Homen ”forte” de Bolsonaro já foi condenado por estelionato e por espancar mulheres | Por Sérgio Jones

Gulliem Charles Bezerra Lemos (Julian Lemos, PSL) foi nomeado membro da equipe de transição do Governo Bolsonaro.

Gulliem Charles Bezerra Lemos (Julian Lemos, PSL) foi nomeado membro da equipe de transição do Governo Bolsonaro.

O Estado da Paraíba já não é o mesmo, quem não se recorda da bravura das mulheres decantada em prosa e versos. E já foi até mesmo musicada tendo como um dos refrões, que ficou gravada na mente e coração de todos os brasileiros: “Paraíba mulher macho sim, senhor”. Ao que parece tal afirmativa ficou em passado longínquo, é um pálido reflexo que não se aplica a realidade atual. O integrante da equipe de transição Gulliem Charles Bezerra Lemos (Julian Lemos, PSL), recém-anunciada pelo presidente eleito Jair Bolsonaro, foi acusado três vezes e preso com base na Lei Maria da Penha, após denúncia de agressão à ex-esposa e a uma irmã.

O mais hilário, se não fosse trágico, é que se comenta nos bastidores local que após as agressões ele professava a seguinte frase: “não sei porquê estou batendo, mas elas sabem porque estão apanhando”. O deputado e amigo de primeira hora do Bozo, foi um dos coordenadores no Nordeste da campanha presidencial do PSL. Ele também foi condenado a um ano de prisão em primeira instância, em 2011, por estelionato. Mas o caso prescreveu antes de ser analisado pela segunda instância.

Segundo consta, em divulgações feitas por alguns segmentos da imprensa, dos três inquéritos de que o deputado eleito era alvo com base na Lei Maria da Penha, dois foram arquivados após a ex-esposa, Ravena Coura, apresentar retratação e narrou às autoridades que se exaltou “nas palavras e falado além do ocorrido”. Um terceiro, porém, segundo registros do Tribunal de Justiça da Paraíba, continua ativo. Os casos ocorreram em 2013 e 2016.

Na sua primeira aventura na “honorável prática” o deputado chegou a ser preso em flagrante depois de ter sido denunciado por Ravena, que contou ter sido agredida fisicamente e ameaçada por arma de fogo. Em 2016, ela voltou a procurar a polícia para registrar queixa contra o ex-marido, alegando que ele era “uma pessoa muito violenta” e que havia ameaçado ao proferir a seguinte frase: “Vou acabar com você, você não passa de hoje”.

Dando prosseguimento em sua acusação de agressão praticada pelo seu marido, Ravena, após seis meses entregou documento à Justiça afirmando que os dois episódios foram uma “desavença banal”, que o ex-marido era “um homem íntegro, honesto, trabalhador e cumpridor de todas as obrigações” e que ela o havia perdoado.

De acordo com a esposa surrada, com relação ao processo movido pela irmã não foi arquivado porque ela mora no exterior e ainda não compareceu para desistir oficialmente da ação.

Bolsonaro, como já era esperado, saiu em defesa de seu amigo ao sentenciar a seguinte pérola: que vários de seus aliados “deram suas caneladas, como o Julian Lemos aqui, e são pessoas que somam o nosso exército”. No tocante ao terceiro inquérito, que continua ativo, foi aberto em 2016, a pedido de Kamila Lemos, irmã de Julian. Que em depoimento prestado à polícia diz ter sido ofendida e agredida fisicamente pelo irmão, com murros e empurrões, ao tentar “apaziguar” uma briga entre ele e a ex-esposa. Laudo do Instituto Médico Legal comprovou que ela apresentava escoriações no pescoço, no ombro e no braço.

Outra patuscada, apresentada pelo deputado, partiu do presidente do PSL na Paraíba, em que aponta o envolvimento do indigitado deputado Julian no uso de uma certidão falsa fornecida pela empresa GAT Segurança e Vigilância, da qual era sócio, na assinatura de um contrato para prestação de serviços à Secretaria de Educação e Cultura da Paraíba, em 2004.

Mesmo diante desta ampla ficha criminal, ele em 2011 ele foi condenado a um ano de prisão em regime aberto. O mais curioso é que o crime prescreveu antes da análise em segunda instância. O que fica evidenciado é que a impunidade é um câncer que corrói o Brasil. Enquanto a justiça por aqui não deixar de ser uma peça de autoritarismo da sociedade, a impunidade continuará a imperar entre nós.

*Sérgio Antônio Costa Jones, jornalista e colaborador do Jornal Grande Bahia (JGB).

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