Eleições 2018: Economista Paulo Guedes teria “um profundo rancor” de nunca ter ocupado uma alta função, diz Le Monde

Le Monde faz perfil do 'guru' econômico de Jair Bolsonaro (PSL).

Le Monde faz perfil do ‘guru’ econômico de Jair Bolsonaro (PSL).

O Caderno de economia do vespertino francês Le Monde desta segunda-feira (22/10/2018) traz um perfil de Paulo Guedes, “o Chicago Boy que inspira Jair Bolsonaro”. Cotado para assumir a Fazenda no caso de eleição do candidato do PSL, Guedes é descrito pelo jornal como “ultraliberal”.

“Jair Bolsonaro o apelida tanto de seu ‘marido’ quanto de seu ‘canivete suíço’. Paulo Guedes é, na realidade, a carta mestra do candidato de extrema-direita”, descreve o jornal.

“Graças ao seu ‘marido’, o paraquedista na reserva se transformou em uma personalidade market-friendly (benevolente com o mercado financeiro). Melhor que isso, Paulo Guedes fez do homem de discurso racista, misógino e homofóbico a coqueluche dos círculos de negócios, uma vedete aclamada pelos empresários de São Paulo”, acrescenta a matéria da jornalista Claire Gatinois.

Nascido no Rio de Janeiro, formado em economia na UFMG, com mestrado pela Fundação Getúlio Vargas e doutorado na Universidade de Chicago, Guedes frequenta os arcos do poder há décadas, esclarece a reportagem, contando que ele já foi consultado por diversos gabinetes presidenciais, inclusive o de Dima Rousseff, quando o país entrou numa recessão histórica, em 2015.

Apesar de estar ao lado de vários episódios importantes da história brasileira, o economista nunca foi protagonista e alimentaria “um profundo rancor” de ter sido excluído por tanto tempo das mais altas funções do Estado.

“Um pouco de vergonha”

O primeiro encontro entre o candidato de extrema-direita e o “Chicago Boy” aconteceu em meados de novembro de 2017. Paulo Guedes vinha de fracassar na tentativa de convencer o apresentador Luciano Huck a se candidatar à presidência.

“Na verdade, Paulo Guedes tem um pouco de vergonha de Bolsonaro”, confiou uma fonte próxima do economista. Guedes é descrito como admirador de Milton Friedman e não compartilharia do extremismo do antigo capitão paraquedista, nostálgico da ditadura militar (1964-1985).

No entanto, segundo o jornal, Paulo Guedes fez de Jair Bolsonaro alguém “frequentável” pelos banqueiros e empresários.

Defensor implacável do Estado mínimo, o “guru” pensa ser capaz de canalizar os “transbordamentos” de Bolsonaro, mas já engole sapos.

De acordo com Le Monde, a maior parte dos analistas acha que ele não dura mais que seis meses num eventual governo Bolsonaro.

“Falta realismo político a Paulo Guedes, e os mercados vão perceber isso logo”, diz o professor de economia Paulo Baia, entrevistado pelo jornal.

*Com informações da RFI.

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