ABI Nacional critica presidente eleito Jair Bolsonaro por declarações que se caracterizam como intimidação e retaliação contra o Jornal Folha de São Paulo, liberdade de imprensa e Estado Democrático de Direito

Domingos Meirelles, presidente da ABI Nacional, assina nota contra ato persecutório promovido pelo presidente eleito Jair Bolsonaro, em decorrência de declaração intimidatória do político de extrema-direita proferida contra o Jornal Folha de São Paulo e a liberdade de imprensa.

Domingos Meirelles, presidente da ABI Nacional, assina nota contra ato persecutório promovido pelo presidente eleito Jair Bolsonaro, em decorrência de declaração intimidatória do político de extrema-direita proferida contra o Jornal Folha de São Paulo e a liberdade de imprensa.

Em nota encaminhada nesta terça-feira (31/10/2018) ao Jornal Grande Bahia (JGB), a Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional) criticou severamente o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL/RJ) por intimidar e retaliar o Jornal Folha de São Paulo, durante entrevista concedida na segunda-feira (29) ao Jornal Nacional.

A vilania do político de extrema direita Jair Bolsonaro foi rechaçada pela ABI, ao destacar que “intimidações e retaliações de qualquer natureza a um veículo de comunicação representam grave ofensa à liberdade de imprensa e à própria Constituição da República”, acrescentando que, “o novo Presidente da República precisa também ser convencido de que não recebeu um alvará que o isenta dos compromissos estabelecidos pelo Estado Democrático de Direito”.

Confira íntegra da nota

A Associação Brasileira de Imprensa expressa perplexidade e desapontamento diante das mais recentes ameaças que o presidente eleito Jair Bolsonaro endereçou a Folha de S. Paulo. Intimidações e retaliações de qualquer natureza a um veículo de comunicação representam grave ofensa à liberdade de imprensa e à própria Constituição da República.

No calor de uma campanha política afogueada pelas paixões a imprensa pode ter cometido equívocos dos quais a Folha não seria a única exceção. Em editorial publicado nesta terça-feira, a Folha dá uma demonstração de independência e altivez ao condenar o processo rugoso do discurso de campanha de Fernando Haddad. Além de também criticá-lo por não ter cumprimentado no mesmo dia o presidente eleito. Encenado o processo eleitoral, não é aceitável que se cultivem rancores e sentimento de vingança.

Verbas de publicidade oficial do Governo não podem ser usadas como moeda de troca, ou distribuídas de acordo com as oscilações de humor de quem tem o dever de administrá-las com equilíbrio e lisura. Como se trata de dinheiro público se faz necessária a adoção de critérios muito mais próximos da frieza da régua e do compasso que dá métrica que rege as emoções do momento.

Ao ser contemplado com 57.3 milhões de votos válidos, o novo Presidente da República precisa também ser convencido de que não recebeu um alvará que o isenta dos compromissos estabelecidos pelo Estado Democrático de Direito. O mandato consagrado pelas umas não o coloca acima da lei. O respeito ao contraditório, a livre circulação de idéias, a liberdade de expressão e de pensamento são alguns dos pilares nos quais repousam as nações que se dizem civilizadas.

Domingos Meirelles, presidente da ABI

Rio de Janeiro, 30 de outubro de 2018.

Confira vídeo da entrevista de Jair Bolsonaro ao Jornal Nacional

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia).