Ministro Gilberto Kassab defende manutenção da TELEBRAS e vê lógica em levar ensino superior para a Ciência e Tecnologia

Gilberto Kassab disse que, se for ouvido, irá mostrar a importância da Telebras.

Gilberto Kassab disse que, se for ouvido, irá mostrar a importância da Telebras.

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (Mctic), Gilberto Kassab, se manifestou hoje (1º/11/2018) contrário à possibilidade de uma eventual extinção da Telebras, proposta que está sendo discutida pela equipe de governo do futuro presidente, Jair Bolsonaro.

“Se me ouvirem, vou mostrar a importância que a empresa tem para o Brasil. E tenho certeza de que, como este será um governo bem-intencionado, que buscará o melhor para o povo brasileiro, vai entender que o serviço que a Telebras está prestando e vai prestar, nenhuma outra instituição pública prestará”, disse o ministro, referindo-se aos ganhos que a empresa estatal passará a aferir com a gestão do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas, lançado ao espaço em maio de 2017, após o Tesouro investir quase R$ 3 bilhões no projeto.“Custo este que agora será recuperado com as receitas que a empresa vai ter”, acrescentou Kassab, ao participar, em Brasília, da comemoração pelos 21 anos da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

“Teremos serviços na Saúde, Educação, Agricultura, em todos os cantos do país. E ninguém [além da Eletrobras] está habilitado a fazê-los em curtíssimo prazo”, acrescentou.

Estratégica

Presente ao evento da Anatel, o presidente da Telebras, Jarbas José Valente, disse ainda não ter sido consultado por qualquer membro da equipe do futuro governo. Para ele, a estatal é estratégica por auxiliar na integração do país por meio das telecomunicações

“Para mim, a Telebras é uma empresa de Estado, estratégica para o governo.

Do ponto de vista de operar um equipamento importantíssimo e de levar serviços como a banda larga para localidades rurais, o que muda o país”, afirmou Valente.

Ele lembrou que a empresa também oferece ao Estado um serviço seguro de comunicações e conta com uma ampla rede de fibra óticas.

Valente acredita que, já na próxima semana, terá oportunidade de apresentar aos integrantes da equipe de transição os projetos da estatal.

Ensino superior para a Ciência e Tecnologia

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (Mctic), Gilberto Kassab, manifestou hoje (1º/11/2018) otimismo com a possibilidade de o futuro governo transferir para a pasta hoje sob sua responsabilidade a atribuição de cuidar do ensino superior.

A proposta de levar para o Mctic a responsabilidade de definir os critérios, parâmetros e políticas públicas para o ensino superior, ainda em estudo, faz parte da reestruturação ministerial cogitada pela equipe do  presidente eleito Jair Bolsonaro, que, ainda durante a campanha, prometeu reduzir o número de ministérios.

A equipe de governo estuda fundir os ministérios da Educação (que ficaria responsável pelo ensino básico, ou seja, pela educação infantil, fundamental e pelo ensino médio) com os da Cultura e dos Esportes, criando uma só pasta. O ensino superior, por sua vez, seria transferido para o Mctic, cujo futuro ministro, Marcos Pontes, foi anunciado ontem (31).

Para Kassab, “há lógica” em atrelar o estímulo ao desenvolvimento da ciência e da tecnologia à gestão do ensino superior público e privado. “Acredito que possa dar certo. Até porque as atribuições do Ministério da Educação serão ampliadas com a soma daquelas hoje vinculadas aos ministérios da Cultura e do Esporte”, disse Kassab ao participar, em Brasília, da comemoração pelos 21 anos da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Argumentação

“A pesquisa e a inovação estão muito atreladas ao ensino superior. [A proposta de transferir ao Mctic a responsabilidade pelo ensino superior] pode permitir ao Ministério da Educação jogar muito mais energia [atenção] para o ensino básico, bem como cuidar das novas atribuições”, acrescentou o ministro.

Perguntado sobre qual a melhor estrutura de governo para responder pela regulamentação, fiscalização e estímulo às comunicações, Kassab defendeu que seu sucessor à frente do ministério continue responsável pelo setor, ou que, se necessário, este seja transferido para o futuro Ministério da Infraestrutura, caso este se concretize.

“Diante do organograma que tenho visto, há lógica em manter as comunicações no atual ministério [Mctic]. Porque [as comunicações] têm sinergia com a internet das coisas; com a radiodifusão; com os planos digitais. Como também tem lógica [incluí-las] no Ministério da Infraestrutura”, concluiu o ministro, revelando a disposição de colaborar com o futuro governo e com seu provável sucessor, Marcos Pontes, a quem classificou como uma “pessoa inteligente, qualificada e com boa formação”.

Kassab disse ainda que, com o início do processo de transição, na próxima semana, apresentará sugestões e a situação das ações e projetos do Mctic à equipe do futuro governo.

“Todos os ministros teremos a oportunidade de transmitir nossas impressões, além de, evidentemente, nos colocar à disposição para apoiar os novos ministros da melhor maneira possível na transição. Para que, a partir de janeiro, eles possam começar os trabalhos da melhor maneira possível, sem nenhuma paralisação [da máquina pública]”, finalizou o ministro.

*Com informações da Agência Brasil.

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