Eleições 2018: A demografia do Congresso Nacional a partir de 2019

Fachada do Congresso Nacional.

Fachada do Congresso Nacional.

Homem, branco, casado, de 50 e poucos anos e com ensino superior completo. Esse é o retrato do Congresso brasileiro eleito no último domingo (07/10/2018), o que não altera o perfil dos congressistas que tomaram posse após as eleições de 2014.

Dados disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral, no entanto, revelam que essas características destoam da maioria do eleitorado brasileiro, composto por mais mulheres (52,5%), mais solteiros (59,6%) e do qual boa parte não completou o ensino fundamental (25,84%). Os pretos e pardos são maioria na população brasileira (54,9%) e, consequentemente, no eleitorado.

Gênero

Das 513 vagas em disputa na Câmara dos Deputados, apenas 77 serão ocupadas por mulheres, o que representa 15% do total. No Senado, sete senadoras foram eleitas em 2018. Mesmo somadas às senadoras que permanecem na Casa até 2023 (as eleitas no último domingo ficam até 2027, pois o mandato do cargo é de oito anos), o número de mulheres não ultrapassará 12 – o que corresponde a 14,81%.

Se a senadora Fátima Bezerra (PT) eleger-se governadora no Rio Grande do Norte, onde concorre na eleição em segundo turno, o número de mulheres no Senado cairá para 11, o equivalente a 13,58% das cadeiras.

Cor da pele

A esmagadora maioria do Congresso será branca. São 40 senadores brancos eleitos (74,07%) e 385 deputados (75,05%). Pardos somam 11 no Senado (20,37%) e 104 (20,27%) na casa legislativa vizinha. Há três senadores que se declaram pretos (5,56%) e 21 deputados (4,09%).

Apenas um indígena compõe a 56ª legislatura da Câmara, que permanece na Casa até 2022. A advogada Joenia Wapichana (Rede-RR) será a primeira mulher indígena da história a assumir uma das vagas na Câmara. Ela também é considerada a primeira indígena a se formar em Direito no país, em 1997.

Entre os deputados federais, dois declararam serem amarelos. O novato em cargos eletivos, Kim Kataguiri (DEM-SP), e o estreante na Câmara, Luiz Nashimori (PR-PR), descendem de orientais.

Grau de escolaridade

Quase 80% do Congresso eleito frequentaram e concluíram um curso universitário. Na outra ponta da gangorra do grau de instrução está Emidinho Madeira (PSB-MG), único a declarar que apenas lê e escreve. A alfabetização é requisito constitucional para a eleição.

No registro do deputado reeleito Tiririca (PR-SP) consta que ele possui ensino fundamental incompleto. Na primeira eleição do deputado, em 2010, houve polêmica sobre a veracidade de seu pedido de candidatura. Na época, Tiririca afirmou saber ler e escrever, o que foi contestado em denúncia. Em 2013, entretanto, o Supremo Tribunal Federal concluiu que o deputado é alfabetizado e arquivou o caso.

Há outros quatro deputados sem diploma de ensino fundamental: Magda Mofatto (PR-GO), Vilson da Fetaemg (PSB-MG), Gelson Azevedo (PHS-RJ) e Dionilso Marcon (PT-RS). Entre os senadores, apenas um não terminou o ensino fundamental: Jorge Kajuru (PRP-GO).

Estado civil

Os casados serão maioria tanto na Câmara quanto no Senado. Entre os senadores eleitos, 43 declararam serem casados na hora do registro da candidatura (79,63%). Os divorciados somam nove (16,67%), e há apenas um senador separado (Rodrigo Pacheco, do DEM-MG) e outro solteiro (Mara Gabrilli do PSDB-SP). Apesar de constarem entre os deputados federais 355 casados (69,2%), o número de solteiros ainda é grande: 111 (21,64%). Os divorciados somam 42 (8,19%), dois são separados, e três, viúvos.

Faixa etária

A maioria dos recém-eleitos ocupantes do Congresso tem entre 55 e 59 anos de idade. Na Câmara, são 92 nesta faixa etária (17,93%) enquanto que no Senado, 12 (22,22%). A idade mínima para ser senador é 35 anos. Na Câmara, é preciso já ter completado 21 anos.

Quatro senadores estão na faixa dos 35 aos 39 anos. Os mais jovens também somam quatro na Câmara – mas, por ali, essa faixa vai dos 21 aos 24 anos. Luisa Canziani (PTB-PR), de 22 anos, é a mais jovem eleita para o cargo de deputado federal.

Se somados todos os idosos (pessoa maiores de 60 anos), esta seria a maior bancada do Congresso Nacional. Na Câmara, 104 dos 513 deputados têm mais de 60 anos (20,26%). Já no Senado, 20 dos 54 eleitos (37,03%) fazem parte da população idosa brasileira. A deputada mais velha é Luiza Erundina (PSOL-SP), que terá 84 anos no dia da posse. No Senado, o mais velho é Arolde de Oliveira (PSD-RJ), nascido antes do início da Segunda Guerra Mundial, em 1937, e que assumirá o cargo aos 81 anos.

Ocupação

A ocupação anterior dos eleitos chama a atenção. Entre os deputados, quatro indicaram “senador” como profissão, entre eles, Aécio Neves (PSDB-MG), Gleisi Hoffmann (PT-PR), José Medeiros (Podemos-MT) e Lídice da Mata (PSB-BA). Por outro lado, entre os senadores, 15 deputados. Enquanto apenas um vereador elegeu-se senador, na Câmara, eles somam 17.

O Congresso terá 20 servidores públicos, entre municipal, estadual e federal, que provavelmente se licenciarão para exercer o mandato de quatro anos, além de 17 professores, que lecionavam do Ensino Fundamental ao Superior.

Dezenove deputados federais são médicos. Há ainda 13 engenheiros, 39 advogados, 51 empresários e 14 administradores. A bancada policial (considerando policiais militares e civis além de bombeiros) tem nove integrantes. Três são membros das Forças Armadas, e dois, militares reformados. Para o Senado, foram eleitos três policiais e um ex-atleta profissional, Leila do Vôlei (PSB-DF).

*Com informações de Deutsche Welle Brasil.

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