Salvador: Teatro Gamboa Nova anuncia programação para o Novembro Negro

Cartaz anuncia programação para o Novembro Negro no Teatro Gamboa Nova.

Cartaz anuncia programação para o Novembro Negro no Teatro Gamboa Nova.

Em novembro de 2018, a presença negra na cultura e nas artes toma a centralidade da pauta no Teatro Gamboa Nova, localizado em Salvador. A capa da programação, assinada por Adeloyá Magnoni, representa a Medeia Negra de Marcia Limma, seu corpo bárbaro, atemporal e negro.

Na música, a nigeriana Okwei, a Orquestra de Berimbaus Afinados Dainho Xequerê, George Christian, DNA Urbano, Denise Correia e NaVeiadaNêga, além do clipe do Rajada de Consciência, grupo de rap do Engenho Velho de Brotas.

Jorge Cammarano assina a exposição Enegrarte, com apoio da fotógrafa Fátima de Souza. Um bate-papo especial de Filósofxs Negrxs, com Alan Silva dos Santos (Alan de Barros), Celeste Costa, Fabrício Brito, Itana Santana e Ítalo Adriano.

V de Viado, solo de Vagner de Jesus, e o olhar teatral sensível sobre os negros periféricos e sua eliminação. Uma forma de declarar resistência na ocupação de espaços, inclusive na arte.

Em memória ao Mestre Moa do Katendê, o Teatro Gamboa Nova celebra a vida de Leno Sacramento, e demais artistas transformadores do agora.

Confira a programação:

Música

Secretos Universos (ao vivo) – George Christian

Espetáculo voltado à aventura da experimentação e dos universos sonoros, que terá como foco tanto a música acústica, em canções e peças instrumentais, quanto a música de livre-improvisação eletroacústica de George Christian, com a presença de variados convidados musicais.

Trata-se de um show que procurará transportar ao vivo a pesquisa do álbum de mesmo título. Cada evento será uma experiência única, onde estarão presentes as projeções sonoras eletrônicas preparadas por Christian, além das projeções visuais da artista plástica Isabela Seifarth, que foi também responsável pela parte gráfica do álbum.

O evento será não somente para estrear o álbum eletroacústico Secretos Universos, mas também para promover o álbum colaborativo Kaiju Sama, feito com a banda avant-experimental Suzana’s Bauten. Ambos serão lançados pelo selo GC Sound Artifacts, sendo o último uma parceria com o selo Sattvaland Records.

Desde 2008, paralelamente aos compromissos profissionais e acadêmicos, George Christian manifesta interesse tanto pelo registro de suas canções quanto, também, pela música instrumental – tendo peças escritas basicamente para conjuntos de câmara, solo (para violão elétrico) e algumas obras acusmáticas. Já lançou uma discografia de 18 álbuns virtuais, além de ter participado de compilações e colaborado virtualmente com variados artistas.

Quando: 1º, 8,15, 22 e 29 de novembro (quinta-feira), às 19 horas

Duração: 60 minutos

Classificação: 14 anos

Uma Corda, Vários Sons – Orquestra de Berimbaus Afinados

Uma equipe com grandes artistas e com mais de 10 pessoas e instrumentos ocupando o palco. Por mais um ano, a Orquestra de Berimbaus Afinados Dainho Xequerê está no Gamboa Nova, agora durante o Novembro Negro, que vai celebrar o mês da Consciência Negra, homenageando Moa do Katendê.

Serão quatro apresentações, de 2 a 23 de novembro (sextas), sempre às 19 horas. A proposta do espetáculo é mostra a riqueza harmônica e melódica dos berimbaus, com acordes exatos dentro do campo harmônico de cada tonalidade. Os arranjos musicais como um violão ou contra baixo, desenvolvem nova visibilidade ao conceito do instrumento, com a utilização de afinadores, corda de piano, pedaleira com efeitos, adaptadores para afinação e leitura de partituras.

A Orquestra vem executando músicas de domínio público cantadas em rodas de capoeira, músicas populares de artistas renomados como Luiz Gonzaga, Gilberto Gil, Carlinhos Brown, Bob Marley entre outros, músicas com arranjos autorais, hinos e clássicos, interagindo com a plateia através de ritmos brasileiros e afro brasileiros.

