Eleições 2018: Guinada à direita muda mapa político do Brasil

Infográfico do El País apresenta mudanças do mapa brasileiro do voto em 16 anos de eleições.

Infográfico do El País apresenta mudanças do mapa brasileiro do voto em 16 anos de eleições.

Além de terem registrado os piores desempenhos em disputas presidenciais de suas trajetórias, PSDB e MDB, que por mais de duas décadas figuraram entre as maiores forças do Congresso, encolheram ao ponto de se tornarem siglas médias na Câmara Federal. Ambos perderam quase metade dos seus deputados federais.

Em meio à guinada à direita que varreu as urnas no último domingo (07/10/2018), os dois partidos também encolheram significativamente na disputa pelos Legislativos dos estados. O MDB do presidente Michel Temer perdeu 35% dos seus deputados estaduais.

Já o PT resistiu com a maior bancada na Câmara Federal, mas saiu encolhido em relação a 2014 e viu seu presidenciável registrar o pior desempenho do partido em 20 anos. No próximo ano, o PT deve contar com uma bancada no Congresso comparável à que tinha em 1995. Os petistas ainda perderam espaço nos estados.

Os três partidos, que se revesaram no comando da Presidência do Brasil desde o fim da ditadura, também encolheram no Senado.

MDB e PSDB perdem força

Após 24 anos sem lançar à Presidência um candidato próprio, o MDB resolveu apresentar neste pleito o ex-ministro Henrique Meirelles (MDB). Já o PSDB lançou Geraldo Alckmin, veterano da disputa presidencial de 2006.

Filiados a partidos que foram atingidos em cheio pela Lava Jato e associados com o impopular Temer, os dois registraram os maiores gastos de campanha no primeiro turno. Combinados, passam de 91 milhões de reais. De nada adiantou. Ambos tiveram desempenho pífio. Meirelles obteve 1,2%,. Atropelado pela candidatura do direitista Jair Bolsonaro (PSL), Alckmin conseguiu menos de 5% dos votos, de longe o pior desempenho do tucanos desde 1989, quando disputaram sua primeira eleição presidencial.

Para piorar, o mau desempenho dos dois candidatos frente a Bolsonaro se refletiu no Congresso. Em relação à eleição de 2014, o MDB encolheu de 66 para 34 cadeiras na Câmara, recuo de 48%.

No Senado, o MDB também acumulou uma série de derrotas e vai começar 2019 com 12 senadores, ainda a maior bancada da Casa, mas com seis membros a menos do que a atual. Até mesmo o presidente da sigla, Romero Jucá (RR), que atuou como líder dos governos FHC, Lula, Dilma e Temer, perdeu sua vaga de senador. O mesmo ocorreu com o atual presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE).

Na Câmara, o MDB agora passa de segunda para quarta maior bancada, atrás do PP e empatado com o PSD. Nunca o MDB foi tão pequeno em ambas as Casas do Congresso desde os anos 1980. Em dez estados, não elegeu sequer um deputado federal. Uma marca inédita. Nas duas últimas eleições, a sigla sempre conseguiu eleger no mínimo um representante por Estado. Nos pleitos anteriores a 2010, o número de estados sem um deputado federal emedista nunca passou de dois.

Já o PSDB encolheu de 54 para 29 deputados federais em relação ao pleito de 2014 (-46%). Passou de terceira maior bancada para a nona. Ficando atrás do PSD, PR, PSB e PRB (partido ligado à Igreja Universal). Nem mesmo em 1990, dois anos após a sua criação, o PSDB havia conseguido eleger tão poucos deputados. A bancada federal paulista dos tucanos encolheu de 14 para seis deputados em relação a 2014. Em Goiás, a queda foi de seis para um. Em alguns Estados, como Paraná, Pernambuco e Rio de Janeiro, a sigla não emplacou um deputado sequer na Câmara.

No Senado, mais encolhimento. A sigla deve começar a próxima legislatura com nove senadores, três a menos do que hoje. Entre os senadores que foram derrotados no domingo estão nomes como Cássio Cunha Lima (PB) e Paulo Bauer (SC). Aécio Neves (MG), ex-presidente da sigla que foi o fiador da entrada dos tucanos no governo Temer e que caiu em desgraça após ter sido atingido pela Lava Jato, desistiu de concorrer à reeleição e se candidatou a deputado federal.

