Governo Bolsonaro será uma incógnita, diz Jan Woischnik, diretor da Fundação Konrad Adenauer

Vice-presidente eleito Hamilton Mourão e Jair Bolsonaro, presidente eleito.

Vice-presidente eleito Hamilton Mourão e Jair Bolsonaro, presidente eleito.

O Brasil saiu das urnas mais polarizado e com uma forma de agressividade na discussão política que ainda não tinha sido vista no país, avalia Jan Woischnik, diretor da Fundação Konrad Adenauer (KAS) no Brasil, que lançou um relatório em que avalia a situação brasileira e pontua 12 motivos pelos quais o ex-capitão foi escolhido pelos brasileiros.

Em entrevista, Woischnik diz que a eleição do ex-capitão é resultado da “frustração profunda dos brasileiros com a política e a corrupção exposta pela Lava Jato” e que o governo Bolsonaro será uma incógnita, devido às mensagens radicais do passado e sinais, após a eleição, de que vai respeitar a Constituição e o Estado de Direito.

Que país saiu das urnas neste último domingo?

Jan Woischnik: Uma coisa é certa: o Brasil saiu das urnas mais polarizado e com uma forma de agressividade na discussão política que ainda não tinha sido vista no país. Uma parte dos eleitores apoia o presidente eleito e, a outra, o rechaça completamente. A questão menos certa é como será o governo Bolsonaro, já que o então candidato emitiu – antes e durante a campanha eleitoral – mensagens bastante radicais e, ao meu ver, surpreendeu positivamente ao fazer o seu discurso da vitória no domingo à noite dizendo que vai respeitar a Constituição, a democracia e o Estado de Direito. Pelo fato de as mensagens serem contraditórias, é uma incógnita como será o governo Bolsonaro a partir de 1º de janeiro.

No texto, você e a coautora escrevem até mesmo que o Brasil elegeu uma “caixa-preta”.

Usamos a expressão no relatório porque acreditamos que é muito difícil prever como Bolsonaro vai governar. Isso porque conhecemos todas as suas afirmações assustadoras que foram ditas no passado. Mas, por outro lado, o discurso da vitória no domingo e algumas decisões já tomadas – como a escolha de Paulo Guedes para o superministério da Economia – me surpreenderam positivamente.

Vocês indicam 12 possíveis explicações para a eleição de Bolsonaro. Qual seria o principal motivo e por quê?

Acredito que a principal razão é a frustração profunda dos brasileiros com a política e a corrupção exposta pela Operação Lava Jato, incluindo aí todas as investigações realizadas, sentenças proferidas por juízes e o número de deputados federais e senadores envolvidos neste maciço escândalo de corrupção. Bolsonaro é um produto dessa crise fundamental e frustração em que o país tem passado nos últimos anos.

Qual é o futuro daqui para frente de partidos tradicionais como PSDB, MDB e PT?

O futuro dessas legendas dependerá muito da capacidade de elas fazerem uma autoanálise para avaliar os erros das últimas semanas, meses e anos. A renovação, com o surgimento de novas lideranças, não aconteceu até agora. A situação política atual do Brasil não é necessariamente eterna e poderá mudar rapidamente nas próximas eleições. Esses partidos devem aproveitar esses anos entre as eleições para finalmente realizar as alterações necessárias.

Lula e o PT foram os perdedores dessas eleições?

Olhando os números, eu não diria que o PT foi um dos perdedores, porque o partido conseguiu chegar ao segundo turno e obteve uma quantidade expressiva de votos. Já Lula foi um dos perdedores deste último pleito, porque sua estratégia de se colocar como protagonista do PT por um longo tempo durante a campanha eleitoral não funcionou. O ex-presidente deveria ter indicado outro candidato na disputa muito mais cedo ou, até mesmo, não ter registrado sua candidatura. Talvez teria sido melhor [o PT] até mesmo nem ter lançado um candidato à Presidência nestas últimas eleições.

Qual é o futuro das relações entre a Alemanha e o Brasil de Bolsonaro?

Nós esperamos que a cooperação continue intensa e frutífera. Mas é possível que a Alemanha espere alguns meses, já que haverá muitas mudanças no Brasil, como novos projetos, ministros etc. Mas estou convencido de que Brasília continua sendo muito importante para Berlim. Porém, o respeito à democracia, aos direitos humanos e ao Estado de Direito são fatores muito importantes para a Alemanha e União Europeia e facilitaria a manutenção de uma cooperação de alto nível entre os dois países.

*Com informações da Agência Deutsche Welle Brasil.

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