Visualmente, são exploradas texturas de tecidos da Guiné Bissau, Senegal, cabaças, além de figurinos fortes. Além disso, o espetáculo Uma Corda, Vários Sons também conta com poemas negros e uma bailarina especializada nos ritmos propostos.

Quando: 2,09,16, 23 de novembro (sexta-feira), às 19 horas

Duração: 60 minutos

Classificação: livre

Festa AfrikaJump, um show dançante – Okwei Odili e banda Aweto

A nigeriana Okwei Odili e a Banda Aweto! vão invadir o Teatro Gamboa Nova durante o Novembro Negro. Todos os sábados, às 19 horas, uma homenagem ao passado e presente histórico da música negra, com os estilos afrobeat, hip hop, soul, reggae e de raízes africanas, na companhia de músicos convidados e cantores como Vivi Akwaaba, Joh Ras, Teekay Tha Newborn e Fabiana Rasta.

A Festa AfrikaJump – Um Som Dançante, reunirá nomes da música de Salvador como Lalo Aleman, Matias Traut, Riam Santos, Felipe Guedes, Laura Cardoso, Fernando Isaia, Bruno Almeida e Normando Mendes, além da experiência artística e musical da cantora.

Okwei Odili é de Lagos, se apaixonou pelo Brasil quando foi selecionada pela UNESCO, em 2013, para viver e criar no Instituto Sacatar em Itaparica. Em sua estada de dois meses inspirou a formação da Ifa Afrobeat, a primeira e uma das mais importantes bandas Afrobeat da Bahia, eleita Revelação em 2015 no Prêmio Caymmi.

A artista voltou ao Brasil e criou sua banda Aweto, que grava atualmente um disco.  Fora do país já foi o vocalista principal de Ayetoro, uma banda Afrobeat/Jazz da Nigeria e Londres. Trabalhou e colaborou com vários músicos talentosos de diferentes partes do globo e ganhou alguns prêmios por seu trabalho com arte e instituições de caridade para crianças e jovens.

Quando: 3, 10, 17 e 24 de novembro (sábado), às 19 horas

Duração: 90 minutos

Classificação: 16 anos

Africa Echoes, o Som da África na Bahia – DNA Urbano

Primeiro álbum da banda DNA Urbano, Africa Echoes – O Som da África na Bahia percorre os caminhos da afrodescendência em um trabalho de exaltação à negritude. O show acontece durante o Novembro Negro do Teatro Gamboa Nova, no GamBoaMúsica Pôr do sol, todos os domingos, às 17 horas.

Trata-se de um conjunto músicas calcadas em ritmos de matriz afro-baiana como ijexá, agabi, ilú, samba reggae, entre outros; em fusão com o jazz. As letras das canções, todas autorais, tem como foco a ancestralidade e questões sociais contemporâneas. A DNA Urbano apresenta nesse seu primeiro disco um autêntico som afro-urbano-baiano.

A banda é formada por Sergio Rocha, Genaldo Novaes, Tonynho dos Santos, Alissa Sanders, Fernanda Farani, Marcelo Rocha, Jair Rocha e Neydson (Sapão) Nevile. Já se apresentou no Carnaval nos Bairros de Salvador, Espaço Cultural da Barroquinha, Senzala do Barro Preto (Ilê Aiyê), Largo Thereza Batista, Teatro UNEB, Fórum Social Mundial – UFBA, entre outros.

O primeiro clipe da banda, Diyng To Be Free, lançado em 2017, contabiliza mais de 50 mil views no Facebook e ultrapassou os 8 mil views no canal da banda no YouTube no link: https://goo.gl/FGcWyg. A direção e edição são assinados por Isbela Faria, diretora do longa “Del sur pal Norte”, sobre a turnê do grupo Čao Laru na América Latina – longa exibido no Panorama de Cinema (2017).

Quando: 4, 11, 18 e 25 de novembro (domingo), às 17 horas

Duração: 70 minutos

Classificação: livre

Black Tudo – Denise Correia e Banda NaVeiaDaNêga

Acontece no Teatro Gamboa Nova, nos dias 7 e 14 de novembro, sempre às 19 horas, o show Black Tudo, com a atriz e cantora Denise Correia e Banda Naveiadanêga. As apresentações fazem parte das comemorações do Dia da Consciência Negra, celebrada no dia 20 de novembro e integram a programação do Teatro Gamboa Nova para o Novembro Negro.

