Operação Vostok: PF apreende documentos em gabinete de deputado preso no Mato Grosso do Sul

Deputado estadual José Roberto Teixeira (Zé Teixeira, DEM/MS).

Deputado estadual José Roberto Teixeira (Zé Teixeira, DEM/MS).

Policiais federais e equipes do Ministério Público Federal (MPF) estão há cerca de sete horas na Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul, cumprindo mandado de busca e apreensão determinado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no gabinete do deputado estadual José Roberto Teixeira (Zé Teixeira, DEM/MS).

Alvo da Operação Vostok, deflagrada pela Polícia Federal (PF), Teixeira foi detido na manhã de hoje (12), em Campo Grande. Sua casa em Dourados, a cerca de 250 quilômetros da capital, também foi alvo de buscas por documentos que possam subsidiar as investigações de um suposto esquema fraudulento de concessão de benefícios fiscais a empresas que, em contrapartida, pagavam propina a agentes públicos.

Assessores do deputado divulgaram há pouco, nas redes sociais, uma nota informando que, em breve, fornecerão detalhes sobre a situação do parlamentar.

As buscas foram determinadas pelo ministro Félix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde o inquérito tramita em segredo de justiça. Entre os outros investigados estão o governador de Mato Grosso, Reinaldo Azambuja (PSDB); seu filho Rodrigo Azambuja, e o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Márcio Monteiro, além de empresários e fazendeiros.

Além de vasculhar e apreender documentos na residência do governador e no gabinete do conselheiro Márcio Monteiro, os policiais federais também estiveram na sede do governo estadual. Candidato à reeleição, Azambuja estava voltando de compromissos de campanha em Naviraí, a cerca de 350 quilômetros da capital.

Consultada pela reportagem, a assessoria do governo confirmou o cumprimento dos mandados de busca e apreensão na governadoria e informou aguardar a chegada de Azambuja à capital para se manifestar sobre a ação policial.

No total, Fischer determinou o cumprimento de 41 mandados de busca e apreensão e 14 de prisão temporária. Cerca de 220 policiais federais participam da operação.

Pelas investigações preliminares, do total de créditos tributários auferidos pela empresa dos colaboradores, um percentual de até 30% era revertido em proveito da organização criminosa investigada.

Nos autos do inquérito, foram juntadas cópias das notas fiscais falsas utilizadas para dissimulação desses pagamentos e os respectivos comprovantes de transferências bancárias.

Apurou-se também que parte da propina acertada teria sido viabilizada antecipadamente na forma de doação eleitoral oficial, ainda durante a campanha para as eleições em 2014, e que alguns pagamentos também teriam ocorrido mediante entregas de valores em espécie, realizadas no Rio de Janeiro e São Paulo, em 2015.

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: [email protected]