holanda
Luiz Holanda é advogado e professor universitário, possui especialização em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (SP); Comércio Exterior pela Faculdades Metropolitanas Unidas de São Paulo; Direito Comercial pela Universidade Católica de São Paulo; Comunicações Verbais pelo Instituto Melantonio de São Paulo; é professor de Direito Constitucional, Ciências Políticas, Direitos Humanos e Ética na Faculdade de Direito da UCSAL na Bahia; e é Conselheiro do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/BA. Atuou como advogado dos Banco Safra E Econômico, presidiu a Transur, foi diretor comercial da Limpurb, superintendente da LBA na Bahia, superintendente parlamentar da Assembleia Legislativa da Bahia, e diretor administrativo da Sudic Bahia. E-mail para contato: [email protected]