O show visita canções de compositores negros, trazendo para o palco o soul, o jazz, o reggae, além da música black brasileira de Ed Motta, Luís Melodia, Tim Maia, entre outros compositores. Denise usa a sua voz para celebrar a cultura negra e provocar a discussão sobre preconceito e racismo dentro da música na Bahia. As apresentações contarão ainda com intervenções de Preto Jhoy que recitará versos e poesias de sua autoria, questionando o lugar do negro no cenário político, social e econômico do país.

Com dez anos de estrada, a Banda teve o nome inspirado na canção ‘Na veia da nêga’, do músico Jairzinho. No seu repertório, clássicos imortalizados por artistas como Bob Marley, Aretha Franklin, Zezé Mota, Elza Soares, Nina Simone, entre outros. Denise foi aluna da produtora e diretora Chica Carelli e participou de inúmeras montagens da Arte Sintonia Companhia de Teatro. Desde então, coleciona peças e indicações em importantes premiações de Teatro na Bahia, por sua versatilidade no palco como cantora e atriz.

Quando: 7 e 14 de novembro (quarta-feira), às 19 horas

Duração: 60 minutos

Classificação: livre

Teatro

V de Viado – do Núcleo Ubuntu com Vagner de Deus e direção de Leno Sacramento

No palco, o ato poético de Vagner Jesus dá (re)existência à bixa preta, Victor. A cena é uma celebração à vida e a continuidade das ancestrais e suas rotas de luto e luta para serem livres, sem medo de sonhar. Em cartaz durante o Novembro Negro do Teatro Gamboa Nova, o mês da Consciência Negra, que homenageia o capoeirista morto Moa do Katendê e o diretor do espetáculo, sobrevivente, Leno Sacramento.

Outros futuros para as bixas pretas, onde V de Viado é um ritual sensível, com direito a close, glitter, riso e grito, pela recuperação das humanidades usurpadas pelas políticas de eliminação. Cada ofensa e cada julgamento atribuídos por serem pretos e viados, bixas pretas, se dissolvem nas afetividades, no autocuidado e no amor.

“Nos vemos diante do espelho, recompomos nossas identidades a partir da imagem e continuamos. Seguimos.” – explica Vagner, num convite a (re)existir com seu ato estético e ético. “Convite a estar em cena, dentro e fora do teatro, sendo e estando quem se é, sem medo de sambar, sonhar e sorrir”.

Quando: 21 e 28 de novembro (quarta-feira), às 19 horas

Duração: 60 minutos

Classificação: 14 anos

Bate-papo

Filósofxs Negrxs – Pensamento e Vida

Bate-papo entre filósofos e filósofas negras de Salvador, acontece no dia 30 de novembro, às 18:30 horas, no esquema pague o quanto puder, e encerra as comemorações do Novembro Negro do Teatro Gamboa Nova, sob produção e cobertura da ativista Adeloyá Magnoni.

“Em algum momento eles vão lembrá-lo que você é negro”, cita Frantz Fanon, mesmo que esse negro seja médico, artista ou filósofo, ainda existe uma maior visibilidade da filosofia branca, masculina e eurocêntrica. Pretende-se, então, tensionar os trejeitos mofados, convidando a repensar a filosofia a partir de outro lugar/olhar: mais preto, equânime e imbricado com a atualidade.

Para isto, no palco do Teatro Gamboa Nova, estarão Alan Silva dos Santos (Alan de Barros), Celeste Costa, Fabrício Brito e Itana Santana, com mediação de Ítalo Adriano, que ainda palestrará brevemente sobre filosofia africana. Todxs filósofxs negrxs da Bahia, trazendo suas pesquisas, vivências, conhecimentos e inquietações.

A verba arrecadada será revertida para uma ação do Movimento de Teatro de Rua da Bahia, com a população em situação de rua de Salvador.

