O significado da visita do ex-líder do Partido Social-Democrata da Alemanha Martin Schulz ao ex-presidente Lula

Lula e Schulz em encontro no Instituto Lula, em 2015.

Lula e Schulz em encontro no Instituto Lula, em 2015.

O ex-líder do Partido Social-Democrata (SPD) da Alemanha e ex-presidente do Parlamento Europeu Martin Schulz se somou à galeria de visitantes do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na prisão.

Ao se encontrar com o petista na quinta-feira (31/08/2018), Schulz disse que a visita era tanto de caráter privado quanto em nome dos social-democratas alemães, sinalizando que o SPD tomou posição pública em relação aos problemas judiciais do ex-presidente e que torce pela vitória dos petistas nas eleições.

Antes da visita de Schulz, apenas alguns membros isolados do SPD haviam criticado as ações na Justiça contra Lula e a possibilidade de ele ser barrado nas eleições. Schulz é o mais notório membro do partido a se manifestar e agir em solidariedade ao petista.

Em Curitiba, ele disse que veio transmitir a solidariedade dos social-democratas europeus e que realizou “a viagem a pedido de Andrea Nahles”, a líder de seu partido. Ele também afirmou que “discutiu a visita” com o ministro alemão do Exterior, Heiko Maas, outro filiado ao SPD.

Em entrevista à DW, Schulz também afirmou que não está em posição de “julgar o Judiciário brasileiro”, mas opinou que os procedimentos contra Lula “provocam mais perguntas do que dão respostas”. “Não sou um especialista na lei criminal brasileira, mas eu confio e acredito nele [Lula].”

Ele também não escondeu que torce pela vitória do petista nas eleições presidenciais. “Nós temos um grande interesse em uma vitória eleitoral do PT”, disse ele, sem esclarecer exatamente quem seria esse “nós”, mas dando a entender que seriam os social-democratas, que mantêm há décadas uma relação de proximidade com o PT.

Segundo Schulz, esse “interesse” se dá porque os petistas, na sua visão, eram defensores do multilateralismo. “No lugar do multilateralismo defendido pelos governos de Lula e de Dilma Rousseff,  estamos vivenciando – não apenas no Brasil, mas no mundo inteiro – um retorno das políticas isolacionistas.”

Ele também negou que sua visita configure uma interferência em assuntos internos de outro país. “A permissão da visita que recebi é para um homem que conheço há muitos anos e que, na minha visão, foi preso com base em procedimentos muito questionáveis e duvidosos.”Em agradecimento pela visita, Lula entregou um bilhete a Schulz. “Aos companheiros democratas da Alemanha, quero agradecer a solidariedade de vocês desde os tempos das greves de 1980. Agora fizeram um golpe, tirando uma presidente eleita, e agora com um golpe judicial não querem que eu concorra a Presidencia [sic] do Brasil. Conto com a solidariedade do povo alemão. Lula.”

Após a visita, o deputado Rolf Mützenich, porta-voz de assuntos externos do SPD, disse que a visita de Schulz “chamou atenção para a questionável e controversa, em termos constitucionais, perseguição ao ex-presidente Lula”. Ele também salientou que há uma “longa e produtiva” cooperação entre o PT e o SPD e disse desejar que “as próximas eleições possam ser conduzidas livremente e de maneira transparente”.

O deputado não foi o único a comentar a visita. O deputado verde Frithjof Schmidt disse que é “certamente legítimo que Schulz visite um velho conhecido e aliado político na prisão e obtenha informações dele”.

Influência

Schulz foi um dos arquitetos da atual coalizão de governo da Alemanha, mas sua influência na atual administração liderada pela chanceler federal Angela Merkel (da União Democrata Cristã, ou CDU) hoje é limitada. Ele também perdeu boa parte do seu capital político no início do ano.

Em fevereiro, quando ainda era líder do SPD, Schulz caiu publicamente em desgraça após ter manifestado a intenção de assumir o cargo de ministro do Exterior em um governo liderado pela conservadora Merkel. Isso contradisse uma promessa feita durante a campanha eleitoral do ano passado, quando Schulz afirmou que não pretendia mais manter a aliança dos social-democratas com a chanceler e descartou assumir qualquer cargo ministerial.

No final, os social-democratas acabaram se aliando mais uma vez a Merkel e formaram uma nova coalizão. Mas as ambições pessoais de Schulz foram intoleráveis para a base do partido. Ele renunciou à liderança do SPD no final de fevereiro. Ainda conseguiu apontar como sucessora a sua apadrinhada Andrea Nahles.

Quando perguntado pela DW se sua visita a Lula em nome do SPD não poderia ser confundida com uma posição do próprio governo liderado por Merkel, Schulz desconversou.

“Em primeiro lugar, eu represento a mim mesmo. Eu viajei aqui como um social-democrata, em várias capacidades. […] Eu fui informado sobre a situação do país, e naturalmente o SPD é um parceiro do PT. Por isso é lógico que eu visite ele aqui. Você não pode viajar para um país que está em meio a uma campanha eleitoral e falar ‘eu não me interesso pelas eleições’. Um turista pode falar isso, mas não um político’.”

Oficialmente, o governo Merkel – que além do SPD e da CDU ainda é formado pela União Social Cristã (CSU) – mantém silêncio sobre a condenação e prisão de Lula. O mesmo já havia ocorrido em relação ao impeachment de Dilma Rousseff.

*Com informações de  Deutsche Welle Brasil.

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