Democratas conquistam maioria na Câmara dos Deputados EUA, em revés para o presidente Donald Trump

Bill de Blasio (Democrata), prefeito de Nova Iorque (New York).

Bill de Blasio (Democrata), prefeito de Nova Iorque (New York).

Democratas aproveitaram uma onda de insatisfação com o presidente dos Estados Unidos, o republicano Donald Trump, para conquistar o controle da Câmara dos Deputados, obtendo a oportunidade de bloquear a agenda de Trump e de colocar o governo norte-americano sob intensa fiscalização.

Nas eleições parlamentares de terça-feira, dois anos depois de chegar à Casa Branca, Trump e seus colegas republicanos ampliaram a maioria no Senado, após uma campanha divisória marcada por fortes embates sobre raça, imigração e outras questões culturais.

Entretanto, a perda da maioria na Câmara dos Deputados representou um amargo revés para o presidente, após uma campanha que se tornou uma espécie de referendo sobre sua liderança.

Com algumas disputas ainda não decididas, os democratas parecem a caminho de ampliar sua bancada em mais de 30 assentos, muito além dos 23 que precisavam para estabelecer sua primeira maioria na Casa de 435 membros em oito anos.

A nova Câmara dos Deputados terá a habilidade de investigar as declarações fiscais de Trump, possíveis conflitos empresariais de interesse e alegações envolvendo a campanha do presidente em 2016 e a Rússia.

Os deputados também poderão forçar Trump a reduzir suas ambições legislativas, possivelmente condenando ao fracasso as promessas do presidente de construir um muro na fronteira com o México, de aprovar um segundo grande pacote de cortes fiscais e de aplicar mudanças nas políticas comerciais.

Uma maioria simples na Câmara seria suficiente para abrir um processo de impeachment contra Trump se surgirem evidências de que ele obstruiu a Justiça ou de que sua campanha de 2016 conspirou com a Rússia. Entretanto, o Congresso não pode removê-lo do cargo sem a aprovação de dois terços do Senado, que é controlado pelos republicanos.

A nova Câmara dos Deputados pode estar planejando lançar uma investigação usando os resultados do inquérito do procurador especial Robert Mueller sobre alegações de interferência Rússia a favor de Trump na eleição presidencial de 2016. Moscou nega ter interferido na votação e Trump nega qualquer conspiração.

“Graças a vocês, amanhã será um novo dia nos Estados Unidos”, disse a líder democrata na Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, a uma multidão de apoiadores em uma festa de vitória em Washington.

“Nós teremos a responsabilidade de chegar a um consenso quando conseguirmos, e de defender nosso posicionamento quando não conseguirmos”, disse Pelosi.

Apesar de perder a maioria na Câmara dos Deputados, Trump escreveu no Twitter: “Sucesso tremendo hoje à noite”.

No Senado, onde democratas estavam defendendo assentos em 10 Estados onde Trump venceu em 2016, os republicanos derrotaram quatro democratas em exercício: Bill Nelson (Flórida), Joe Donnelly (Indiana), Heidi Heitkamp (Dakota do Norte) e Claire McCaskill (Missouri), desta forma ampliando sua liderança na Casa.

*Por John Whitesides, da Agência Reuters.

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia).