Dival Pitombo detalha conferência a luz de velas de Érico Veríssimo em Feira de Santana | Por Adilson Simas

Dival Pitombo e Juraci Dórea durante a exposição no Museu Regional de Feira de Santana, em 1986.

Dival Pitombo e Juraci Dórea durante a exposição no Museu Regional de Feira de Santana, em 1986.

Na crônica ‘Feira em tempo de nostalgia’, que o mestre Dival Pitombo publicou no jornal A Tarde há 43 anos, num sábado, 26 de julho de 1975, o professor recorda a visita que o consagrado escritor gaúcho Erico Veríssimo fez a Feira de Santana. Com o subtítulo ‘Conferência a luz de velas’, Dival Pitombo detalha a ilustre presença. Vale a pena recordar:

“Um dia recebi um recado do velho João Marinho.

Queria falar comigo. Ao procurá-lo, disse-me o seguinte:

– Amanha chega aqui um literato que João Falcão me pediu para receber. E como não sei conversar muito com essa gente, quero que você venha fazer-lhe companhia.

Fui sem saber quem era. E encontrei-me – que agradável surpresa – com Érico Veríssimo. Após o jantar sair com ele e a senhora, para mostrar-lhe a cidade.

No caminho recebi um recado de Joselito Amorim, pedindo-me para levar o romancista no Colégio Santanópolis, que os estudantes queriam conhecê-lo.

Érico mostrou-se interessado no contato com os jovens.

Fomos.

Ao nos dirigirmos para lá, um ‘blackout’ total surpreendeu a cidade.

Chegamos ao colégio na mais repleta escuridão. Ficamos na secretaria aguardando a normalização, que não se deu até o fim da noite.

Então os estudantes compraram grande quantidade de velas e, na sala de aula, colocaram uma em cada carteira.

Ao entrar, Érico foi saudado com uma calorosa manifestação dos alunos. Palmas entusiásticas estrugiram.

Surpreendido, o escritor improvisou uma linda conferência sobre costumes gaúchos, à luz das velas, que naquele auditório “sui generis” criaram um ambiente fantasmagórico semelhante a um lago iluminado, que impressionou o romancista.

Mais tarde escreveu-me de Porto Alegre comentando o fato.

E treze anos depois, no Rio de Janeiro, em lançamento de um dos seus livros na Livraria São José, relembrou o acontecimento, dizendo-me que não esqueceria, porque foi a única vez, em sua vida, que pronunciou uma conferência à luz de velas.

A originalidade da situação fixou o episódio, que talvez, um dia, figure em suas Memórias.

*Adilson Simas é jornalista e atua em Feira de Santana.

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