Espetáculo ‘Tudo Que Você Precisa É Amor’ é apresentado no Teatro Sesc Senac Pelourinho, em Salvador

Espetáculo 'Tudo Que Você Precisa É Amor' é apresentado no Teatro Sesc Senac Pelourinho, em Salvador.

Espetáculo ‘Tudo Que Você Precisa É Amor’ é apresentado no Teatro Sesc Senac Pelourinho, em Salvador.

O acontecimento cênico ‘Tudo Que Você Precisa é Amor’ vai ocupar com sua instalação cênico-performática o Teatro Sesc Senac Pelourinho no mês de outubro. Os dias serão 17, 24, 25 de outubro de 2018, às 20 horas; 22 e 29, às 15 horas. A sessão de estreia (17) terá entrada gratuita. A montagem é uma criação da artista Felícia de Castro e é fruto de 20 anos em pesquisas e experiências no campo das artes cênicas.

Ancorada na palhaçaria e em sua função sagrada do riso, a obra traz como norte dramatúrgico o ensinamento budista que aborda a busca incessante do ser humano por satisfação e a possibilidade da felicidade ser encontrada dentro de si. Tudo Que Você Precisa é Amor tem o ator, pesquisador e palhaço Alê Casali na direção.

Bafuda Orgância é uma palhaça que nasce do riso que habita o ventre da terra e convoca-nos a um encontro tragicômico de luzes e sombras. Partindo da mitologia pessoal da artista à mitologia arquetípica de deusas das antigas culturas matriarcais, o espetáculo é uma celebração da vida, da morte e do amor como a grande revolução.

A obra, que traz a palhaça Bafuda em busca da felicidade e do amor, é uma homenagem ao rito da palhaçaria e às mulheres cômicas, pesquisa aprimorada há 10 anos por Felícia de Castro através do projeto Palhaças, Bem-Vindas Sois Vós. “Nos cursos e vivências, várias palhaças nasceram e revelaram mundos interiores, geralmente, muito reprimidos. “Estas experiências estão na minha carne e na dramaturgia do espetáculo”, conta a atriz.

A atuação de Felícia de Castro como palhaça é marcada pela dança, pelo transbordar de emoções, pelo exagero cômico do corpo e pela expressão do grotesco físico. “A palhaçaria é uma arte que traz uma cura a si e ao mundo. O riso é libertador de luz e harmonia. As palhaças são porta-vozes disso, desde os tempos mais antigos”, realça.

Girando ainda a revolução do brincar e a revolução do afeto, dimensões essenciais da palhaçaria, o espetáculo traz como chave a cura da criança e a questão do massacre da infância pelo adoecido mundo adulto. O espetáculo escancara de forma crua, trágica e cômica as profundezas humanas em todo seu potencial para a violência e para o amor.

“Nosso ato político é a coragem de encarar nossas profundezas, descolonizar este corpo e ser quem somos em sua máxima potência. Subvertendo a ordem. Assim eu encaro a palhaçaria feminina e a função sagrada do riso. O riso que liberta as emoções presas, afasta o medo, desperta o prazer, e assim é subversivo”, enfatiza Felícia.

Encontros

O espetáculo marca a parceria criativa entre Felícia de Castro e o diretor Alê Casali. Ambos desenvolvem pesquisas em palhaçaria há 20 anos, transmitidas a centenas de artistas pelo país. Felícia com vivências em comunidades de culturas populares como os reisados e uma investigação na palhaçaria brasileira – representada pelos palhaços como o Mateus do reisado -, nos cantos tradicionais, no teatro físico e no grotesco, na pesquisa da voz que vem do corpo e na dança butoh.

Alê Casali tem uma pesquisa na palhaçaria moderna e tradicional, aprofundada nas gags e cascatas, a força da arte de rua e a comicidade no cinema. “A fonte de expressão das nossas pesquisas é o teatro físico e a palhaçaria sagrada. Ela com o trabalho de arqueologia da comicidade feminina e eu xamânica. Fomos iniciados juntos na palhaçaria em 1999 e esta obra é uma forma de consagrar essas duas décadas”, descreve.

Casali fala que como diretor trabalhou as técnicas de palhaçaria ligadas às técnicas psicofísicas de preparação energética e potência física. A respeito da obra, antecipa que o espetáculo “propõe uma experiência ativa, muito mais que um entretenimento”.

Em um processo coletivo de criação da obra, a concepção audiovisual de Nina La Croix dialoga com a ação, explode camadas sensíveis do imaginário da cena e sela sentidos na dramaturgia. A cenografia criada pelo arquiteto e cenógrafo Erick Saboya para o espetáculo é uma instalação que convoca o público a um espaço sagrado da palhaçaria.

Já Mariana Terra concebeu uma “luz sensorial, capaz de acessar nas pessoas aspectos mais sutis”. Uma iluminação minimalista que busca provocar aconchego ao público E “matriarcal, que lembra a casa da vó”. Na trilha sonora, os cantores e compositores Ronei Jorge e Andrea Martins criaram camadas sonoras que intensificam as ações, os exageros físicos e as curvas emocionais, dialogando criativamente com um ‘set list’ de referências populares, clássicas e pops que Felícia traz e brinca há anos em seus números e cursos.

O figurino desenhado pela Alessandra Santiago tece a obra, costurando os espaços entre a criança, a mulher, a deusa e a palhaça. Costura momentos de riso e lágrimas…de vida e morte. Outro encontro potente em Tudo que Você Precisa é Amor é com a Multi Planejamento Cultural, responsável pela produção executiva da montagem, com as sócias Ana Paula Vasconcelos e Renata Hasselman à frente.

Tudo Que Você Precisa É Amor propõe através da palhaçaria um olhar para a criança e para a mulher a partir das dores que foram provocadas nessa era patriarcal e que nos trouxe desequilíbrios graves enquanto humanidade. É um ato mágico que chama para uma reflexão/tomada de consciência que concilie o que foi com o que precisa ser.

Agenda

O quê: Espetáculo Tudo Que Você Precisa é Amor

Quando: 17, 24, 25 às 20 horas; 22 e 29, às 15 horas

Onde: Teatro Sesc Senac Pelourinho, em Salvador

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