UFRB abre semestre letivo 2018.2 com aula magna da psicanalista Maria Rita Kehl

Na tarde desta quinta-feira (04/10/2018), a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) recebeu a psicanalista, jornalista e escritora Maria Rita Kehl para a Aula Magna de abertura do semestre letivo 2018.2. O evento aconteceu na Biblioteca do Campus de Cruz das Almas e reuniu a comunidade acadêmica interessada no debate sobre “Sociedade e Depressão: Sintomas, Atualidades, Afetos e Política”.

Kehl iniciou sua fala abordando a relação do sujeito psíquico com o tempo. Ela destacou que, desde sempre, somos seres temporais, mas o modo como sentimos o passar do tempo é uma construção social. “Quando a vida vira uma sucessão de tarefas sem um sentido maior é como se você se robotizasse. Você não tem mais uma experiência das coisas, vira só um consumidor, sempre no afã de novidades e sem juízo crítico”, disse a psicanalista, ao analisar a temporalidade na sociedade contemporânea.

Para ela, a satisfação do sujeito deve estar também na vivência do tempo vazio. “O prazer não é só quando a coisa vem, o prazer de esperar algo está ligado ao nosso prazer de fantasiar. O sujeito se potencializa no tempo de espera em que precisa inventar algo. Daí, o tempo da expectativa também passa a ser um tempo prazeroso”, defendeu.

Num outro ponto da exposição, Kehl ressaltou que quando as pessoas se sentem despossuídas de potência para construir suas vidas, de forma que faça sentido e que tenham prazer, começam a se fascinar com a ostentação da vida alheia. “As pessoas começam a se fascinar com os privilégios dos outros, sem se darem conta de que só têm privilégio porque destituíram de alguém”, disse.

Ao final, ela observou que estamos vivendo, hoje, um momento de certa depressão. “Não total evidentemente, porque temos luta, temos esperança, mas na nossa perda de poder, no nosso desempoderamento, inclusive pela via política, nós começamos a nos fascinar com quem ostenta poder de uma forma violenta e assustadora”, afirmou, destacando que se sentia à vontade em tratar dessas questões na Federal do Recôncavo, pela história recente de conquista da instituição.

Responsável pelo encerramento do evento, o reitor Silvio Soglia agradeceu as contribuições de Maria Rita e defendeu que o momento político e social do país exige reflexões profundas. “Universidade é para isso, não é para falar de coisas banais. Na ciência, é para ir fundo, buscar alcançar o maior conhecimento científico e tecnológico; na educação, buscar pelas melhores práticas educacionais visando o engrandecimento do indivíduo na sua essência”, disse.

“A Universidade não é apenas para formar o profissional, queremos uma sociedade que reflita, que pense, que reflita, que decida e que transforme. Recebemos aqui uma aula de como fazer isso coletivamente”, completou o reitor.

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