Eleições 2018: Seja quem for o vencedor, possibilidade de mudança significativa no Brasil é remota, diz analista americano

Analistas apontam que polarização política do país é preocupante.

Analistas apontam que polarização política do país é preocupante.

A disputa entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) no segundo turno da eleição presidencial não traz expectativa de grandes mudanças no Brasil, já que ambos deverão enfrentar dificuldades em aprovar reformas no Congresso caso sejam eleitos, dizem analistas estrangeiros.

“Seja quem for o vencedor, a possibilidade de mudança muito significativa no Brasil é remota, especialmente no contexto que o novo presidente irá enfrentar”, observa o cientista político Matthew Taylor, professor da American University, em Washington.

“É provável que quem vencer esta eleição enfrente dificuldades em trabalhar com o Congresso. No caso de Bolsonaro, muitos partidos de centro e centro-esquerda terão dificuldade de trabalhar com ele. Haddad também vai sofrer oposição, terá de enfrentar o PMDB, partido com o qual talvez seja difícil se reconciliar.”Segundo Taylor, nesse cenário, as promessas de mudança de ambos os candidatos serão difíceis de cumprir, especialmente nos setores que mais preocupam os eleitores brasileiros, como corrupção, segurança, saúde e emprego.

Taylor ressalta ainda que Bolsonaro chega à disputa após vários mandatos no Congresso e Haddad vem de um partido abalado pelos recentes escândalos de corrupção.

“Especialmente depois de meia década de escândalos, protestos e crescimento anêmico, há o sentimento de que algo deve mudar no Brasil. A ironia é que nenhum desses candidatos é realmente um candidato de mudança”, afirma.

Rejeição

Para Michael Shifter, presidente do instituto de análise política Inter-American Dialogue, em Washington, ambos os candidatos inspiram rejeição na comunidade internacional.

“Uma vitória de Bolsonaro causaria grande ansiedade e apreensão”, diz Shifter, citando o que caracteriza como “política de divisão e polarização” do candidato, que deve limitar o quanto seu eventual governo poderá fazer internacionalmente.

“Mas também há preocupação com um retorno do PT ao governo e o que isso representaria”, destaca Shifter.O cientista político Riordan Roett, diretor emérito do programa de estudos da América Latina da Universidade Johns Hopkins, afirma que entre os dois candidatos, Haddad parece ser visto como uma opção mais previsível e estável. Mas o nível de rejeição que ambos enfrentarão caso sejam eleitos preocupa.

“A polarização é realmente preocupante. Se a esquerda vencer, a direita ficará muito frustrada. E se a direita vencer, a esquerda ficará muito frustrada. E não há ninguém no meio para agir como moderador”, resume Roett.

Roett lembra que Bolsonaro construiu uma base conservadora de maneira similar ao presidente americano, Donald Trump, e, caso eleito, deve jogar para essa base em termos de legislação.

“Não será uma maioria, mas será uma minoria forte. E esse será seu problema. Como governar um país inteiro se sua base é uma minoria da população?”, questiona Roett.

EUA e América Latina

Bolsonaro costuma ser comparado a Trump, mas, para os analistas consultados, as supostas semelhanças entre os dois não significam garantia de boas relações entre os dois países, e nenhum dos candidatos brasileiros inspira empolgação por parte dos Estados Unidos.

“Não são opções muito atraentes”, diz Shifter. “Acho que qualquer um dos dois (candidatos) será difícil para as relações entre Estados Unidos e Brasil.”

Em relação à América Latina, a crise dos refugiados na fronteira com a Venezuela é citada como um dos grandes desafios regionais do novo presidente.”Caso Bolsonaro seja eleito, poderá ser forçado a adotar medidas mais duras em relação à Venezuela, talvez mais duras do que o Grupo de Lima (grupo com representantes de diversos países do continente para discutir a crise venezuelana) estaria disposto a adotar”, afirma o cientista político Harold Trinkunas, da Universidade de Stanford, na Califórnia.

“Também será interessante observar se o Brasil estará disposto a seguir medidas mais duras impostas pelos EUA em relação à Venezuela.”

No caso de um governo Haddad, Trinkunas diz que a abordagem em relação à crise na Venezuela pode causar discórdia, especialmente se adotar uma política externa de proximidade com líderes de países como Venezuela, Bolívia, Nicarágua e Cuba.

“Mas não sei o quanto a crise de refugiados poderia obrigar um governo Haddad a tomar medidas mais duras sobre o que está acontecendo na Venezuela”, avalia.

*Por BBC News Brasil.

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