Encolhimento nos estados

O fraco desempenho das duas siglas se repetiu em vários legislativos dos 26 estados e do Distrito Federal. O MDB elegeu 142 deputados estaduais em 2014. No pleito de domingo, só conseguiu emplacar 93, um recuo de 35%. O PSDB caiu de 97 para 73 deputados estaduais (-24%).

Em São Paulo, tradicional reduto tucano, o PSDB perdeu 14 deputados na Alesp em relação a 2014. De maior bancada, passa a ser a terceira, com apenas oito deputados. Em Minas Gerais, onde o tucano Antonio Anastasia concorre ao governo no segundo turno, caiu de nove para seis deputados. No Paraná, estado que até o início do ano foi governado pelo tucano Beto Richa (que foi preso durante a campanha), o partido só elegeu dois deputados, ante seis em 2014.

No âmbito nacional, os tucanos acabaram sendo ultrapassados pelo PSL de Bolsonaro na posição de terceira sigla com maior número de deputados nas assembleias. O antes nanico PSL saltou de 16 para 76 representantes nos legislativos estaduais. Em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Espírito Santo, elegeu as maiores bancadas.

No Rio de Janeiro, o encolhimento do MDB foi avassalador. O partido do impopular governador Luiz Pezão e de seu antecessor Sérgio Cabral (que está preso) elegeu apenas cinco deputados, ante 15 em 2014. Assim como PSDB em São Paulo, o MDB perdeu espaço no Rio para o PSL de Bolsonaro, que saltou de duas para 13 cadeiras na Alerj.

Petistas: níveis pré-Lula no poder

Com Lula, sua maior liderança, na prisão, o PT também registrou em relação a 2014 resultados piores nas disputas pela Presidência, Câmara, Senado e legislativos estaduais. Seu candidato substituto à Presidência da República, Fernando Haddad, obteve 29,28% dos votos válidos – pior desempenho do partido em eleições para o Planalto desde 1998.

Na Câmara, o PT ainda conseguiu se manter como a maior bancada da Casa, com 56 deputados federais. No entanto, sofreram um recuo. Há quatro anos, o número de eleitos foi 68. Uma queda de 17%.

A composição também explicitou que o PT ficou mais dependente do Nordeste, região onde Haddad teve seu melhor desempenho na corrida presidencial. Dos 56 deputados eleitos, 20 são da região (35%). Em 2014, a proporção na bancada de petistas eleitos foi de 26%. A bancada federal petista da Bahia, como oito deputados, se igualou a de São Paulo. Em 2014, os petistas haviam eleito 10 deputados no estado do Sudeste. Em 2010, havia 15 paulistas.

No Senado, o mau desempenho dos petistas foi pior do que do PSDB e igual ao do MDB. Hoje contando com nove senadores, o partido deve chegar ao próximo ano com seis, uma queda de um terço.

O partido ainda teve a pior relação candidato/eleito ao Senado em comparação com o MDB e PSDB. Os petistas apresentaram 24 candidatos para 54 vagas em disputa no Senado. Apenas quatro foram eleitos (16%). Já o PSDB lançou 22 e emplacou quatro (18%). O MDB, com 23 candidatos, elegeu sete (30%).

Entre os senadores petistas que não conseguiram se reeleger estão Lindbergh Farias (RJ) e Jorge Viana (AC). Outros nomes que pareciam apostas seguras para conquistar uma cadeira, como Eduardo Suplicy (SP) e a ex-presidente Dilma Rousseff (MG) fracassaram. A presidente da sigla, Gleisi Hoffmann, que hoje ocupa uma cadeira no Senado, não se lançou à reeleição, preferindo concorrer a uma vaga de deputado federal no Paraná.

Nas assembleias estaduais, o PT também encolheu. Em 2014, conseguiu emplacar 110 deputados estaduais. No próximo ano, só deve contar com 85. Recuo de 22%.

Com seis senadores e 56 deputados federais, o partido voltou a ter uma bancada no Congresso semelhante a que contava em 1995, oito anos antes de Lula assumir a Presidência.

*Com informações de  Deutsche Welle Brasil.

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