Sumiço de jornalista vira crise diplomática

Jamal Khashoggi durante evento promovido pelo Middle East Monitor em Londres, no dia 29 de setembro de 2018.

Jamal Khashoggi durante evento promovido pelo Middle East Monitor em Londres, no dia 29 de setembro de 2018.

Jamal Khashoggi, jornalista saudita crítico ao governo de Riad, está desaparecido desde o dia 2 de outubro de 2018, depois que entrou no consulado de seu país em Istambul.

Além de o caso estar repercutindo na Turquia e na Arábia Saudita, outros países se manifestaram, entre eles os Estados Unidos.

Veja o que se sabe até agora sobre o caso

Quem é Jamal Khashoggi?

Khashoggi sempre foi próximo da elite e dos príncipes sauditas, mas era um jornalista crítico do regime. Ele vem de uma família conhecida no país. Seu avô era o médico do rei Abdulaziz Al Saud, que fundou o reino.

Nos anos 90, trabalhou como correspondente internacional cobrindo países como o Afeganistão, Algéria, Sudão e países do Oriente Médio. Durante esse tempo, entrevistou diversas vezes o terrorista Osama bin Laden. Nos últimos anos trabalhava como comentarista político e aparecia em canais árabes e internacional.

Em 2017 ele decidiu mudar para os Estados Unidos, temendo por sua segurança, depois que o príncipe Mohammed bin Salman começou a combater dissidentes sauditas. Ele tinha cidadania americana e colaborava para o jornal “The Washington Post”.

O que aconteceu com ele?

No dia 2 de outubro, Khashoggi foi ao consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia, para pegar um documento para se casar com a sua noiva turca, enquanto ela ficou esperando na porta. Uma imagem de câmera de segurança mostra ele entrando no prédio do consulado.

A polícia turca diz que não há registro da saída dele e autoridades turcas dizem que suspeitam que ele foi assassinado dentro do consulado. A Arábia Saudita diz que ele saiu do prédio, mas não forneceu evidências.

Como andam as investigações?

Uma delegação da Arábia Saudita foi à Turquia para se reunir com as autoridades locais e discutir o caso. Segundo o presidente americano Donald Trump, investigadores dos EUA também estão envolvidos.

O jornal americano “Washington Post” disse que há provas do que aconteceu com Khashoggi, mas elas ainda não foram divulgadas. Segundo o jornal, 15 sauditas desembarcaram em Istambul no dia 2 de outubro e estavam dentro do consulado quando o jornalista desapareceu. Eles teriam deixado o país em um avião de uma empresa de Riad.O “Wahsington Post” e o “The Sabah”, turco, citam a existência de uma gravação de áudio que mostraria como o jornalista saudita Jamal Khashoggi foi interrogado, agredido e morto no local.

O “The Sabah”, que tem publicado informações vazadas por autoridades de segurança da Turquia, afirma que o arquivo de áudio foi gravado pelo Apple Watch de Khashoggi e foi recuperado pelo seu iPhone, que tinha ficado com a sua namorada fora do consulado, e pela sua conta no iCloud.

O que diz a Turquia?

O presidente turco Recep Tayyip Erdogan disse que está “preocupado” com o caso e desafiou o regime saudita a provar que o jornalista saiu do consulado. “Se sair um mosquito (do consulado), seus sistemas de câmera vão interceptar”, afirmou aos jornalistas a bordo do voo que o trazia de uma visita a Budapeste.O ministro britânico das Relações Exteriores, Jeremy Hunt, advertiu que as autoridades sauditas se expunham a “sérias consequências” em caso de responsabilidade no desaparecimento, ou possível assassinato do jornalista.

O que dizem os Estados Unidos?

Inicialmente, Trump pediu explicações à Arábia Saudita, aliado tradicional dos Estados Unidos com o qual a administração Trump estreitou ainda mais os vínculos. Nesse fim de semana, Trump subiu o tom e ameaçou infligir “severa punição” se as investigações provarem que o príncipe saudita foi o mandante do suposto crime. Mas disse que preferia evitar sanções econômicas.

O que diz a Arábia Saudita?

A Arábia Saudita classifica a acusação de que o jornalista foi morto no consulado como “infundada” e “mentirosa”. O reino autorizou as buscas no local.

No fim de semana, em uma aparente resposta a Trump, o reino divulgou um comunicado rejeitando qualquer ameaça de sanções e dizendo que vai contra-atacar em caso de medidas hostis.

Segurança sai do consulado da Arábia Saudita em Istambul — Foto: Petros Giannakouris/ AP Photo

Quem mais se manifestou?

O secretário-geral da ONU, António Guterres, exigiu “a verdade” sobre o desaparecimento de Khashoggi A porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos disse que se a morte for confirmada será algo chocante.

A União Europeia cobrou uma investigação completa sobre o caso. Alemanha, Grã-Bretanha e França emitiram um comunicado conjunto pedindo às autoridades sauditas e turcas que instaurem uma “investigação confiável” e dizendo que estão tratando o incidente com “extrema seriedade”.

*Com informações do G1 e Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional).

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