Com ameaças do extremista Jair Bolsonaro, Cuba deixa programa Mais Médicos

Dilma Rousseff durante cerimônia de celebração de 2 anos do programa 'Mais Médico'.

Dilma Rousseff durante cerimônia de celebração de 2 anos do programa ‘Mais Médico’.

Em resposta às ameaças do presidente eleito Jair Bolsonaro, o governo cubano decidiu acabar com a parceria nos Mais Médicos – programa lançado em 2013 por Dilma Rousseff e que atende mais de 63 milhões de brasileiros. Cerca de 8,5 mil profissionais devem deixar o país.

O Ministério de Saúde Pública do país caribenho formalizou a decisão nesta quarta (14/11/2018) por conta das declarações ‘depreciativas’ de Bolsonaro e condições ‘inaceitáveis’ que ele exige para continuar investindo no programa nos próximos anos.

Bolsonaro quer que os médicos só possam atuar com diploma revalidado e sob contrato individual. Também questionou a competência desses profissionais, exigindo que eles façam “testes de capacidade”, conforme advogou no Twitter. Em agosto, ainda em campanha, ele declarou que ele “expulsaria” os médicos cubanos.

Em nota, Cuba reforça que não aceitará “que se ponha em dúvida a dignidade, o profissionalismo, e o altruísmo” dos profissionais cubanos. Em cinquenta anos, informa o governo, mais de 400 mil profissionais participaram de missões internacionais em 164 países, como na luta contra a ebola na África.

“Na grande maioria das missões cumpridas, as despesas foram assumidas pelo governo cubano (…) O povo entenderá sobre quem cai a responsabilidade de que nossos médicos não possam continuar oferecendo sua ajuda solidária nesse país.”

Mais Médicos revolucionou acesso à saúde

É mentira que os médicos vindos de Cuba ‘tomaram’ vagas dos brasileiros. Desde o início, esses profissionais só atendiam cidades onde não havia interesse de brasileiros. Pelas regras do programa, médicos brasileiros têm prioridade na seleção, seguidos de brasileiros formados no exterior, outros estrangeiros e, por último, os cubanos.

Atualmente, os doutores cubanos são 47% dos profissionais que atuam no Mais Médicos. Esse número chegou a 88% nos anos iniciais.

A região amazônica e as pequenas cidades do Norte e do Nordeste serão as mais prejudicadas. Em 1100 municípios, toda a atenção básica era feita pelo Mais Médicos. E 700 cidades tiveram médico pela primeira vez graças ao programa.

“É isso que acontece quando se colocar o espírito da guerra na frente dos interesses do povo que mais sofre e mais preciso. É um dia triste para a saúde pública”, afirma o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, criador do programa.

O Mais Médicos tem aprovação recorde: 95% dos usuários consideram o programa bom ou muito bom em 2016. Mais de 80% disseram que a qualidade do atendimento do SUS melhorou após a chegada dos cubanos.

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