Tabagismo e juventude: o risco do uso para a saúde mental

O número de fumantes passou de 7,4%, em 2016, para 8,5% em 2017.

O número de fumantes passou de 7,4%, em 2016, para 8,5% em 2017.

O hábito de fumar, apesar de ter tido queda registrada nos últimos dez anos, voltou a crescer entre os jovens, principalmente na faixa etária entre 18 e 24 anos. De acordo com o Ministério da Saúde, o número de fumantes nessa parcela passou de 7,4%, em 2016, para 8,5% em 2017. A Organização Mundial de Saúde (OMS), aponta que o tabagismo é a principal causa de morte evitável no planeta, sendo considerado, portanto, um problema de saúde pública. Estima-se que cerca de 200 mil pessoas morram todo o ano no Brasil em decorrência do fumo. Esse valor salta para cerca de 4,9 milhões em perspectiva mundial. Por conta desses números, foi criado em 1986 o Dia Nacional de Combate ao Fumo. A data é comemorada nesta quarta, 29 de agosto, e tem por finalidade conscientizar a população a respeito dos riscos do tabaco.

Para Patrícia Guimarães, psicóloga do Hapvida, um dos fatores para o crescimento do tabagismo entre jovens está nos altos índices de ansiedade registrados nos últimos anos. “É uma fase da vida que exige muitas cobranças, inclusive a autocobrança, e o jovem deve decidir quem vai ser, o que vem pela frente e o que ele vai ter que enfrentar. Isso tudo eleva o grau de ansiedade e demanda uma responsabilidade maior na vida. Ainda existe a cobrança dos pais sobre qual profissão ele deve seguir, muitos carregam a responsabilidade de trabalhar cedo, ter filhos. Como o tabaco é uma droga lícita, permitida por lei, eles acabam tendo acesso ao cigarro e ao álcool. A nicotina é uma substância que vicia, dá uma falsa sensação de relaxamento e serve como uma forma de amenizar a cobrança interna. Além disso, o cigarro tem um valor simbólico e muitos jovens o buscam por influência, para se inserir em um grupo, em um momento de busca por autonomia”, explica.

Fator de risco para doenças crônicas, o tabagismo pode desencadear cerca de cinquenta problemas de saúde, dentre os quais, destacam-se: infarto do miocárdio, enfisema pulmonar, derrame, câncer de pulmão, traqueia, laringe e brônquio; impotência sexual no homem, infertilidade da mulher, hipertensão e diabetes. Estima-se que 90% das pessoas que desenvolvem câncer de pulmão apresentem como fator responsável o fumo, sendo importante destacar que as chances de cura para essa doença são bastante baixas.

Além dos males físicos, o cigarro também pode afetar a saúde mental dos fumantes. Segundo o estudo realizado no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), há uma relação entre o fumo e a doença mental. Na pesquisa, além do tabagismo predispor a doenças psiquiátricas, os indivíduos que já tem doenças mentais fumam mais que outros fumantes. De acordo com Patrícia Guimarães, como a nicotina provoca o efeito de relaxamento, muitas pessoas que tomam medicamentos para tratar transtornos mentais fumam para reduzir alguns efeitos colaterais, como desequilíbrios hormonais, por exemplo.

Além disso, a psicóloga destaca que, toda pessoa que se vicia em algo tem uma situação emocional que precisa cuidar. Então, o cigarro funciona como uma válvula de escape. Muitos utilizam, mas não resolvem as questões que tem dentro de si e usam a substância para se satisfazer de maneira geral, mas não veem que aquilo piora o quadro, além de aumentar o grau de ansiedade. “Além de ter total consciência sobre sua decisão, a pessoa que deseja parar de fumar deve buscar ajuda terapêutica para auxiliar na compulsão. Acredito que existem várias alternativas que inibem a vontade, como a terapia, que ajuda a entender melhor a ansiedade e a lidar com as emoções, e a questão medicamentosa, que inibe o desejo pela nicotina. Alguns não querem tomar remédios muito fortes e procuram tratamentos alternativos, como adesivos de nicotina e até técnicas terapêuticas que podem auxiliar nesse processo”, conclui.

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