Eleições 2018: Jair Bolsonaro representa a “tirania da maioria”, diz artigo do Le Figaro

O candidato do PSL, Jair Bolsonaro, ao lado de militares em São Paulo, em 3 de outubro de 2018.

O candidato do PSL, Jair Bolsonaro, ao lado de militares em São Paulo, em 3 de outubro de 2018.

A imprensa francesa continua de olho nas eleições para presidente no Brasil. Dois grandes jornais do país, Le Figaro e Le Monde, publicam nesta quarta-feira (10/10/2018) artigos de opinião sobre a campanha eleitoral do candidato da extrema direita Jair Bolsonaro.

“Brasil: Bolsonaro ou a tirania da maioria” é o título do artigo publicado na seção de opinião do conservador Le Figaro, assinado por Alexis Karklins-Marchay. Ele cita vários fenômenos antissistema que chacoalham o mundo: como a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, as controversas decisões do premiê húngaro, Viktor Orban, e do ministro italiano do Interior, Matteo Salvini, além da volta de partidos populistas em vários países europeus. “A emergência de Bolsonaro constitui apenas uma manifestação suplementar de um fenômeno que parece se estender de maneira inexorável”, diz o texto.

No artigo, Karklins-Marchay justifica esses fenômenos, dizendo que “as pessoas se submetem a líderes contra o sistema, porque eles prometem restaurar o poder e a grandeza de um país (…) evocando valores religiosos, enaltecendo um passado através da nostalgia, denunciando as elites, o politicamente correto e as ideias progressistas como se elas fossem culpadas de terem enfraquecido e ameaçado a nação”. Esses líderes se aproveitam de um cansaço geral, de governos esgotados, cidadãos desiludidos e preocupações legítimas sobre o futuro do planeta.

No entanto, para o autor do texto, esses responsáveis mais dividem do que unem as populações. “Sobretudo, eles semeiam uma cultura política da violência, verbal, no começo, e potencialmente física, na sequência”, colocando a democracia em risco. Para combater o fenômeno, é preciso reagir ao que o analista chama de “tirania da maioria”, combatendo todas as formas de restrição de liberdade de pensamento, denunciando ideias simplistas, lembrando de fatos com ferramentas de informação e educando as pessoas sobre os sistemas políticos e ao ceticismo sobre as falsas notícias, difundidas nas redes sociais.

O homem branco raivoso

Le Monde segue na mesma linha e, publica um artigo assinado pela cronista Sylvie Kauffmann cujo título é “De Trump a Bolsonaro, o ‘homem branco raivoso’ está de volta”. A editorialista defende que líderes como Trump e Bolsonaro se fortalecem quando mulheres, negros e outras minorias, como os latinos e os orientais nos Estados Unidos, ganham força. “A ideia de que todos podem, no final das contas, vencer” não agrada o homem branco porque “ele perde sua supremacia, ele se sente discriminado” e isso o desagrada.

Para Sylvie Kauffmann, seguindo a linha de Trump, do presidente russo, Vladimir Putin, do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, do ministro italiano do Interior, Matteo Salvini, Bolsonaro é “o último avatar do homem branco raivoso”. “Como o presidente filipino, Rodrigo Duterte, Jair Bolsonaro minimiza as mulheres e os estupros e menospreza aquelas que gerenciam seu lar sem maridos”, escreve a cronista, lembrando que esse comportamento levou milhares de mulheres às ruas do Brasil, com o movimento #EleNão.

Já nos Estados Unidos, a raiva do homem branco foi utilizada para confirmar o juiz Brett Kavanaugh à liderança da Suprema Corte americana, com Trump incitando os republicanos contra as feministas democratas e ridicularizando o depoimento de Christine Blasey Ford, que acusa o magistrado de estupro. Agora, enquanto Kavanaugh se instala tranquilamente em seu escritório na Suprema Corte, Christine Blasey Ford não pode nem mesmo voltar para sua casa devido às diversas ameaças de morte que vem recebendo. Isso prova que essa estratégia de divisão desses “homens brancos raivosos” é uma marcha-ré na democracia, conclui a editorialista do Le Monde.

*Com informações da RFI.

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