Biblioteca Central do Estado da Bahia inova em tecnologia para deficientes visuais

Biblioteca Central do Estado da Bahia oferece óculos com inteligência artificial aos frequentadores do setor Braille.

Biblioteca Central do Estado da Bahia oferece óculos com inteligência artificial aos frequentadores do setor Braille.

A Biblioteca Central do Estado da Bahia (BCEB) inova em tecnologia e se torna a primeira instituição do estado a oferecer óculos com “inteligência artificial” para os frequentadores do setor Braille, no Bairro dos Barris, em Salvador, promovendo a inclusão através da leitura. A entrega de nove óculos OrCam MyEye à Fundação Pedro Calmon (FPC), órgão vinculado à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), ocorreu na manhã desta quinta-feira (25/10/2018), na sede da biblioteca.

O evento para entrega dos equipamentos teve a presença dos secretários estaduais de Cultura, Arany Santana, e da Fazenda, Manoel Vitório; do diretor geral da FPC, Zulu Araújo; do diretor da Mais Autonomia Tecnologia Assistiva, distribuidora exclusiva da OrCam no Brasil, Doron Sadka; da Associação Baiana de Cegos e do Centro de Apoio Pedagógico do Deficiente Visual (CAP).

Para a secretária estadual de cultura, Arany Santana, a Bahia vive um momento histórico. “É muito bom estar compartilhando com todos aqui presentes deste momento de extrema importância. Estou satisfeita porque essa é a prova do compromisso do Estado com a inclusão. Esses óculos são um bem maior, pois mudam a realidade dos deficientes visuais. Entender isso é unânime”, afirma.

Ao fazer a entrega à secretária Arany e ao secretário Manoel Vitório, o diretor da Mais Autonomia Tecnologia Assistiva, Doron Sadka, enfatizou a importância da ação. “É uma honra entregar este equipamento para proporcionar, a todas as pessoas que têm dificuldade de ler, acesso aos livros desta biblioteca”. Sadka ressalta que cerca de 80% das atividades que realizamos no dia a dia estão relacionadas à leitura. “O OrCam MyEye proporciona inclusão, dando acesso à informação onde a pessoa estiver”.

O diretor geral da Fundação Pedro Calmon (FPC), Zulu Araújo, também destacou a importância de adquirir os novos equipamentos. “Estamos proporcionando aos deficientes visuais, analfabetos, idosos e às pessoas que têm limitação visual, óculos com câmera, que pode fazer a leitura em qualquer idioma. Este equipamento traduz a leitura e é o mais moderno e avançado do mundo”.

A diretora da Biblioteca Central, Naiara Malta, ressaltou que essa é a primeira instituição da Bahia a oferecer o equipamento. “Essa tecnologia, além de fazer a leitura dos signos, transforma em áudio, facilitando o acesso à informação. Faz também o reconhecimento de cores, dinheiro e embalagens. Isso dá uma autonomia grande para os deficientes visuais”.

A representante da Associação Baiana para Cultura e Inclusão (ABACI), Cristina Gonçalves, também esteve presente ao evento e manifestou a emoção de todos os deficientes visuais, ao colocar e inaugurar, entre lágrimas, o equipamento. “Quando perdi a minha visão tinha 23 anos, havia passado na universidade para Sociologia, e para terminar foi muito difícil. Hoje, fico feliz, pois a gente entende que tem um Estado que é para todos. Esses óculos são o primeiro passo. Não queremos privilégio, mas acessibilidade. Quero convidar agora outros amigos deficientes visuais para usar e experimentar a liberdade, o acesso à cultura e a educação”.

A esperança de ampliar os benefícios da tecnologia para mais pessoas também chegou para Vânia Queiroz, 61, funcionária da Biblioteca há 23 anos. O pai dela, Ernani Queiroz, 92, é deficiente visual e a família não acreditava mais na possibilidade dele continuar lendo. A bibliotecária ficou entusiasmada em poder proporcionar a ele novamente acesso à leitura. “Ele lia todos os dias os jornais e com a perda da visão ficou impossibilitado. Esta inovação vai facilitar a vida dos deficientes visuais e devolver a ele a oportunidade da leitura”.

Esperança renovada também para Euclides França, 66, morador do Arraial do Retiro, no Cabula, e deficiente visual. Ele se deslocou até a Biblioteca dos Barris, no Centro de Salvador, somente para experimentar as maravilhas da tecnologia. Ele não escondeu a empolgação em usar o equipamento. “Que maravilha! Trabalhei por 25 anos como motorista de ônibus, mas perdi a visão devido ao glaucoma. Ver as letras nesse livro agora é bom demais”, contou.

Sobre os óculos

O OrCam MyEye 2.0 é um dispositivo de inteligência e visão artificial que permite o acesso fácil, intuitivo e instantâneo à informação disponível em tempo real e funciona offline. Dentre as funcionalidades, os óculos podem ler textos em qualquer superfície em português, inglês e espanhol; reconhecem produtos e código de barras; identifica cédulas de dinheiro; reconhece rostos, cores e informa a hora e a data.

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