Museu de Arte Moderna da Bahia abre exposição de Mestre Didi

Cartaz da exposição 'Mestre Didi - Ancestralidade e resistência'.

Cartaz da exposição ‘Mestre Didi – Ancestralidade e resistência’.

As histórias das irmandades negras católicas no Brasil escravagista, e da reconstrução da religião vinda da África, dando origem ao que veio se tornar o Candomblé no Brasil, se cruzam mais uma vez. A capela do Museu de Arte Moderna da Bahia abre, nesta quinta-feira (18/10/2018), às 19 horas, a exposição Mestre Didi – Ancestralidade e Resistência, apresentando uma narrativa de continuidade através da manutenção da cultura negra e da preservação de identidade. A curadoria é de Thaís Darzé. A exposição permanece para visitação de terça-feira a domingo, das 13 às 18 horas.

Durante os quatro primeiros séculos da história brasileira, as irmandades católicas assumiram um importante papel na construção da identidade nacional. Estas instituições já existiam na Europa desde o século XIII, foram introduzidas no Brasil pelos portugueses. Inicialmente, utilizavam a cor da pele e a nação de origem como critérios de distinção e aceitação, então havia as irmandades de brancos, mulatos e de pretos. O aparecimento das irmandades negras no Brasil escravista nasce como um acontecimento que proporciona a população negra e mestiça um lugar de expressiva autonomia.

Fazer parte dessas instituições religiosas concedia aos negros notoriedade, cidadania, certa segurança e prestígio social. Dessa forma, são as irmandades negras o veículo possível de difusão de valores étnicos e de resistência cultural dos africanos e afrodescendentes num país de regime escravocrata. Sem esquecer a dura poesia do povo negro da Bahia, Mestre Didi não romantiza, apresenta a cultura brasileira nas suas matrizes, e as apresenta enquanto realidade transfigurada dos objetos ritualísticos de seu culto para uma linguagem contemporânea e universal.

Seu ponto de partida são os quatro Orixás do Panteão da Terra. Esses orixás são: Obaluaiê, que representa o princípio masculino do Panteão da Terra, filho abandonado por Nanã e adotado por Yemanjá, deus da varíola, das doenças contagiosas e da cura. Por isso, esconde o segredo da vida e da morte; Nanã Buruku, que é o princípio feminino, divindade muito antiga das chuvas, dos mangues, do pântano, da lama, senhora da morte, e responsável pelos portais de entrada (reencarnação) e saída (desencarnação); Oxumaré, que é a serpente‐arco‐íris, é movimento, mobilidade e atividade, seu trabalho consiste em recolher toda a água caída das chuvas, e levá‐la de volta às nuvens. Representa o completo ciclo da existência; e Ossain, orixá patrono da vegetação, o grande sacerdote íntegro das folhas, a sua importância é fundamental, pois nenhuma cerimônia pode ser feita sem sua presença, sendo ele detentor do axé, imprescindível até mesmo aos próprios deuses.

Mostrar as esculturas de Mestre Didi, mesmo através de um recorte de sua obra em qualquer tempo, proporciona nos defrontarmos com a nossa história, seja esta de vida ou da arte, e de uma identidade que nos faz como nação.

Agenda

O quê: exposição Mestre Didi – Ancestralidade e resistência

Abertura: 18 de outubro, às 19 horas

Horário de visitação: de terça-feira a domingo, das 13 às 18 horas

Onde: Capela do Museu de Arte Moderna da Bahia, em Salvador

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