Eleições 2018: Assessor de Jair Bolsonaro quer salas separadas para negros e pobres

Aléssio Ribeiro Souto e Jair Bolsonaro.

Aléssio Ribeiro Souto e Jair Bolsonaro.

Jair Bolsonaro é inimigo das cotas raciais e sociais. Sempre que teve oportunidade ele deixou isso claro para o Brasil. Por isso, o general Aléssio Ribeiro Souto, assessor do candidato do PSL para a Educação, quer substituir a política de cotas por aulas de reforço para alunos negros e pobres. Em outras palavras, eles querem instituir salas de aulas separadas para esses estudantes.

“Que tal se, em vez de cota, propiciarmos ensino adicional, correção dos erros existentes, complementariedade?”, aponta Souto em entrevista ao Estadão, nesta segunda-feira (15/10/2018). Além desse ‘apartheid sócio-racial’, os militares defendem ainda que a Polícia Militar retire crianças que não se comportarem da sala de aula, no que Souto intitulou de “repressão democrática”.

O pensamento do general sobre as cotas corrobora a visão de Bolsonaro, que nega a herança excludente que a escravidão deixou no país. Em julho, durante o programa Roda Viva, o candidato do PSL questionou a necessidade das cotas, a existência de uma dívida social e histórica com a comunidade negra e ainda foi capaz de criar uma fake news com a história do Brasil.

“Que dívida? Eu nunca escravizei ninguém na minha vida. Se for ver a história realmente, os portugueses nem pisavam na África, eram os próprios negros que entregavam os escravos”, fantasiou Bolsonaro durante a entrevista.

Pobres talentosos e a ‘verdade sobre 64’

Ainda nesta segunda (15), Souto disse que é preciso retirar a ‘ideologia’ dos livros para revelar a ‘verdade sobre 64’. Para o general, a ditadura militar foi um movimento de “liberdade, coragem e ética” para impedir que fosse instituída a uma “ditadura do proletariado”.

Souto admitiu também que o governo Bolsonaro vai privilegiar os mais ricos na Educação. O general, além de propor o fim das cotas, escancarou que o Ensino Superior não terá acesso para todos. “O país nunca vai transformar os pobres em ricos. Não é todo mundo que chegará lá. Mas os mais talentosos entre os pobres precisam ter acesso ao nível superior”, confessou Souto.

Outra política antipovo de Bolsonaro para a Educação é o incentivo à educação à distância desde o ensino fundamental. Em nome de “combater o marxismo”, o candidato do PSL quer que os filhos de trabalhadores e trabalhadoras não tenham cotas, acesso a um ensino de qualidade e presencial e consequentemente não frequentem a faculdade.

Afinal, para Bolsonaro “essa tara por diploma superior não pode existir“.

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