Quando: 30 de novembro (sexta-feira), às 18:30 horas

Duração: 90 minutos

Classificação: 15 anos

Exposição

Enegrarte de João Cammarano

Em cartaz no Novembro Negro do Teatro Gamboa Nova, a exposição Enegrarte, do artista Jorge Cammarano, tematiza as múltiplas dimensões da realidade social, focada do ponto de vista do trabalho e de suas relações e mediações com classe, raça e gênero. A visita aos desenhos é gratuita, das 16 às 19 horas de quarta-feira a sábado e das 15 às 17 horas aos domingos.

“A produção apresentada traceja seu enredo na esteira da prática social e da prática de refletir sobre a prática, na perspectiva de transformar o impossível em possível. Para isso, trama limites, impasses e desafios intrínsecos ao processo de busca pela criação” – explica Cammarano. Hoje, instigado pela luta contra a barbárie, em suas inúmeras feições, ele decide compartilhar parte desta busca. Propõe-se, por meio de cores, formas luzes e sombras, esboçar possibilidades de subjetiva e objetivamente, problematizar a razão de ser histórica da realidade em curso.

Misturar cores, aquarelar contornos, tensionar luzes e sombras, refletir sobre a vida que não suporta molduras, censuras, mordaças. Registrar momentos de estranhamento, de seres escravizados, de sonhos roubados, de caminho sem começo, da pincelada do avesso. Humanizar a vida, vasculhar o tempo, escutar silêncios e discernir incômodos. Compartilhar, dialogar, aprender.

O artista Jorge Luis Cammarano (sobrenome paterno) González (sobrenome materno) nasceu num bairro periférico: Nuevo Paris, na cidade de Montevideo – Uruguai. Desenhista mecânico, alfabetizador, professor, sociólogo, pesquisador; pai de Mariana, Maíra e Raul, avô de Cauã, companheiro de Fátima, postulante a artista plástico e a poeta. Chegou à cidade de Salvador em 2017.

Adota a pintura e o desenho desde sua infância, sobre a influência paterna e de alguns tios com projeção nas artes plásticas no Uruguay. As técnicas utilizadas nesse itinerário são a tinta a óleo, a tinta acrílica, o carvão, a caneta esferográfica e o lápis aquarela. Outra vertente de seu processo criativo é a poesia, constitutiva de uma travessia que remete aos anos de 1970 e converge até o momento presente na espera de se tornar socializada.

Quando: 1º a 30 de novembro, das 16 às 19 horas (quarta-feira a sábado), e das 15 às 17 horas (domingo)

Classificação: livre

Cinema

Clipe Nois vai te Pegar – Rajada de Consciência

O Rajada de Consciência é um grupo de Rap formado por Gabriel Bispo, Julia Marquesa Dj Maninho, Carlos Rafael e Polly Castro. A composição e vocal são compartilhados por Gabriel e Júlia e embalados pela discotecagem do Dj Maninho. Os registros fotográficos são realizados por Poly Castro e Carlos Rafael, que junto ao Gabriel, assumem as demandas de produção.

Com este trabalho de literal organização periférica, lançaram o Nois Vai Te Pegar, clipe representando a cena de Salvador, ‘mostrando a vivencia através de um sorriso sofrido e letras rabiscadas a sangue’. O vídeo será exibido sempre antes das apresentações do Novembro Negro, o Mês da Consciência Negra do Teatro Gamboa Nova.

O grupo foi fundado por Gabriel Bispo, tendo início em agosto de 2017, ocupando o Bairro do Engenho Velho de Brotas. Foi criado apostando na premissa de que o Conhecimento e Arte são instrumentos para a transformação de um povo e que, através do Rap, jovens podem questionar, sobretudo, as suas próprias perspectivas e expectativas de vida.

Além de shows e participações em eventos em diversos bairros de Salvador e Região Metropolitana, o Rajada realiza oficinas formativas que têm o Rap como linguagem norteadora, em parceria com entidades educativas do Terceiro Setor, escolas e associações. Também são realizadas pelo grupo edições do Rajada Cultural, um encontro entre diversos grupos e artistas da Cena Hip-Hop da Capital e região, estreitando os laços entre as comunidades e movimentos da cidade, bem como ocupando o Parque Solar Boa Vista, local onde o evento é sediado.

Quando: 1º a 30 de novembro, às 19 horas (quarta-feira a sábado), e às 17 horas (domingo), antes das apresentações

Classificação: livre

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