Quanto custa um simples prato de comida nas regiões mais pobres do mundo?

Em algumas regiões do Sudão do Sul, há cada vez mais pessoas a sobreviver com apenas uma refeição por dia.

Em algumas regiões do Sudão do Sul, há cada vez mais pessoas a sobreviver com apenas uma refeição por dia.

Um novo estudo do Programa Mundial de Alimentos, PMA, propõe que as pessoas reflitam sobre quanto pagam por um prato de comida na região onde vivem, e quanto a mesma refeição custaria num país em conflito, como o Sudão do Sul, por exemplo.

O relatório “Contando os Feijões – o Verdadeiro Preço de uma Prato de Comida pelo Mundo”, mostra que cada vez mais os alimentos se tornam inacessíveis em locais afetados por conflitos ou pela instabilidade política.

O estudo pesquisou 52 Estados em desenvolvimento e foi publicado neste 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação. O objetivo é dar uma noção para as pessoas que vivem em países ricos, do quanto eles precisariam gastar em relação ao salário que ganham se morassem em alguma das regiões mais pobres do mundo.

A conclusão é de que em vários países, o alto custo da comida está colocando a esperança de uma refeição nutritiva fora do alcance de milhões de pessoas.

Conflitos

Quem vive em Nova Iorque, por exemplo, pode encontrar uma refeição simples por até U$1,20. Nesta cidade, uma pessoa poderia gastar apenas 0,6% da sua renda diária para comprar os ingredientes necessários para fazer um ensopado simples de feijão. Já no Sudão do Sul, país que já vive cinco anos de conflito e teve a pior colocação na pesquisa, a mesma refeição custaria 201% da renda diária da pessoa, equivalente à quase de US$350.

Um residente do nordeste da Nigéria pagaria pela mesma refeição mais de US$ 200 e um morador do Iêmen teria que gastar mais de US$ 62. O PMA diz que a fome é uma ameaça iminente nos três países e regiões, onde o alto custo dos alimentos segue a trajetória dos conflitos.

Para muitas pessoas destas nações, sobreviver não seria possível sem a assistência do Programa Mundial de Alimentos.

Cálculos

Para chegar a esta conclusão, a pesquisa utiliza médias per capita idênticas e calcula a porcentagem que uma pessoa precisaria gastar do seu salário para comer uma refeição de 600 calorias.

Seguindo este tipo de cálculo, o relatório indica que a acessibilidade aos alimentos melhorou deste o último estudo de 2017. Entre os fatores que podem ter ajudado estão um forte crescimento econômico, maior estabilidade e um boa temporada de chuvas.

Mesmo assim, o custo dos alimentos ainda tem uma grande desproporção em relação às rendas de pessoas entre países diferentes. Isso acontece na maior parte da África, assim como em regiões da Ásia e em menor grau, na América Latina.

Moçambique

Dos países lusófonos, apenas Moçambique consta do estudo. Apesar do valor de uma refeição simples ter caído em relação à pesquisa do ano passado, custando agora US$ 54,94, o país ficou entre as 10 nações com pior colocação no relatório.

De acordo com o PMA, Moçambique conseguiu diminuir os índices de fome desde o fim da guerra civil no final do início do ano de 1990. Porém, o país ainda continua a ser uma das nações mais pobres do mundo.

Cerca de 80% da população moçambicana não tem acesso a uma dieta adequada e quatro entre 10 crianças abaixo de cinco anos apresentam atraso no crescimento devido à desnutrição.

Entre os países pesquisados, o Peru é o que tem o prato de comida mais em conta entre os países que não são ricos. Um cidadão peruano pode comprar uma refeição simples com 1,6% da renda per capita, o que equivale a US$ 3,44.

Choque

Para o diretor executivo do Programa Mundial de Alimentos, David Beasley, “alimentos acessíveis e sociedades pacíficas andam de mãos dadas, mas milhões de irmãos e irmãs não têm nenhum deles, e a presença de conflitos perto deles torna praticamente impossível cozinhar uma simples refeição.”

Beasley acrescentou que os números da pesquisa deveriam “chocar e indignar todas as pessoas.” Para o chefe do PMA, é preciso fazer o possível para reduzir os conflitos e reconstruir as economias, para os mercados e comunidades possam prosperar.”

*Com informações da ONU News.

Compartilhe e Comente

Redes sociais do JGB

Faça uma doação ao JGB

Publicidade

Publicidade

+ Publicações >>>>>>>>>

Manchete

Colunistas e Artigos

Sobre o autor

Redação
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: [email protected]