Eleições 2018: Fernando Haddad vence em Paris no segundo turno com 69,4% dos votos; Jair Bolsonaro conquista 70,8% dos votos no exterior

Militantes do PT comemoram a vitória de Fernando Haddad na França em frente ao local de votação, em Paris.

Militantes do PT comemoram a vitória de Fernando Haddad na França em frente ao local de votação, em Paris.

Os eleitores brasileiros residentes na França deram a vitória ao candidato petista Fernando Haddad que chegou em primeiro lugar, com 69,45% dos votos. Jair Bolsonaro, do PSL, ficou com 30,55%, de acordo com os boletins das seções eleitorais fixados pelo consulado brasileiro de Paris no local de votação e encaminhados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A votação em Paris terminou às 17h pelo horário local, (13h em Brasília) e transcorreu sem incidentes, com 16 urnas eletrônicas instaladas no Espace Cléry, um centro de eventos alugado pelo Consulado Brasileiro no 2° distrito da capital francesa.

A abstenção foi considerada bastante alta neste domingo, já que 57,6% dos  inscritos não apareceram para votar, repetindo o mesmo índice do primeiro turno. As férias escolares de outono, que duram até o início de novembro, podem ter sido uma das principais causas do alto índice, já que muita gente aproveita a época para viajar.

Brasileiros residentes na França votaram nas seções eleitorais instaladas em Paris neste domingo, 28 de outubro de 2018.

Outro fator que pode ter influenciado a abstenção expressiva dos eleitores brasileiros na França é a concentração da votação em Paris.

Cecilia Avelino veio de Lyon, no sudeste do país, e diz que votar está ficando cada vez mais caro para quem mora fora da capital francesa. “No primeiro turno eu pude vir com o TGV (trem de alta velocidade), e em duas horas conseguir chegar para votar. Mas desta vez, com as férias escolares, os preços subiram demais. Acabei optando por um trem normal que demora quase 5 horas para percorrer o caminho entre Lyon e Paris”.

Cecilia contou que normalmente aproveita a viagem para visitar Paris, mas que desta vez, o foco ficou somente na eleição. “Geralmente tentamos aproveitar o nosso tempo para passar por algum museu, procurar um livro em alguma biblioteca, mas sinceramente, neste segundo turno, estou tão mexida com a situação toda que não estou nem conseguindo olhar para o resto de Paris”, afirmou.

A votação neste segundo turno aconteceu sem incidentes graves. A polícia francesa acompanhou do lado de fora a movimentação dos eleitores, que foi maior no período da manhã.

Em alguns momentos, apoiadores dos dois candidatos se enfrentaram verbalmente utilizando slogans e provocações. Enquanto os partidários do candidato do PSL usavam bandeiras do Brasil, os militantes de esquerda responderam exibindo livros, gritando que iriam votar no “professor”. Apesar das divergências, o confronto verbal terminou em abraços entre os eleitores.

PT tem histórico de vitórias em ParisMesmo com a desistência de alguns brasileiros que moram longe, quando comparado com a eleição de 2014, a abstenção deste ano foi menor. Na disputa entre Dilma e Aécio, 64% das pessoas que haviam transferido seu título de eleitor para Paris não compareceram. Vale ressaltar que o número de inscritos também cresceu, passando de cerca de 8 mil a pouco mais de 11 mil.

No primeiro turno da eleição, os brasileiros residentes na França deram a vitória a Ciro Gomes, de PDT. O petista Fernando Haddad ficou em segundo na votação, à frente de Bolsonaro, terceiro colocado.

A votação em Haddad no segundo turno confirma uma tendência observada nas últimas eleições para presidente. Desde 1998, o PT ganhou quase todas as disputas em Paris, com Lula e Dilma vencendo com folga em 2002, 2006 e 2010. Perdeu somente em 2014, quando a vitória foi de Aécio Neves.

Bolsonaro conquista 70,8% dos votos no exterior

Com 92,09% das urnas apuradas nas representações diplomáticas do Brasil no exterior, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) venceu com 70,82% dos votos válidos. O adversário, o petista Fernando Haddad, obteve 29,18%.

A votação no exterior foi marcada pela grande abstenção, que chegou a 59,59%. Os votos em branco somaram 3,65% e os votos nulos, 4,2%

*Por Stephan Rozenbaum, da RFI.

Compartilhe e Comente

Faça uma doação ao JGB

Redes sociais do JGB

Publicidade

Publicidade

+ Publicações >>>>>>>>>

Manchete

Colunistas e Artigos

Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia).